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18 de maio de 2013

Estatísticas | Statistics


Ontem foi publicada a 100ª mensagem. Dois dias antes o «Umbilicalidades da R.» tinha comemorado o seu terceiro mesiversário. Gostava por isso de aproveitar as efemérides para fazer um ponto de situação.

Às 00h00 de hoje contava 11.432 visitas, 2.586 comentários publicados e 49 seguidores.

Nas mensagens mais visitadas puderam dar-me os parabéns pelos (idos) dois meses de vida do blog, ficaram a conhecer o meu maior pesadelo, construíram uma imagem mais definida de mim, ganharam curiosidade por coincidências engraçadas e foram desafiados literariamente. Na página mais visitada tiveram visita guiada ao personagem antes de o ler.

129 visitantes chegaram aqui através do Now I have a Mustache (heya, Mustache, és um must, obrigada), 89 através do meu blog de inspiração (Lu, luv u) e 68 via os prados verdejantes da Pastora (sou ovelha do teu rebanho).

Os sites que mais referenciaram este blog até à data foram o Filmhill (alguém me explica?) e o Segredo de Blogger (preciso de elucidações… again).

79% do público do «Umbilicalidades da R.» está em Portugal, 7% na Alemanha, 5% na Rússia, 3% nos Estados Unidos da América, e os restantes 6% dividem-se em partes iguais entre a Suíça, o Brasil, França, Reino Unido, Roménia e Espanha.

As visitas aleatórias que fizeram ao blog, “caíram” aqui quando pesquisaram por “desilusão fernando pessoa” [não, aqui não há desiludidos(as) pelo grande mestre das palavras, mas pela sua casa-museu], “músicas da pastilha” (talvez por isto) e “bolinha no canto superior direito” [devem ter ficado desiludidos(as) quando perceberam que isto tinha pouco de hardcore].

No meio de tudo isto, houve algo que não se traduz em números (e nem sequer em palavras): as pessoas que encontrei, que fui conhecendo, e por quem ddesenvolvi uma empatia difícil de explicar. Nem sequer vale a pena tentar! Obrigada, pah.





Yesterday the 100th post was published. Two days before, «Umbilicalidades da R.» had celebrated its third monthiversary. I’d like to seize the ephemeris to make some statistics.

At midnight the blog counted 11,432 visits, 2,586 comments and 49 followers.

On the most visited messages you were able to congratulate me about the second monthiversary of the blog, you’ve found out my worst nightmare, you’ve built a most definite image about myself, you’ve gained some curiosity about funny coincidences and you were literately challenged. On the most visited page you were guided by the character before reading her.

129 visitors got here through Now I have a Mustache, 89 through my inspirational blog and 68 through Pastora.

The sites that most referred to this blog were Filmhill (would someone please explain it to me?) and Segredo de Blogger (need some elucidations... again).

79% of the public of «Umbilicalidades da R.» is in Portugal, 7% in Germany, 5% in Russia, 3% in United States of America, and the remaining 6% are divided equally by Switzerland, Brazil, France, United Kingdom, Romania and Spain.

Among all this, there was something that can’t be put into numbers (and not even into words): the people I met, who I came to know, and by whom I ddeveloped empathy that’s hard to explain. It doesn’t even worth a try! Thank you, guys.

16 de maio de 2013

Honorificamente intitulada vs. Honrosamente determinada.

Sou parte integrante dos 2% de portugueses que, não só dispensam títulos honoríficos, como também os abjuram. Quando me tratam por Dr.ª R. digo imediatamente que a minha mãe não me chamou assim. Mas atentem que detesto títulos para mim, mas também os abomino quando aplicados a terceiros: desenganem-se os que esperam que os trate dessa maneira, porque não o faço. P-O-N-T-O-F-I-N-A-L. Aliás, penso que é isso que faz com que o nosso país seja sui generis no nível profissional (ou justifique a ausência dele), mas isso agora não interessa nada.

Mas houve um episódio, um só, em que puxei dos galardões e me auto-intitulei “Dr.ª R.” em cumprimento formal a uma certa e determinada pessoa.

Contexto: há cerca de 10 anos trabalhava em Marketing e desenvolvi um projecto que envolvia um determinado Museu Nacional. Fiquei a perceber que os directores e as directoras dos nossos museus são todos “doutores”, “engenheiros”, “afins”, ou “todos ao mesmo tempo”, mas isso não me atrapalhava nada. Para mim eram “senhores” e “senhoras”. E nunca ninguém se importou. Certo dia, aquando da execução do projecto, tive que me enturmar com pessoas que lá trabalhavam, e desesperei com uma dondoca nos seus mais vaidosos 60 anos. Apesar de tudo, ela não foi a pior parte. O pior veio a seguir: conheci uma jovem que veio dar uma achega ao trabalho, e vinha preparada com a ideia de que fosse eu a fazer todo o heavy leafting. Quando chegou junto de mim apresentou-se:

- Boa tarde, sou a Dr.ª Joana.

E eu pensei: «pior do que ouvir alguém dar-nos um título, é darmos o mesmo a nós próprios». Eu estava ali, sozinha com ela, sem ninguém para verificar o meu momento de brilhante humildade, pensei «para idiota, idiota e meio», e retorqui de imediato:

- R., Dr.ª R.

Alguns anos se passaram, e… estou eu a relembrar este triste episódio no blog, enquanto ela mostra todo o seu talento e protuberância nos melhores museus nacionais e internacionais.


I didn’t translate this post because it has to do with a portuguese grimace, which would have to be first explained culturally. Please come back here tomorrow. Thank you. .¸¸.*

8 de maio de 2013

Ontem cheguei a casa e encontrei... | I got home yesterday and found...

...uma sequência fotográfica comigo e com a cadela mais louca do mundo.
Com direito ao efeito de estendal e velas.
...found a photographic sequence with me and the craziest dog in the world.
I've had also the right to the clothes line effect and candles.

3 de maio de 2013

A tua mão na minha | Your hand in mine

Meu caro(a) amigo(a),

Quando passar por mim na rua, se estiver saudoso(a) de me ver, cumprimente-me com um sorriso e escuse estender-me a mão em jeito de «passou bem». Se se sentir impelido(a) a tal, por favor evite-o. Provavelmente, em jeito de cortesia, eu vou estender-lhe a minha mão de volta, mas vou fazê-lo contrariada. E de nada vale tentar conversar comigo, pois eu já não vou ouvir uma palavra; enquanto me detiver, creia que estou a desesperar por encontrar rapidamente uns lavabos onde possa higienizar a minha mão até ao cotovelo. Vou imaginar que a sua andou a tocar em partes recônditas do seu corpo, das quais não tiro qualquer prazer de partilha. Vou cogitar que muito provavelmente se terá detido no trânsito a libertar o seu nariz de mucosidades, e que o fez com o indicador direito, que é sempre o mais utilizado nessa tarefa quotidiana. Vou considerar que poderá ter-se entretido com o(a) seu(sua) parceiro(a) em actividades inusitadas ainda esta manhã, e que não teve sequer tempo para um bom banho. Vou lembrar-me daquele relatório de auditoria ambiental efectuada ao plástico de revestimento do corrimão das escadas rolantes daquele centro comercial, e recordar-me que no mesmo foram identificadas sete qualidades distintas de sémen (e o corrimão tinha sido desinfectado na limpeza das 06h30). Vou matutar na possibilidade de ter transaccionado dinheiro, e cismar que até pode ter cuspido nos dedos para o(a) ajudar a separar as notas. Vou congeminar que provavelmente utilizou aquela esferográfica que aquela repartição pública disponibiliza a todos os contribuintes que lá se dirigem.

Tenho uma imaginação demasiado fértil; e quando o assunto toca as bactérias alheias, a minha capacidade inventiva propaga-se mais do que os microorganismos.

O(a) meu(minha) amigo(a) é quem escolhe onde põe as suas mãos. Por favor permita-me esse livre arbítrio também.

Sem mais de momento, despeço-me com cordiais cumprimentos.
R. del Piño
My dearest friend,

Whenever we meet on the street, even if you’re very pleased to find me, greet me with a smile and excuse yourself from shaking my hand. If you feel compelled to do so, please avoid it. Maybe, in a courtesy gesture, I’ll shake your hand back, but I'll do it unwilling. And it’s not worth to try talking to me, once I’ll not hear a word; while you’re holding me back, please believe I’ll be desperate to find a toilet, in which I can quickly sanitize my hand up to the elbow. I will be imagining that your hand was touching some secluded parts of your body, and I don’t take any pleasure sharing it. I'll think that you may have stopped in traffic to free your nose from mucus, probably with your right index finger, which is always the most used in this everyday task. I will consider that you have been entertained with your partner in unusual activities this morning, and that you probably haven’t washed your hands since. I'll remember that environmental audit report made to the plastic coating of the railing of escalators in that shopping center, and remind that there were identified seven distinct qualities of semen (and the railing had been disinfected in the cleaning at 06.30a.m.). I'll chew over the possibility of you trading money, and think that you could have even spit on your fingers to help separating the bills. I’ll picture you using that pen that that government agency provides to all taxpayers who go there.

I have a fertile imagination, and when it comes to other people’s bacteria, my ingenuity spreads more than microorganisms.

You, my friend, chose where you put your hands. Please also give me the leeway of choosing it.

Yours truly,
R. del Piño

30 de abril de 2013

Questões e indagações | Questions and issues



(1) Porque é que o teu blog tem esse nome?
Quando publicava crónicas, dava sempre um cunho muito vincado às mesmas, e houve alguém que um dia disse que era fácil identificá-las, sem que fosse sequer necessário eu apor a minha assinatura. Essa pessoa é que me deu o nome para o blog que só vim a criar anos mais tarde: disse que as crónicas eram as minhas umbilicalidades. Ficou!

(2) Já alguma vez pensaste em desistir do teu blog? Se sim, porquê?
Não, deste não pensei, até porque ele tem muito pouco tempo, e tem-me gerado interesse. Mas já desisti dos blogs que tinha em 2007: acima de tudo porque já estava “presa” há cerca de 4 anos, por vezes escasseavam as coisas para ser ditas, e porque iniciei as funções laborais que tenho hoje e que me roubam muita massa cinzenta. É fácil executar um trabalho esgotante 12h seguidas, e chegar a casa desprovida de algo interessante e inteligente para dizer.


(3) Se pudesses conhecer uma personagem de ficção (filmes, séries, livros) quem gostarias de conhecer e porquê?
Essa é fácil: Homer Simpson. Em primeiro lugar, porque tenho o sonho estúpido de emprestar a voz a um dos episódios da minha série favorita. Em segundo lugar, porque nunca nenhum homem me fez rir tantos anos a fio.

(4) Como te imaginas daqui a 10 anos?
Não costumo pensar muito nisso, confesso. Vivo muito centrada no presente e no futuro de curto prazo (no máximo avisto as coisas com 2 meses de antecedência). Mas, assim de repente, diria que gostava de estar exactamente onde estou, mesmo que com mais 3.650 dias em cima. Se puder adicionar isto à vontade de ser chamada de «mamã», que seja.

(5) Comer ou cozinhar, qual preferes? E o que é que preferes comer, e preferes cozinhar?
Gosto de fazer as duas coisas, mas como sempre com prazer, e por vezes não empresto esse sentimento ao acto de cozinhar. Se não for pressionada, gosto de estar na cozinha. Sobretudo a preparar doces, pois gosto de coisas difíceis de encontrar, e aprendi a fazê-las para não ter que procurar muito.

(6) Qual é a música que te descreve?
Diria «She», do Costello, para parecer bem e bonita, mas a verdade é que não me ocorre nenhuma música que o faça. E se houvesse, penso que soaria demasiado a ostentação, pelo que aproveito para lançar o repto aos que estão a ler: que música me descreve?

(7) Se pudesses conhecer alguém da blogosfera, quem gostarias de conhecer?
Todas as pessoas que me comentam e que eu comento. Não consigo escolher uma só, mesmo que sinta, obviamente, mais empatia por algumas, do que por outras.

(8) Qual é o teu maior sonho?
Conhecer os quatro cantos ao mundo. E viajar num balão de ar quente. Nota: são dois sonhos distintos.

(9) Qual é o teu maior vício?
Essa é fácil: comunicar. Quando encontro alguém que o faça valer a pena, não conto horas.

(10) Se tivesse que ir a um karaoke, que música cantarias?
Essa também é fácil: «Uninvited» de Alanis Morissette, pois já cantei inúmeras vezes em karaokes, e houve quem me aplaudisse de pé. Infelizmente o talento não se estende para lá desta música, note-se.

(11) Tens no teu computador aquela típica pasta "para arrumar depois"? Se sim, que tralhas é que tens por lá?
No computador não tenho. Mas a minha caixa de email está cheia de “tralha para ler e organizar um dia destes”. Pelo meio estão emails que me envio com anexos para guardar (recibos de contas pagas) e algumas mensagens de algumas pessoas que o tempo afastou, e às quais não me sinto impelida a responder naquela hora.

E se ficaram a ler até ao fim, apraz-vos questionar mais alguma coisa a esta V/ humilde serva?


By J.

(1) Why does your blog have its name?
When I was publishing my chronicles, I always gave them lots of myself, and there was someone that once said they were easy to spot, even without being necessary for me to affix my signature. This person gave me the name for the blog that was created years later: that person told that the chronicles were my umbilicalidades. It stuck!

(2) Did you ever think about quitting your blog? If so, why?
No, this time I didn’t, because it has very little time, and it keeps me interested. But in 2007 I gave up of the blogs I used to have: most of all because I was stuck for about 4 years, sometimes the themes scarced, and because I started the job I have nowadays, which steal a lot of my brain. It’s easy to run a grueling work for 12 hours straight, and get home without anything interesting and intelligent to say.

(3) If you had the chance to meet a fiction character (from a movie, a series or a book), who would you like to meet and why?
That’s easy: Homer Simpson. First of all, because I have the stupid dream of lending my voice to an episode of my favourite series; secondly, because no man has ever made ​​me laugh for so many years.

(4) How do you picture yourself in 10 years?
I have to say I usually don’t think much about it. I live very focused on the present and on the short-term future (I spot things with 2 months in advance, tops). But right now I'd say I wouldn’t mind of being exactly where I am nowadays, even if with more 3.650 days over me. If I could add this to the desire of being called "Mom", I’d love it.

(5) To eat or to cook: which one do you prefer? And what do you prefer eating and cooking?
I like to do both, but I always eat with pleasure, and sometimes I can’t lend this feeling to the act of cooking. When I’m not pressured, I like being in the kitchen. Above all, preparing cakes or cookies, because I like things that aren’t easy to find, and I learned how to do it, not to keep searching for them.

(6) What song describes you?
I could answer «She», of Costello, just to keep it interesting; but the truth is I don’t remember of any song able to do it. And if there was one, I think it would sound like ostentation, so I take the opportunity to throw the challenge to those who are reading this: what song describes me?

(7) If you could meet anyone in the blogosphere, who would you wish to meet?
All the people that come here, and the ones behind the blogs I visit. I cannot choose just one, even if I obviously feel more empathy for some, than for others.

(8) What is your biggest dream?
To travel to the 4 corners of the world. And traveling in a hot air balloon. Note: these are two distinct dreams.

(9) What is your biggest vice?
That's easy: to communicate. When I meet someone who makes it worth, I lose the track of time.

(10) If you had to go to a karaoke, what song would you sing?
That’s also easy: «Uninvited» by Alanis Morissette, because I’ve sung it a thousand times, and there were even people offering me a standing ovation. Unfortunately, the talent does not extend beyond this song, I may say.

(11) Do you have in your computer the common archive «to organize later»? if so, what do you have in there?
I don’t have it in the computer. But my mail box is full of “stuff to read and to organize one of these days”. In the middle one can find mails with attachments I send to myself (paid bills) and some messages of people that were drifted by the time, to whom I don’t feel the guts of answering immediately.

And if you were reading this until the end, would you be pleased to ask something else to this humble servant of yours?

29 de abril de 2013

11 coisas perfeitamente aleatórias e inúteis sobre a minha pessoa | 11 things perfectly random and useless about myself

[A Teresa passou-me o Liebster Award, mas vou fazê-lo de modo diferente. Vou responder faseadamente (hoje publico os 11 factos sobre mim; amanhã posto a resposta às questões que ela deixou). Também não o vou passar a ninguém, pois quem quis, já fez; quem não quis, provavelmente continuará a não querer.]

(1) Não casei de branco, nem dentro de portas, e nem desci ao altar ao som da marcha nupcial. (Um dia contar-vos-ei sobre isto.)

(2) Quando era pequenina e passava férias no campo junto do meu padrinho e sua família, era habitual sairmos os dois sozinhos à noite à procura de cães abandonados para os resgatar. (Perdi a conta às vidas a quem oferecemos melhores condições.)

(3) Se a minha vida dependesse de limpar WCs ou lavar loiça… sobreviveria. (Tenho um inexplicável prazer em executar tarefas domésticas que envolvam água.)

(4) Tenho a pior uma das piores memórias do mundo, e todos os anos compro uma agenda para anotar os meus compromissos. (O único problema? É que me esqueço (!!!) de apontar os ditos na agenda.)

(5) Quando trabalhei em Marketing, por inerência das minhas funções, mantinha uma vida social bastante activa. (Cheguei a ser remunerada só para aparecer em determinadas festas, e saí algumas vezes nas ditas revistas cor-de-rosa.)

(6) Quando tirei carta, o meu irmão ofereceu-me a sua 4L. Tinha vergonha de conduzir aquele carro, por isso vendi-o. (Hoje arrependo-me solenemente de o ter feito, porque o carro até era giro e tinha carisma.)

(7) O meu metabolismo é mais velho do que eu 12 anos. (Eu estou nos “intas”; ele já nos “entas”. Aparentemente o rejuvenescimento nesta área é possível, e eu estou já sobre o assunto.)

(8) Tive duas alcunhas nos meus primeiros anos no liceu: Mafaldinha e Imaculada. (A primeira todos conhecem da BD de Quino; a segunda era um personagem da telenovela Tieta. Porquê? Porque ambas as figuras tinham cabelo encrespado e pêlo-na-venta.)

(9) Toquei guitarra entre os 12 e os 20 anos, e o auge da minha carreira musical foi estar em palco com os GNR. (Fiz parte de uma banda de covers, e num festival da juventude, num concelho das imediações, tocámos “Dunas” com eles.)

(10) O cabelo encaracolado e o tom de pele -- que até à adolescência foi muito mais escuro do que actualmente -- levaram muita gente, ao longo da minha vida, a concluir que eu era aquilo a que chamam de cabrita. (Houve quem julgasse, até, que eu era adoptada; e cheguei a ser -- pelo menos duas vezes -- vítima de racismo descarado.)

(11) Sou vegetariana. (Há tanto tempo, que isto já deixou até de ser tema.)

Eu, debaixo da objectiva da Ana Luísa.
Me, under the lenses of Ana Luísa.

(1) I didn’t get married in white, or indoors, nor even went down the aisle by the sound of the Wedding March. (One day I’ll tell you about it.)

(2) When I was little and went on vacations to the countryside with my godfather and his family, it was usual for us two to go out alone at night looking for abandoned dogs to rescue them. (I don’t remember to how many lives we offered better conditions.)

(3) If my life depended on cleaning toilets or washing the dishes… I’d survive. (I have a baffling pleasure in performing household chores involving water.)

(4) I have the worse one of the worse memories in the world; therefore I buy an appointment book every year to write down my agenda. (The only problem is that I completely forget to annotate it.)

(5) When I worked in Marketing, by my duties virtue, I had a very active social life. (I was even paid to show up at certain parties, and my photograph was published on a few magazines.)

(6) When I took my driver’s license, my brother offered me his 4L. I was ashamed when driving the car, that’s why I sold it. (Today I regret to have done it, because the car was cute and had charisma.)

(7) My metabolism is 12 years older than me. (I’m in my thirties; it is already on the forties. Apparently the rejuvenation on this matter is possible, and I’m working on it.)

(8) I had two nicknames during my first years on high school. (Because of the hair and the character.)

(9) I played guitar between my 12 and my 20 years-old, and the pinnacle of my musical career was being on stage with GNR. (I was part of a covers band, and on a youth festival in the nearby, we played "Dunas" with them.)

(10) The curly hair and the skin tone -- which until youth was much darker than it is nowadays -- led many people, throughout my life, to conclude that I was what they call African mestizo. (Some people even judged I was adopted, and I was victim of blatant racism at least twice.)

(11) I'm a vegetarian. (For so long, that this is not a theme anymore.)

23 de abril de 2013

Carta aos meus 15 anos | Letter to my 15 years-old

Olá, R. de 15 anos.

Quis escrever-te, sobretudo por ter imensas saudades tuas. Tu não me conheces, e se te cruzasses comigo na rua, até nem te irias identificar. À parte dos caracóis e do mau feitio, guardo muito pouco de ti. Não porque não te respeite; mas porque já não sou feita da matéria dos sonhos que tão bem te constitui.

Mantém-te segura nesse liceu para onde acabaste de te transferir. Os outros alunos não vão ser imediatamente simpáticos contigo, pois vens de uma cidade sobre a qual eles não querem sequer falar. Não te preocupes se tiveres de passar os intervalos do primeiro período sempre sozinha. Os teus colegas vão estar de olho em ti, e um dia um vai convidar-te a juntares-te ao grupo dele. Dentro de pouco tempo farás amizade com montes de gente gira, e passarás a ser convidada para as suas festas. Dentro de dois anos serás vice-presidente da AE, e serás um peão importante na dinamização dos alunos no contexto escolar. Irás sempre orgulhar-te disso.

Vais começar a embeiçar-te por rapazes de estilo grunge e com o cabelo mais comprido e mais cuidado que o teu. Não tem mal nenhum. Nessa idade tudo é permitido, e algumas dessas pessoas não são realmente tão indolentes como parecem.

Sabes o P., aquele rapaz que tu conheceste há dias naquele bar onde gostas de ir à Sexta-feira à noite? Ele vai tornar-se o teu melhor amigo. Não agora, mas dentro de 5 anos não darás um passo na tua vida sem o consultar. Vais construir com ele uma cumplicidade de que poucas pessoas podem gabar-se de conhecer. Vais ter os momentos mais alucinantes e alucinados com ele. Vais ligar-lhe, ocasionalmente, de madrugada para ele te ir oferecer o ombro para chorar. Vais pedir-lhe conselhos de rapazes, e vais sempre discutir por ele não te oferecer as respostas que queres ouvir. O mesmo acontecerá ao contrário. Entre jogos de detectives e muitas conversas sobre assuntos sérios -- e outros que nem tanto -- serão felizes, e sem grandes exigências mútuas. Infelizmente isso não vai durar para sempre, e um aneurisma na melhor fase do P. levará a melhor sobre a sua vida e sobre a vossa amizade. Não saberás lidar com isso. Mas não te preocupes: o P. vai deixar-te alguém, e virás a acreditar que algures num local não-terreno, ele continuará a preservar a tua felicidade. De que é que estou a falar? De um rapaz de olhos verdes, giro, que ele te vai apresentar. Esse rapaz não te vai ligar nenhuma inicialmente, e não será senão 2 após a morte do P. que se vão reencontrar e apaixonar-se. Mais tarde ele pedir-te-á em casamento.

Não acreditas? Eu sei que não te imaginas obediente aos cânones sociais, mas tu vais casar. As pessoas não se vão acreditar quando lhes deres a boa nova, e algumas farão questão de estar no teu casamento só para ver com os seus próprios olhos algo em que ninguém acreditava ser possível. Mas calma: as coisas não são assim fáceis. Antes disto haverá uma altura em que vais estar de costas voltadas ao amor. Porém não te preocupes: como a tua mãe sempre diz, o que for para ti, a ti virá.

Vais entrar na faculdade e no curso que queres. Dois anos depois ver-te-ás forçada a transferir-te para outra universidade, numa cidade mais desenvolvida, só para que possas arranjar trabalho para continuares a pagar os estudos. Vais entusiasmar-te com o dinheiro no final do mês e vais relegar o curso para segundo plano. Durante uns tempos manter-te-ás confusa, questionarás todas as tuas decisões e aprenderás cedo demais que no mundo do trabalho só sobrevivem os mais fortes. Não sobreviverás na primeira vez, mas ganharás calo para enfrentares outros obstáculos. Mesmo que não o saibas imediatamente, todos os momentos menos bons farão parte das boas lições de vida. Goza-as.

Eu sei que hoje proclamas a toda a gente que nasceste para seres tia e que não te imaginas como mãe. A profecia vai cumprir-se: nascerá a tua sobrinha e amá-la-ás imenso. Mas um dia vais desejar que ela tivesse nascido das tuas vísceras. Decidirás que estás pronta, e que queres afinal ser mãe. As coisas não vão correr logo bem nesta matéria, e vais culpar-te. Tenta erguer-te do melhor modo possível. Espero que consigas fazer um melhor trabalho nesta área do que eu. Gostava de te poder dizer mais coisas, mas repara, apesar de mais velha, eu ainda não sei.

Não te detenhas nesses pequeninos “quês” que te roubam o sorriso. Não há nada melhor, do que tua adolescência. Usufrui-a.

* Da R. mais crescida.


Hi, 15 year-old R.

I wanted to write to you, above all because I miss you. You don’t know me, and if you’ve met me on the street, you wouldn’t even identify yourself. Besides the curly hair and the bad temper, I don’t keep much from you. Not because I don’t respect you; but because I’m not built of the substance of dreams that carries you on.

Stay safe in the school to where you’ve just transferred. The other students won’t immediately be nice to you, because you come from a city that they don’t even want to talk about. Don’t worry if you have to be alone during the breaks of the first term. Your colleagues will be watching you, and one day one of them will invite you to join his group. Within no time you’ll be friends with lots of beautiful people, and you’ll be invited to their parties. Within two years you will be vice president of the Students Association, and you’ll become an important pawn in boosting the students in the school context. You'll always be proud of that.

You'll start being interested in grunge guys, with longer and more careful hair than yours. There is no harm in that. At that age everything is permitted, and some of these people are not really as sluggish as they seem.

Are you familiar to P., that guy you met on that bar where you like to go on Friday nights? He’s going to become your best friend. Not now, but within 5 years you won’t give a step in your life without asking for his opinion. You'll build a complicity with him that only few people have the chance to know. You'll have the cooler and more hallucinatory moments with him. You'll call him occasionally at dawn for him to go offer his shoulder for you to cry. You’re gonna ask him for advice about guys, and you'll always discuss with him because he doesn’t give you the answers you really want to hear. The same will happen in reverse. Between detective games and lots of conversations about serious issues -- or others not so much -- you’ll be happy together, without major mutual demands.

Unfortunately this will not last forever and an aneurysm in the best chapter of P. will take the better over his life and your friendship. You won’t know how to deal with it. But do not worry: he’s going to leave you with someone, and you will start believing that somewhere he continues preserving your happiness. What am I talking about? About a cute green-eyed boy he’ll introduce you. This guy is not gonna show you much interest initially, and it won’t be before the second year after P.’s death that you two will meet and fall in love. Later he will ask you to marry him.

Don’t you believe it? I know that you don’t picture yourself as an obedient to social canons, but you’re going to get married. People won’t believe when you announce it to them, and some will want to be on your wedding just to check with their own eyes something in which none of them believed. But easy: things are not really that straightforward. Before that, there will be a time when you’re going to be back to back to love. But don’t worry: as your mother always said, what is to thee shall come to you naturally.

You'll go to the college you want. Two years later you’ll see yourself forced to change to another university in a more developed city, just so you can get a job to continue your studies. You'll thrill you with the money at the end of the month and the course will be relegated to the background. You’ll be confused for a while and you’ll question all your decisions. You’ll soon learn that only the fittest survive in the working world. You won’t survive the first time, but you’ll gain strength to face other obstacles. Even if you don’t understand it immediately, all the less good times will be part of good life lessons. Enjoy them.

I know that nowadays you proclaim to everyone that you were born to be an aunt and that you don’t see yourself as a mother. The prophecy will be fulfilled: your niece will be born and you will love her enormously. But someday you'll wish she had been born through your inward. You’ll decide you're ready, and you want to be a mother after all. Things won’t be very good on this matter and you’ll blame yourself. Try to raise yourself the best way possible. I hope you do a better job in this area than I did. I wish I could say more, but notice: even older, I still don’t know nothing about it.

Don’t hold on to the little problems that steal your smile. There is nothing better than your adolescence. Enjoy it.

* From the older R.