Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trabalho. Mostrar todas as mensagens

16 de maio de 2013

Honorificamente intitulada vs. Honrosamente determinada.

Sou parte integrante dos 2% de portugueses que, não só dispensam títulos honoríficos, como também os abjuram. Quando me tratam por Dr.ª R. digo imediatamente que a minha mãe não me chamou assim. Mas atentem que detesto títulos para mim, mas também os abomino quando aplicados a terceiros: desenganem-se os que esperam que os trate dessa maneira, porque não o faço. P-O-N-T-O-F-I-N-A-L. Aliás, penso que é isso que faz com que o nosso país seja sui generis no nível profissional (ou justifique a ausência dele), mas isso agora não interessa nada.

Mas houve um episódio, um só, em que puxei dos galardões e me auto-intitulei “Dr.ª R.” em cumprimento formal a uma certa e determinada pessoa.

Contexto: há cerca de 10 anos trabalhava em Marketing e desenvolvi um projecto que envolvia um determinado Museu Nacional. Fiquei a perceber que os directores e as directoras dos nossos museus são todos “doutores”, “engenheiros”, “afins”, ou “todos ao mesmo tempo”, mas isso não me atrapalhava nada. Para mim eram “senhores” e “senhoras”. E nunca ninguém se importou. Certo dia, aquando da execução do projecto, tive que me enturmar com pessoas que lá trabalhavam, e desesperei com uma dondoca nos seus mais vaidosos 60 anos. Apesar de tudo, ela não foi a pior parte. O pior veio a seguir: conheci uma jovem que veio dar uma achega ao trabalho, e vinha preparada com a ideia de que fosse eu a fazer todo o heavy leafting. Quando chegou junto de mim apresentou-se:

- Boa tarde, sou a Dr.ª Joana.

E eu pensei: «pior do que ouvir alguém dar-nos um título, é darmos o mesmo a nós próprios». Eu estava ali, sozinha com ela, sem ninguém para verificar o meu momento de brilhante humildade, pensei «para idiota, idiota e meio», e retorqui de imediato:

- R., Dr.ª R.

Alguns anos se passaram, e… estou eu a relembrar este triste episódio no blog, enquanto ela mostra todo o seu talento e protuberância nos melhores museus nacionais e internacionais.


I didn’t translate this post because it has to do with a portuguese grimace, which would have to be first explained culturally. Please come back here tomorrow. Thank you. .¸¸.*

9 de maio de 2013

Vamos lá despachar isto, que eu quero ir ser feliz | Let's get this over with, because I want to go be happy


Tenho algumas ideias pré-concebidas acerca do mundo de trabalho em Portugal, e particularmente não me identifico com algumas das suas características (podia falar-vos sobre a chefia ditatorial, mas não é essa a protagonista deste post). Há mais de uma década, a expressão “ter uma reunião” soava-me bem ao ouvido: transpirava profissionalismo, era sinal de carreira, de certo modo fazia-me sentir parte integrante de um grupo decisor, e isso confere poder e segurança a qualquer profissional. Com o passar dos anos, “ter uma reunião ganhou outros significados, como aborrecimento, ganhar uma dor de cabeça, questionar o porquê das minhas escolhas laborais e combater os meus demónios mentais que, à medida que os outros falam, me fazem atentar a tudo, excepto ao seu conteúdo verbal.

Infelizmente não tenho como lhes fugir, e esta semana presentearam-me com uma reunião de 3h½ na Segunda-feira, outra de 2h½ na Terça-Feira, e uma de 3h ontem. O drama, o horror, o pavor!!! Alguém me deixa trabalhar, por favor? Senhores chefes, nunca ninguém vos disse que ao fim de 1h o vosso interlocutor perde o foco? São assim tão infelizes em casa, que necessitam de partilhar da minha nossa companhia, só para se sentirem válidos?

Não é à toa que nos países mais desenvolvidos e industrializados as reuniões sejam em pé: são directas, pautadas, com objectivos mensuráveis, evitam grandes apresentações e começam sempre a horas. Posso mudar-me?



I have some pre-conceived ideas about the work world in Portugal, and particularly I don’t identify myself with some of its features (I could tell you about the dictatorial leadership, but this is not the protagonist of this post). Over a decade ago, the expression "having a meeting" sounded good to me: it exuded professionalism, it was a sign of a career, in a certain extent it made me feel part of a decider group, and those give any professional the loan of power and safety. Over the years, "having a meeting" gained other meanings, such as annoyance, earning a headache, questioning my labor choices and fighting my mental demons who, as others speak, make me pay attention to everything, except to their verbal content.

Unfortunately I have no way to escape them, and this week I was given the pleasure of having a 3 hours and a half meeting on Monday, another 2 hours and a half meeting on Tuesday, and another one of 3 hours yesterday. The drama, the horror, the consternation!!! Would someone please let me work? Dear leaders, did no one ever told you that after 1h your partner loses focus? Are you so unhappy at home, that you need to have me us as a company, only to validate yourselves?

No wonder that in the more developed and industrialized countries, meetings are standing: they are direct, well planned, with measurable targets, they avoid large presentations and always start on time. Can I move there?

19 de abril de 2013

Danos colaterais | Collateral damage


Ao longo da minha vida escolar cruzei-me com um sem número de professoras que teriam, indubitavelmente, uma insatisfatória vida sexual. Os sinais estavam todos lá: a pele baça, o cabelo sem brilho, o aborrecimento constante, o ar de mágoa a enrugar o rosto, a tentativa de se sobrevalorizar a qualquer preço, a arrogância, o sorriso inexistente, a necessidade de transferir para os outros a frustração em que se encontravam submersas… Na altura, se tinha de lhes dizer na cara o que sabia ser o seu real problema, não me coibia. Não temia um eventual risco, que no máximo seria uma nota enviada ao meu Encarregado de Educação dando conta da minha desobediência e insubordinação.

Os anos passaram, e eu já nada sei das minhas professoras. Mas ao longo da minha profissionalidade tenho vindo a lidar com muita gente, às quais reconheço os ditos sinais. Acontece que, a todo o custo, tento calar a rebelde em mim. Por vezes funciona; outras vezes nem tanto. E enquanto ninguém escreve no temido livro amarelo a meu respeito, só me apraz perguntar: porque será que quando alguém não f&%$, anda por aí a tentar f$%&# o juízo de quem está a trabalhar?

[Desculpem a brejeirice.]



During my school life I came across a great number of teachers, who certainly had an unsatisfactory sex life. The signs were all there: dull skin, dull hair, constant annoyance sadness look wrinkling the face, trying to overvalue them at any price, arrogance, nonexistent smile, the need to transfer to the others the frustration in which they were submerged... By that time, if I had to tell to their face what their real problem was, I wouldn’t prevent myself from doing it. I didn’t fear the possible risk, which would be at most a note sent to my father informing about my disobedience and insubordination.

Years passed, and I know nothing about my teachers. But throughout my professional life I have been dealing with a lot of people, to whom I recognize the signs I said. It turns out that, at all costs, I try to silence the rebel in me. Sometimes it works, sometimes it doesn’t. And while no one writes on the dreaded complaints book about me, I can’t help but wonder: why on Earth, when people don’t f&%$, they go on trying to f$%&# the nerves to people who’s working?

[Sorry about the vulgarity.]

17 de abril de 2013

«Estamos tramados.» | «We’re doomed.»

Começar a ouvir falar de catástrofes profissionais eminentes logo às 8h15 da manhã é exercício não aconselhável a corações fracos, não vá sofrermos com alguma arritmia.

Start listening to eminent professional catastrophes at 8:15 in the morning is not an advisable exercise to weak hearts, or one might suffer an arrhythmia.

12 de abril de 2013

R. del Piño vs. R. del Pumba

Baptizada de Maria das Lamentações, a Vivi eternizou-se no seu Esqueci-me de Viver, e em menos de 2 meses de blogosfera, conseguiu um número impressionante de leitores, seguidores e comentadores. Tal proeza deve-se em parte à sua simpatia, mas sobretudo à interactividade que ela própria gera na sua página. Fui incitada por ela a participar num desafio que consistia em contar algum episódio engraçado, aproveitando o anonimato de que normalmente fazemos uso por aqui. Eis a minha participação hoje publicada por lá:

21 anos. Primeiro dia de trabalho na administração de uma grande superfície comercial. Roupa nova. Casaco de cabedal vermelho, top lindo de seda (sem costas, mas não era suposto ninguém ver), calcinha preta, vincada, com dobra no fundo da perna (na altura usava-se), e umas botas vermelhas, com um salto de 12cm. A apresentação correu bem, o início do trabalho também, e teria sido o perfeito primeiro dia de trabalho, não fosse o… incidente. A hora de almoço estava apertada. Como estava em início de funções, tinha trabalho atrasado. Decidi descer ao shopping para comer uma sopa rápida, ou outra coisa qualquer. Acontece que o que separava o espaço da administração com a o primeiro piso do centro eram três lanços de escadas, íngremes e cansativas. Correr nelas já era suicídio. Correr de saltos altos, era para kamikazes. Correr de saltos e com calças compridas com dobra no fundo foi combinação catastrófica: o salto prendeu-se na dobra, a bainha das calças descoseu, o salto partiu, para me tentar equilibrar lancei-me com os braços na frente, fiz demasiada força, as mangas do casaco descoseram, e eu estatelei-me por 7 ou 8 degraus abaixo. De repente estava ali, toda rota, descosida, descabelada e sem um salto de uma bota. Estava a tentar cair em mim de novo, quando ouvi a porta de cima. Tentei levantar-me a tempo, para que ninguém me visse naquele estado, mas já não fui a tempo. A secretária da administração viu-me, tentou dar-me cobertura, e querida, disse que me ia buscar uma sopa, para eu não ir “passear” assim para o shopping. Voltei ao escritório, e como estava com o casaco descosido, decidi tirá-lo. A ausência do salto da bota foi disfarçada em bicos de pés. A bainha das calças disfarçada com fita-cola. E eu fiquei o resto da tarde a trabalhar assim, de costas desnudadas, com o meu director a insinuar que não estava assim tanto calor. A secretária não contou a ninguém, e só meses mais tarde decidimos abrir o jogo de como eu tinha assentado logo no meu primeiro dia. A partir daí ninguém me tratou mais por R. del Piño, mas por R. del Pumba.

20 de março de 2013

O meu ódio de estimação: correcção da concepção | My pet hate: correcting the conception

[O post que se segue pode conter linguagem ofensiva ou susceptível de ferir a sensibilidade do leitor. Por favor, se padece de algum conservadorismo ou amor para com todas as espécies humanas, aconselhamos que não prossiga com a sua leitura. Obrigada.]

Depois deste post ficou instalada a ideia generalizada de que não suporto o meu chefe. Queria corrigir essa concepção errada com que vos deixei.

Ora, se realmente não o suportasse, crêem que era altruísta ao ponto de querer que o senhor estivesse em passeio a toda a hora? Senão, vejamos:

Quando ele me vem chatear com objectivos comerciais ainda por cumprir, penso logo:
«E se fosses dar uma volta ao bilhar grande?»

Quando ele grita comigo de manhã, por chegar a-p-e-n-a-s 5min antes do meu horário de entrada (sim, leram bem, eu disse “antes”!), fico com vontade de indagar:
«Porque é que não vais ver se eu estou na esquina?»

Quando expressa indeléveis mentiras, coisa que acontece com cadência quase diária, apetece-me convidá-lo:
«Vai à fava!»

Quando me proíbe de acender a luz em determinados compartimentos, porque temos de poupar na factura ao final do mês, e eu fico a trabalhar às escuras, vem-me à cabeça:
«E se fosses com o Carvalho?»
(Esta é mais do que reveladora de que tenho em mente apenas o bem: é que para além de querer que o senhor vá dar um passeio, ainda desejo que ele leve companhia; isto de ele andar sozinho é chato.)

Quando manda boquinhas por eu só (leram bem, eu disse “só”!) fazer duas horas extra por dia (coisa para não me ser nunca paga), cogito imediatamente:
«E se fosses abaixo de Braga?»

Quando não autoriza o pagamento de ajudas de custo e me obriga a fazer deslocações de trabalho no meu carro e à borla, só me apraz verbalizar:
«Vais às urtigas!!!»

Quando faz ouvidos moucos aos meus constantes pedidos de transferência de unidade, quase discorro:
«Vai dar uma curva…»

Quando não me permite qualquer livre-arbítrio sobre a decisão do meu calendário de férias, apetece-me logo desejar que se divirta numa festa com inúmeros focos luminosos:
«Vai para o raio que te parta.»

Quando insinua que me há-de proibir de almoçar na cave do edifício, onde não estorvo, nem incomodo ninguém, ganho logo um instinto ternurento e quero muito que ele seja abraçado pela sua mamã:
«Vai para a grandessíssima p%&# que te pariu.»
(Com todo o respeito para a mãe do senhor, claro.)


Ficaram a ler? Por favor não digam que não vos avisei!

I'm sorry, but this post has no translation, once it has to do with portuguese idiomatic expressions. Please come back here later. Thank you .¸¸.*

11 de março de 2013

O meu ódio de estimação | My pet hate


O meu chefe não é só idiota; é um perfeito imbecil.
O meu chefe não é só parvalhão; é um absoluto obtuso.
O meu chefe não é só ignorante; é um total néscio.
O meu chefe não é só pateta; é um completo mentecapto.
O meu chefe não é só tolo; é um totalitário psicótico.
O meu chefe não é só palerma; é um exemplar bipolar.
O meu chefe não é só absurdo; é um digno inepto.
O meu chefe não é só inábil; é um rigoroso incapaz.
O meu chefe não é só contraditório; é um duro ilógico.
O meu chefe não é só bobo; é um cru simplório.
O meu chefe não é só mentiroso; é um severo farsante.
O meu chefe não é só totó; é um sério palhaço.

Dizem que a natureza é perfeita; o meu chefe é a prova viva de que isso não é verdade.


O meu chefe às 8h00 da manhã.
My boss at 8:00 am.

My boss is not only stupid; he is a perfect imbecile.
My boss is not only asshole; he is an absolute obtuse.
My boss is not only ignorant; he is a total fool.
My boss is not only goofy; he is a complete moron.
My boss is not only foolish; he is a totalitarian psycho.
My boss is not only bamboozled; he is a copy bipolar.
My boss is not only absurd; he is a worthy inept.
My boss is not only awkward; he is a rigorous incapable.
My boss is not only contradictory; he is a hard illogical.
My boss is not only silly; is a crude simpleton.
My boss is not only liar; he is a strict fraud.
My boss is not only geek; he is a serious clown.

They say that nature is perfect; my boss is the living proof that this is not true.

23 de fevereiro de 2013

O fim de uma era | The end of an era

 
Hoje acordei assustada. Talvez seja o fim de um ciclo, mas eu não estou preparada. É certo que me saberá bem não ter que acordar cedo ao Sábado, não ter que planear aulas durante a semana, mas mais do que um outro meio de sustento orçamental, este era um escape ao emprego sério e aborrecido que tenho de Segunda a Sexta-feira. Durante 5 dias por semana trabalho l-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e para ganhar dinheiro. Faço-o sem prazer, apesar de investir todo o brio profissional (porque se é para fazer, faço-o bem). Mas é chato… Este sexto dia quase não soava a trabalho. Eu divertia-me com os miúdos, fazia aquilo que realmente gosto e para o qual estudei toda a vida, que é ensinar. Agora sinto-me meia perdida. Talvez seja a tão falada crise a bater também à minha porta. O que me preocupa não é perder este rendimento extra. É perder o prazer que ainda tenho o prazer de associar à palavra trabalho.
 
 
I woke up frightened today. Maybe this is the end of a cycle, but I'm not prepared to it. It’s true that it will be good not having to wake up early on a Saturday, not having to plan lessons during the week, but above being another means of budgetary support, this was an escape from my serious and dull job that I have between Monday and Friday. During 5 days a week I work l-i-t-e-r-a-l-l-y to earn money. I do it without pleasure, even if I invest all my professional pride (because if I have to do it, I do it well). But it’s boring… This sixth day didn’t sound like work. I enjoyed myself with the kids, I did what I really like to do and to what I’ve studied a life time, and that’s teaching. Now I feel kind of lost. Maybe this is the so called crisis knocking on my door. But what worries me the most is not loosing this extra income; it is loosing the pleasure I still have the pleasure to associate with the word “work”.