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12 de maio de 2013

«Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho»

O post de ontem trazia “água no bico”, e confesso que teria adorado ter os "meus" leitores masculinos -- não são muitos, vá, mas são de qualidade -- a pronunciarem-se efusivamente sobre o tema. Nunca lhes é concedido espaço para a opinião, e quando o permitimos, remetem-se ao silêncio. 。◕‿◕。

Todos sabemos que a eterna quezília entre Adão e Eva, entre o Sr. Xico e a D.ª Micas ou entre nós e os nossos respectivos, é tema para nos alargarmos em discussão. Boa ou má, mas sempre uma discussão com muito pano para mangas. Os genes M e F são diferentes, logo o entendimento nunca será pacífico. Há que convir que não, pronto. Assim as expectativas baixam-se e nunca saem defraudadas (not!).

E se todos nós temos sempre alguma coisa a acrescentar, se há sempre uma agulha para picar, quem melhor do que uma Psicóloga Clínica, habituada a sentar no sofá da sala este grande elefante, para dissecar a matéria, e nos levar às lágrimas com as suas excelsas conclusões?

Ela não é por isso actriz, e aquilo não é realmente uma peça de teatro. Mas é um excelente motivo para sair de casa, e rir até às lágrimas. E eu nunca choro de rir. Nunca. Marta Gautier coliga psicologia e humor, e sobe ao palco para falar abertamente sobre mulheres, dirigindo-se especialmente aos homens. Tudo com o intuito de os fazer entender-nos melhor… mas só um bocadinho. Durante mais de uma hora ela passeia-se desde a adolescência, até à maioridade. Fala das inseguranças e da necessidade de aceitação no liceu, até à vontade de pedir o divórcio só porque o marido tentou ser romântico e a coisa não resultou, já na idade adulta.

Fui ontem assistir à peça ao espectáculo, e enquanto mulher foi “assustador” perceber que afinal há tantos lugares-comum que nos assentam que nem uma luva. Se calhar não somos -- afinal! -- tão diferentes umas das outras. (Porém, a bem da verdade, numa ou noutra situação, não me revi como mulher, sendo total correligionária do extremo masculino.) No entanto confesso-vos: há muito não ria assim.

Os mais curiosos podem levantar o véu do que por lá se ouviu, assistindo ao vídeo de promoção ao espectáculo «Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho». Vejam, riam, no entanto creiam que ao vivo e na sua total extensão, a coisa tem muito mais graça. Tanta, que já anotei na agenda data para a rever aquando de uma nova visita ao norte. Para mulheres que não se coíbem de rir delas próprias, e para homens que sempre se perguntaram que raio é que nós queremos realmente.




I didn’t translate this post because it has to do with a cultural and entertainment programme in Portugal. Please come back here some other time. Thank you. .¸¸.*

9 de maio de 2013

Vamos lá despachar isto, que eu quero ir ser feliz | Let's get this over with, because I want to go be happy


Tenho algumas ideias pré-concebidas acerca do mundo de trabalho em Portugal, e particularmente não me identifico com algumas das suas características (podia falar-vos sobre a chefia ditatorial, mas não é essa a protagonista deste post). Há mais de uma década, a expressão “ter uma reunião” soava-me bem ao ouvido: transpirava profissionalismo, era sinal de carreira, de certo modo fazia-me sentir parte integrante de um grupo decisor, e isso confere poder e segurança a qualquer profissional. Com o passar dos anos, “ter uma reunião ganhou outros significados, como aborrecimento, ganhar uma dor de cabeça, questionar o porquê das minhas escolhas laborais e combater os meus demónios mentais que, à medida que os outros falam, me fazem atentar a tudo, excepto ao seu conteúdo verbal.

Infelizmente não tenho como lhes fugir, e esta semana presentearam-me com uma reunião de 3h½ na Segunda-feira, outra de 2h½ na Terça-Feira, e uma de 3h ontem. O drama, o horror, o pavor!!! Alguém me deixa trabalhar, por favor? Senhores chefes, nunca ninguém vos disse que ao fim de 1h o vosso interlocutor perde o foco? São assim tão infelizes em casa, que necessitam de partilhar da minha nossa companhia, só para se sentirem válidos?

Não é à toa que nos países mais desenvolvidos e industrializados as reuniões sejam em pé: são directas, pautadas, com objectivos mensuráveis, evitam grandes apresentações e começam sempre a horas. Posso mudar-me?



I have some pre-conceived ideas about the work world in Portugal, and particularly I don’t identify myself with some of its features (I could tell you about the dictatorial leadership, but this is not the protagonist of this post). Over a decade ago, the expression "having a meeting" sounded good to me: it exuded professionalism, it was a sign of a career, in a certain extent it made me feel part of a decider group, and those give any professional the loan of power and safety. Over the years, "having a meeting" gained other meanings, such as annoyance, earning a headache, questioning my labor choices and fighting my mental demons who, as others speak, make me pay attention to everything, except to their verbal content.

Unfortunately I have no way to escape them, and this week I was given the pleasure of having a 3 hours and a half meeting on Monday, another 2 hours and a half meeting on Tuesday, and another one of 3 hours yesterday. The drama, the horror, the consternation!!! Would someone please let me work? Dear leaders, did no one ever told you that after 1h your partner loses focus? Are you so unhappy at home, that you need to have me us as a company, only to validate yourselves?

No wonder that in the more developed and industrialized countries, meetings are standing: they are direct, well planned, with measurable targets, they avoid large presentations and always start on time. Can I move there?

6 de maio de 2013

“Quando fiz onze anos parti o mealheiro e fui ver as putas.”


A fenda do mealheiro, um porquinho em porcelana envernizada, cor de vomitado, permitia introduzir moedas mas não as deixava sair. O meu pai escolhera esse mealheiro de sentido único por ele corresponder à sua concepção da vida: o dinheiro foi feito para ser guardado e não para ser gasto.
(De “O Sr. Ibrahim e as Flores do Corão” | Texto francês | Em cena pelo Teatro Meridional)

Foi com este parágrafo que começou. Pela voz e interpretação de Miguel Seabra, e ao som da música de Rui Rebelo, o texto de Eric-Emmanuel Schmitt leva-nos reflectir sobre a importância dos valores e a relativização da nossa vida. Um miúdo foi abandonado pela mãe quando nasceu. O pai deixou-o anos mais tarde, e suicidou-se. O miúdo sentia-se culpado e não conseguia entender porque não era constituído de matéria passível de ser amada. Faz uma viagem pela pré-adolescência, pede para ser adoptado pelo Sr. Ibrahim da mercearia -- que não era, afinal, Árabe, mas Muçulmano -- e parte em descoberta da tolerância e da amizade, numa viagem entre a Europa do sul e o médio oriente. Moma, nome menos despretensioso que Moisés, o de baptismo, termina autodenominando-se Mohamed, dono de um espaço comercial contíguo na Rua Bleu, que afinal não é realmente azul. Porque nem sempre as coisas são o que parecem.

Pessoalmente gostei muito desta peça, à qual fui assistir ontem. Podia ter sido perfeita, se tivessem roubado 20min ao texto, pois é difícil ouvir uma narrativa de quase 2h. À parte disso, a história é densa, é sincera, é simples, é bonita, e a interpretação convincente. À medida que Miguel Seabra vai debitando o texto, Rui Rebelo vai acompanhando o ritmo com a sua guitarra, depois o piano, e por fim a flauta. O compasso musical ajuda à emotividade.

E porque aqui não se evitam temas, queria dar uma nota: inicialmente não compreendemos quaisquer limitações ao actor, mas a determinada altura é perceptível a paralisia do braço direito, o coxear da perna direita, e uma gaguez ténue, quase subtil. Vim a saber que ele foi surpreendido por um AVC há mais de 10 anos, mas que nunca se deixou vencer pelo incidente, levando a paixão do teatro em frente. Merecedor de ovação em pé, de facto.



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1 de maio de 2013

Agenda para o dia | Agenda for the day

08h00: Tentar não ceder ao comportamento cíclico da cronobiologia, e continuar na cama só mais um pouquinho.

08h15: Pedir complacência ao Sebastião e à Rafa -- que já perceberam que estou acordada -- de modo a evitar que venham deitar aqueles maravilhosos e fofos os focinhos ao meu lado, convencendo-me a levantar.

08h23: Ceder ao capricho dos canitos, e pôr os pés imediatamente fora da cama.

08h37: Depois da cara lavada, ir à cozinha preparar um bom pequeno-almoço e usufruí-lo debaixo do sol. São Pedro, sê amiguinho, sim?

09h19: Ligar o computador e passear um bocadinho pela blogosfera.

10h03: Tomar banho, hidratar a pele, desembaraçar o cabelo, hidratar o cabelo, secar o cabelo, hidratar o rosto, espalhar bem o primer, camuflar as olheiras, cobrir com o BB Cream e o pó compacto, tentar fazer o risco de eyeliner perfeitinho, pentear as sobrancelhas, e colocar máscara preto intenso nas pestanas.

10h59: Escolher a roupagem para o dia. Note to self: usar calçado confortável.

11h14: Começar a descascar as batatas, e parti-las em palitos. Quantas serão necessárias para 7 adultos e 1 criança?

11h30: Colocar as batatas em palito na fritadeira eléctrica, e começar a fazer o arroz.

11h47: Gritar Chamar pelo J., dizer-lhe que já me devia ter ajudado a pôr a mesa, tentar não ficar irritada quando ele apelar à minha calma, e pedir-lhe que vá buscar frango do churrasco para os convidados.

12h05: Receber os convidados e sentá-los nos devidos lugares.

12h09: Pôr a comida na mesa e sentar-me.

12h10: Lembrar-me que ainda não cozinhei nada para mim, acorrer de imediato ao frigorífico, desembalar as duas fatias de tofu que ficaram a temperar desde ontem, e colocá-las no grelhador.

12h13: Abrir as portas, para os convidados não se queixarem do fumo proveniente do grelhador.

12h21: Sentar e comer, finalmente, o tofu com o arroz e as batatas que entretanto esfriaram.

13h02: Despedir-me de 3 convidados, que partem antes dos outros. Dar um grande beijo à minha sobrinha e desejar que ela se porte bem.

13h07: Levantar os pratos.

13h11: Colocar a louça suja na máquina.

13h17: Dividir os ossos em duas partes iguais, misturá-los em gamelas com ração, pô-las no chão, e evitar um incidente diplomático entre os canitos cá da casa.

13h31: Sentar-me um bocadinho, enquanto os convidados bebem café.

14h06: Meter todos no carro, e rumar a Espinho.

14h43: Maldizer a cidade, porque nunca se encontram bons lugares para estacionar.

14h57: Acorrer ao local do desfile e encontrar um sítio confortável para sentar.

15h19: Levantar, esticar as pernas, perguntar ao J. se já tem tudo preparado, começar a ficar ansiosa.

15h39: Olhar para o relógio e desejar que chegue rápido à hora.

16h11: Maldizer o facto de em Portugal nunca nada começar à hora marcada.

16h28: Ver a sobrinha na passerelle, levantar-me, bater palmas efusivamente, assobiar em delírio, e perceber que estão todos à volta a olhar para mim.

16h29: Continuar a bater palmas -- como se não houvesse amanhã -- àquele piolho de 4 anos que tanto me orgulha no seu profissionalismo a desfilar.

17h01: Perceber que passou tudo muito rápido.

17h04: Acorrer aos bastidores para dar um enorme xi-coração na gaja mais boa que eu conheço, apalpar-lhe o rabo, perguntar-lhe quem é a menina mais bonita do mundo, ouvi-la dizer «sou eu» e responder «não és nada, é a R».

17h14: Convencer a família a ir lanchar em frente à praia.

17h22: Maldizer a minha ideia de ir para tão perto do mar, tentar caminhar conseguindo um vislumbre por entre os caracóis que voaram com o vento até à frente dos meus olhos, entrar num lugar giro e sossegado, e refastelar-me com a temperatura que se faz sentir no seu interior.

17h49: Sentir que o feriado está a chegar ao fim e voltar para casa.

18h36: Trocar de roupa, calçar as sapatilhas, enfiar o peitoral no Sebastião e na Rafa, ligar o iPod, e iniciar a caminhada.

18h54: Tentar não me aventurar por entre caminhos que desconheço, para perceber tarde demais que estou muito longe de casa.

19h29: Evitar queixar-me dos pés.

19h33: Chegar a casa, e abençoar o momento em que me descalço. Usufruir de uns minutos de “nada”.

20h11: Questionar o J. se quer jantar, levando-o a concluir que comerá apenas sopa.

20h30: Jantar caldo e fruta.

21h09: Sentar um bocadinho no sofá e começar a desesperar porque amanhã enfrentarei uma Quinta com sabor e cheiro a Segunda-feira.

21h22: Passear mais um bocadinho na blogosfera.

22h48: Subir ao quarto e dormir. Não esquecer de ligar o despertador, que ficou inactivo esta noite.



8.00 a.m.: Try not to give up to the cyclic behavior of chronobiology, and continue in bed just a little longer.

8.15 a.m.: Appeal to the complacency of Sebastião and Rafa -- who have realized that I'm already awake –- in order to avoid their wonderful and cute noses laid beside me, convincing me to get up.

8.23 a.m.: Giving in to the dog’s whims, and put my feet out of bed immediately.

8.37 a.m.: After washing my face, go to the kitchen to prepare a good breakfast and enjoy it under the sun. St. Peter, be a buddy, yes?

9:19 a.m.: Turn on the computer and check out what’s going on in the blogosphere.

10.03 a.m.: Bathe, moisturize the skin, detangle, moisturize the hair, dry the hair, moisturize the face, spread a good primer, camouflage the dark circles around the eyes, cover with BB Cream and compact powder, try to make a perfect eyeliner, comb the eyebrows, and put on some intense black mask on the eyelashes.

10.59 a.m.: Pick the clothing for the day. Note to self: wear comfortable shoes.

11.14 a.m.: Start peeling the potatoes. How many will be needed for 7 adults and 1 child?

11.30 a.m.: Put the potatoes into the electric fryer, and start cooking rice.

11.47 a.m.: Yell Call J., tell him that he should have already set the table, try not to get angry when he tells to calm down, and ask for him to go buy chicken barbecue for the guests.

12.05 p.m.: Receive the guests and get them seated.

12.09 p.m.: Bring the food to the table and sit down.

12.10 p.m.: Remember I’ve not cooked for myself, hasten to the fridge, unpack two slices of tofu that were being tempered since yesterday, and put them on the grill.

12.13 p.m.: Opening the doors for the guests not to complain about the smoke from the grill.

12.21 p.m.: Sit down and finally eat the tofu with the rice and potatoes that have cooled meanwhile.

13.02 p.m.: Say goodbye to the 3 guests that are going to depart before the others. Give a big kiss to my niece and ask her to behave well.

13.07 p.m.: Pick up the dishes.

13.11 p.m.: Put the dirty dishes in the wash machine.

13.17 p.m.: Split the leftover bones into two equal parts, mix them in with feed, put them on the floor and avoid a diplomatic incident between the dogs from the house.

13.31 p.m.: Sit a little, while guests drink coffee.

14.06 p.m.: Put everyone in the car and head to Espinho.

14.43 p.m.: Curse the city, because one can never find a good spot to park.

14.57 p.m.: Go to the place of the fashion show and find a comfortable place to sit.

15.19 p.m.: Get up, stretch the legs, ask J. if he has everything prepared, start getting anxious.

15.39 p.m.: Look at the clock and wish that time flies.

16:11 p.m.: Curse the fact that in Portugal nothing ever starts at the scheduled time.

16.28 p.m.: Spot my niece on the catwalk, get up, clap enthusiastically, whistle in delight, and realize everyone around is looking at me.

16.29 p.m.: Continue clapping -- as if there was no tomorrow -- to that girly-girl of four years-old, who makes me proud of her professionalism at the catwalk.

17.01 p.m.: Realize that everything went very fast.

17.04 p.m.: Hasten to the backstage to give a huge hug to the hottest chick I know, grope her ass, ask her who's the most beautiful girl in the world, hear her say "I am" and reply “no, I am”.

17.14 p.m.: Convince the family to go eat something on the beachfront.

17.22 p.m.: Dang my idea of going so close to the sea, try walking getting a glimpse through the curls which flew with the wind up in front of my eyes, enter a quiet place and get pleased about the temperature in the inside.

17.49 p.m.: Understand the holiday is coming to an end and return home.

18:36 p.m.: Change clothes, put on my sneakers, put the leash in Sebastião and Rafa, connect the iPod and go for a walk.

18.54 p.m.: Try not to venture through unknown paths and realize too late that I'm far from home.

19.29 p.m.: Try not to complain about the feet.

19.33 p.m.: Arrive at home, and bless the moment I get barefoot. Enjoy a few minutes of “nothing”.

20.11 p.m.: Ask J. if he wants to have dinner, leading him to conclude to only eat some soup.

20.30 p.m.: Have dinner and eat some fruit.

21.09 p.m.: Sit on the couch a little and start to despair because tomorrow I’ll face a Thursday with the taste and the smell of a Monday.

21.22 p.m.: Visit the blogosphere.

22.48 p.m.: Go upstairs to the room and sleep. Try not to forget to turn on the alarm, which was inactive tonight.

26 de abril de 2013

A felicidade…


…por Armando Silva: «Havia um menino pequenino que tinha uma moeda de €0,50 no bolso. Não sabia o que comprar com ela, mas decidiu entrar numa mercearia. Entrou na mercearia e avistou uma grande tablete de chocolate. Quis comprá-la e pediu a um senhor grande, por detrás do balcão: “Senhor, tenho aqui esta moeda de €0,50 e queria aquela tablete de chocolate”. O senhor conferiu: “Queres AQUELA tablete de chocolate, menino?”. “Sim, senhor, é AQUELA que eu quero.” “Mas aquela tablete custa €1,00, menino.” Inconformado, o menino retorquiu: “Senhor, eu tenho esta moeda de €0,50 e vou dar-lha. O senhor parte AQUELA tablete ao meio, dá-me uma metade e o senhor fica com a outra metade”. O merceeiro replicou: “Ai tu queres que eu parta AQUELA tablete ao meio, te dê metade e fique com a outra metade?”. “Sim, senhor, é isso que eu lhe estou a pedir.” “Mexe mas é o rabo para fora da minha loja, e vai gastar essa moeda noutro lado qualquer.” Sem se resignar, o menino abriu a porta da mercearia para aceder ao rogo do senhor, mas… voltou atrás e agarrou na g-r-a-n-d-e-t-a-b-l-e-t-e-d-e-c-h-o-c-o-l-a-t-e, e saiu a correr porta fora. O menino correu, correu pela rua abaixo, correu sem pensar. Mas depois parou, esbaforido. Olhou para a sua mão direita e encantou-se com a tablete de chocolate. Depois ocorreu-lhe…  e reparou que na sua mão esquerda ainda tinha a m-o-e-d-a-d-e-c-i-n-q-u-e-n-t-a-c-ê-n-t-i-m-o-s. Foi inundado por uma sensação maravilhosa: aquilo era a felicidade.»

E para ti[vocês], o que é?

25 de abril de 2013

Preocupo-me, logo vou!


Quando gostamos muito de uma música, o que fazemos?
- Ouvimo-la várias vezes.

Quando gostamos imenso de algum prato específico, o que acontece?
-Cresce-nos água na boca quando pensamos nele.

Quando um filme nos toca de um modo peculiar, o que se sucede?
- Vemo-lo repetidas vezes.

Quando as páginas de um livro encerram uma literatura com a qual nos identificamos, o que ocorre?
- Invariavelmente, em alguma altura da nossa vida, voltamos às mesmas, para as reler com avidez.

Então, e quando vamos ao teatro e gostamos imenso do texto, da encenação e da interpretação? Voltamos?

(…)

E porque não?

Esta noite eu vou voltar. Vou voltar à cena, ao actor, ao texto, à inquietação, às gargalhadas, às lágrimas, à indagação, à crítica, ao pensamento, ao frenesim, à perscrutação e à reflexão. E o mais provável é voltar para casa com esse tal de Armando Silva na cabeça, um homem rechonchudo, armado em guru motivacional, que apela a darmos voz ao nosso “bebé interior”, esse tal que vive em si, sobre si, chorando e reclamando o que julga ser seu de direito, sem se preocupar com os demais circundantes. O actor vestirá outras personagens, mas esta é -- indubitavelmente -- a que tem mais sumo, a que nos coloca de imediato colados(as) à cadeira, a questionar como seria se nos preocupássemos apenas e só com a nossa felicidade.



«Preocupo-me, logo existo» é uma excelente crítica à nossa contemporaneidade, ironizando a ideia de que apenas os main stream, os que vivem de acordo com as regras, sem nunca sair da linha, são válidos na nossa sociedade. Como se aqueles que não querem, saber não existissem! Ou como se nós mesmos(as), se não ligássemos às opiniões alheias, tantas vezes transversais, não fôssemos matéria.

A teatralidade deste monólogo (nem sei se devemos chamar-lhe assim, pois o silêncio inquietante do público torna-o quase num diálogo) é muito brechtiana, característica que atravessa os textos de (Eric) Bogosian. (Quem se lembra de «Sexo, Drogas & Rock and Roll»?) (Eu, após ter assistido 4 vezes.) O seu humor é inteligente, e não se importa de levar o dedo à ferida. Ao todo são 8 personagens distintas, mas correlacionadas pela necessidade de validar preocupação e sentimentos.

E se a tudo isto somarmos Diogo Infante? Eu cá não preciso de mais argumentos.

Já tive oportunidade de assistir à peça há uns meses. E se não tivesse valido a pena, não estaria ansiosa por rever. Mas estou! Até porque da outra vez saí do teatro a questionar o porquê do gesto que o actor faz no final (atentem ao cartaz de apresentação), que não me parece ser aleatório. Será que lhe vou descobrir o significado desta vez?



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23 de abril de 2013

Carta aos meus 15 anos | Letter to my 15 years-old

Olá, R. de 15 anos.

Quis escrever-te, sobretudo por ter imensas saudades tuas. Tu não me conheces, e se te cruzasses comigo na rua, até nem te irias identificar. À parte dos caracóis e do mau feitio, guardo muito pouco de ti. Não porque não te respeite; mas porque já não sou feita da matéria dos sonhos que tão bem te constitui.

Mantém-te segura nesse liceu para onde acabaste de te transferir. Os outros alunos não vão ser imediatamente simpáticos contigo, pois vens de uma cidade sobre a qual eles não querem sequer falar. Não te preocupes se tiveres de passar os intervalos do primeiro período sempre sozinha. Os teus colegas vão estar de olho em ti, e um dia um vai convidar-te a juntares-te ao grupo dele. Dentro de pouco tempo farás amizade com montes de gente gira, e passarás a ser convidada para as suas festas. Dentro de dois anos serás vice-presidente da AE, e serás um peão importante na dinamização dos alunos no contexto escolar. Irás sempre orgulhar-te disso.

Vais começar a embeiçar-te por rapazes de estilo grunge e com o cabelo mais comprido e mais cuidado que o teu. Não tem mal nenhum. Nessa idade tudo é permitido, e algumas dessas pessoas não são realmente tão indolentes como parecem.

Sabes o P., aquele rapaz que tu conheceste há dias naquele bar onde gostas de ir à Sexta-feira à noite? Ele vai tornar-se o teu melhor amigo. Não agora, mas dentro de 5 anos não darás um passo na tua vida sem o consultar. Vais construir com ele uma cumplicidade de que poucas pessoas podem gabar-se de conhecer. Vais ter os momentos mais alucinantes e alucinados com ele. Vais ligar-lhe, ocasionalmente, de madrugada para ele te ir oferecer o ombro para chorar. Vais pedir-lhe conselhos de rapazes, e vais sempre discutir por ele não te oferecer as respostas que queres ouvir. O mesmo acontecerá ao contrário. Entre jogos de detectives e muitas conversas sobre assuntos sérios -- e outros que nem tanto -- serão felizes, e sem grandes exigências mútuas. Infelizmente isso não vai durar para sempre, e um aneurisma na melhor fase do P. levará a melhor sobre a sua vida e sobre a vossa amizade. Não saberás lidar com isso. Mas não te preocupes: o P. vai deixar-te alguém, e virás a acreditar que algures num local não-terreno, ele continuará a preservar a tua felicidade. De que é que estou a falar? De um rapaz de olhos verdes, giro, que ele te vai apresentar. Esse rapaz não te vai ligar nenhuma inicialmente, e não será senão 2 após a morte do P. que se vão reencontrar e apaixonar-se. Mais tarde ele pedir-te-á em casamento.

Não acreditas? Eu sei que não te imaginas obediente aos cânones sociais, mas tu vais casar. As pessoas não se vão acreditar quando lhes deres a boa nova, e algumas farão questão de estar no teu casamento só para ver com os seus próprios olhos algo em que ninguém acreditava ser possível. Mas calma: as coisas não são assim fáceis. Antes disto haverá uma altura em que vais estar de costas voltadas ao amor. Porém não te preocupes: como a tua mãe sempre diz, o que for para ti, a ti virá.

Vais entrar na faculdade e no curso que queres. Dois anos depois ver-te-ás forçada a transferir-te para outra universidade, numa cidade mais desenvolvida, só para que possas arranjar trabalho para continuares a pagar os estudos. Vais entusiasmar-te com o dinheiro no final do mês e vais relegar o curso para segundo plano. Durante uns tempos manter-te-ás confusa, questionarás todas as tuas decisões e aprenderás cedo demais que no mundo do trabalho só sobrevivem os mais fortes. Não sobreviverás na primeira vez, mas ganharás calo para enfrentares outros obstáculos. Mesmo que não o saibas imediatamente, todos os momentos menos bons farão parte das boas lições de vida. Goza-as.

Eu sei que hoje proclamas a toda a gente que nasceste para seres tia e que não te imaginas como mãe. A profecia vai cumprir-se: nascerá a tua sobrinha e amá-la-ás imenso. Mas um dia vais desejar que ela tivesse nascido das tuas vísceras. Decidirás que estás pronta, e que queres afinal ser mãe. As coisas não vão correr logo bem nesta matéria, e vais culpar-te. Tenta erguer-te do melhor modo possível. Espero que consigas fazer um melhor trabalho nesta área do que eu. Gostava de te poder dizer mais coisas, mas repara, apesar de mais velha, eu ainda não sei.

Não te detenhas nesses pequeninos “quês” que te roubam o sorriso. Não há nada melhor, do que tua adolescência. Usufrui-a.

* Da R. mais crescida.


Hi, 15 year-old R.

I wanted to write to you, above all because I miss you. You don’t know me, and if you’ve met me on the street, you wouldn’t even identify yourself. Besides the curly hair and the bad temper, I don’t keep much from you. Not because I don’t respect you; but because I’m not built of the substance of dreams that carries you on.

Stay safe in the school to where you’ve just transferred. The other students won’t immediately be nice to you, because you come from a city that they don’t even want to talk about. Don’t worry if you have to be alone during the breaks of the first term. Your colleagues will be watching you, and one day one of them will invite you to join his group. Within no time you’ll be friends with lots of beautiful people, and you’ll be invited to their parties. Within two years you will be vice president of the Students Association, and you’ll become an important pawn in boosting the students in the school context. You'll always be proud of that.

You'll start being interested in grunge guys, with longer and more careful hair than yours. There is no harm in that. At that age everything is permitted, and some of these people are not really as sluggish as they seem.

Are you familiar to P., that guy you met on that bar where you like to go on Friday nights? He’s going to become your best friend. Not now, but within 5 years you won’t give a step in your life without asking for his opinion. You'll build a complicity with him that only few people have the chance to know. You'll have the cooler and more hallucinatory moments with him. You'll call him occasionally at dawn for him to go offer his shoulder for you to cry. You’re gonna ask him for advice about guys, and you'll always discuss with him because he doesn’t give you the answers you really want to hear. The same will happen in reverse. Between detective games and lots of conversations about serious issues -- or others not so much -- you’ll be happy together, without major mutual demands.

Unfortunately this will not last forever and an aneurysm in the best chapter of P. will take the better over his life and your friendship. You won’t know how to deal with it. But do not worry: he’s going to leave you with someone, and you will start believing that somewhere he continues preserving your happiness. What am I talking about? About a cute green-eyed boy he’ll introduce you. This guy is not gonna show you much interest initially, and it won’t be before the second year after P.’s death that you two will meet and fall in love. Later he will ask you to marry him.

Don’t you believe it? I know that you don’t picture yourself as an obedient to social canons, but you’re going to get married. People won’t believe when you announce it to them, and some will want to be on your wedding just to check with their own eyes something in which none of them believed. But easy: things are not really that straightforward. Before that, there will be a time when you’re going to be back to back to love. But don’t worry: as your mother always said, what is to thee shall come to you naturally.

You'll go to the college you want. Two years later you’ll see yourself forced to change to another university in a more developed city, just so you can get a job to continue your studies. You'll thrill you with the money at the end of the month and the course will be relegated to the background. You’ll be confused for a while and you’ll question all your decisions. You’ll soon learn that only the fittest survive in the working world. You won’t survive the first time, but you’ll gain strength to face other obstacles. Even if you don’t understand it immediately, all the less good times will be part of good life lessons. Enjoy them.

I know that nowadays you proclaim to everyone that you were born to be an aunt and that you don’t see yourself as a mother. The prophecy will be fulfilled: your niece will be born and you will love her enormously. But someday you'll wish she had been born through your inward. You’ll decide you're ready, and you want to be a mother after all. Things won’t be very good on this matter and you’ll blame yourself. Try to raise yourself the best way possible. I hope you do a better job in this area than I did. I wish I could say more, but notice: even older, I still don’t know nothing about it.

Don’t hold on to the little problems that steal your smile. There is nothing better than your adolescence. Enjoy it.

* From the older R.

18 de abril de 2013

Sunday, sunny sunday ♫

O fim-de-semana não tarda. Para os que, como eu, não dispensam os primeiros raios de sol para fazer a tão almejada fotossíntese, ou apenas para equilibrar endorfina e serotonina, hoje deixo a sugestão: o Cruzeiro das 6 Pontes no Douro. Vistas do rio, as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia ganham toda uma nova magia, escarpadas nas margens, cheias de cor e de vida. Foi para lá que remámos no último Domingo. Porque todas as desculpas são boas para subir a um barco. Fica a documentação fotográfica.

Weekend is coming soon. For those who, like me, don’t spare the first sunbeams to do the so yearned photosynthesis, or just to balance endorphin and serotonin, today I let you with one suggestion: the 6 Bridges Cruise in Douro. Viewed from the river, the cities of Porto and Vila Nova de Gaia gain a whole new magic, steeped on the shores, full of color and life. We’ve rowed there last Sunday. Because all the excuses fit just to step into a boat. Here is the photographic documentation.











Diverti-me imenso.
I've had a blast.

12 de abril de 2013

R. del Piño vs. R. del Pumba

Baptizada de Maria das Lamentações, a Vivi eternizou-se no seu Esqueci-me de Viver, e em menos de 2 meses de blogosfera, conseguiu um número impressionante de leitores, seguidores e comentadores. Tal proeza deve-se em parte à sua simpatia, mas sobretudo à interactividade que ela própria gera na sua página. Fui incitada por ela a participar num desafio que consistia em contar algum episódio engraçado, aproveitando o anonimato de que normalmente fazemos uso por aqui. Eis a minha participação hoje publicada por lá:

21 anos. Primeiro dia de trabalho na administração de uma grande superfície comercial. Roupa nova. Casaco de cabedal vermelho, top lindo de seda (sem costas, mas não era suposto ninguém ver), calcinha preta, vincada, com dobra no fundo da perna (na altura usava-se), e umas botas vermelhas, com um salto de 12cm. A apresentação correu bem, o início do trabalho também, e teria sido o perfeito primeiro dia de trabalho, não fosse o… incidente. A hora de almoço estava apertada. Como estava em início de funções, tinha trabalho atrasado. Decidi descer ao shopping para comer uma sopa rápida, ou outra coisa qualquer. Acontece que o que separava o espaço da administração com a o primeiro piso do centro eram três lanços de escadas, íngremes e cansativas. Correr nelas já era suicídio. Correr de saltos altos, era para kamikazes. Correr de saltos e com calças compridas com dobra no fundo foi combinação catastrófica: o salto prendeu-se na dobra, a bainha das calças descoseu, o salto partiu, para me tentar equilibrar lancei-me com os braços na frente, fiz demasiada força, as mangas do casaco descoseram, e eu estatelei-me por 7 ou 8 degraus abaixo. De repente estava ali, toda rota, descosida, descabelada e sem um salto de uma bota. Estava a tentar cair em mim de novo, quando ouvi a porta de cima. Tentei levantar-me a tempo, para que ninguém me visse naquele estado, mas já não fui a tempo. A secretária da administração viu-me, tentou dar-me cobertura, e querida, disse que me ia buscar uma sopa, para eu não ir “passear” assim para o shopping. Voltei ao escritório, e como estava com o casaco descosido, decidi tirá-lo. A ausência do salto da bota foi disfarçada em bicos de pés. A bainha das calças disfarçada com fita-cola. E eu fiquei o resto da tarde a trabalhar assim, de costas desnudadas, com o meu director a insinuar que não estava assim tanto calor. A secretária não contou a ninguém, e só meses mais tarde decidimos abrir o jogo de como eu tinha assentado logo no meu primeiro dia. A partir daí ninguém me tratou mais por R. del Piño, mas por R. del Pumba.

8 de abril de 2013

E porque a Segunda-feira me deixa pior que estragada... | And because Monday makes me worse than "rotten"...

Não gosto de brócolos, de queijo de cabra, que acelerem quando os estou a ultrapassar, de falar ao telefone, de chico-espertismo, que vivamos sobre o sacrifício animal, de pessoas irritadas, de pessoas irritantes, de café, de vinho, de cerveja, de conversas interrompidas, que falem por cima de mim, de calças de ganga, de dormir de peúgas, de música baiana, de Quim Barreiros, do "Apita ao Comboio", de autocarros, de campismo, de ostentação, que o J. me mexa nas unhas, de andar de mão dada, de conversas "fofinhas" depois de fazer amor, que me tratem por "querida", "amor" ou "linda", que me olhem de lado, de hipocrisia, de mentiras, de falsos amigos, de ares condicionados, do barulho de aparelhos eléctricos, de motrizadas, de perfumes enjoativos, do choro de crianças em aviões, da ignorância intencional, de pessoas que nem sequer se esforçam, de chocolate negro, do cheiro do queijo da serra, de perder, de ficar doente, de hospitais, de correr, de esperar, de perder tempo, de perder o controlo, que tentem comandar a minha vida, de conversas de circunstância, de ir no banco do "pendura", que me contrariem quando tenho razão, de pessoas que sabem demais, de pessoas que querem saber demais, de vizinhos cuscos, de bêbedos, de indigentes, de mexer em dinheiro, de fazer cafuné, de ficar retida no trânsito, de acordar cedo, de acordar tarde, de vinagre, de Sabados à noite em casa, de rodeios, de rodeos, de touradas, de circos, de jardins zoológicos, de mal tratos a animais, do abandono na terceira idade, de pessoas demasiado sérias, de batota, que não respondam ao meu "bom dia", de reuniões, de segundas-feiras, de ciganos romenos, de corrupção, de jogos de poder, de ter medo, de vendedores de "banha da cobra", de pedantes, de títulos honoríficos, do cheiro de suor, de areia colada ao corpo, de tocar em maçanetas de portas de locais públicos, de desculpas esfarrapadas, de pessoas que não pedem desculpa, de caça, de acender a luz quando ainda há luz do sol, de saunas, de sotaques acentuados, de arrumadores de carros, de desorganização, de depilar as sobrancelhas, de baratas, de centopeias, de bichas-cadela, do cheiro de tabaco, de passar a ferro, de dormir em camas por fazer, de ter tiques nervosos, de ser assediada por pessoas à porta de lojas, de futebol, de falta de originalidade, da falta de formação cívica, de chuva, de pessoas lentas, do cheiro de vinhadalho, de U2, da rotina, de frases feitas, de claustrofobias, de falar "para o boneco", de roupa com borbotos, de me secar depois do banho, de livros de auto-ajuda, de gurus de espécie alguma, de GPSs, de não ter 100% de audição, que me tratem pelo meu primeiro nome, de pessoas que fazem as rotundas pelo lado de fora, de insinuações, de trabalhar por objectivos, de marcas de base na roupa e de promessas de amor eterno.

I don’t like broccoli, goat’s cheese, someone speeding up when I’m overcoming him/her, talking on the phone, living upon animal sacrifice, irritated people, irritating people, coffee, wine, beer, interrupted conversations, someone talking over me, jeans, sleeping with socks, Bahia music, Quim Barreiros, "Apita o Comboio", buses, camping, ostentation, J . stirring my nails, walking hand in hand, fluffy talk after making love, someone treating me as "dear", "love" or "beautiful", someone looking at me sideways, hypocrisy, lies, phonies, air conditioners, the noise from electrical appliances, motor assisted bicycles, cloying perfumes, crying children on airplanes, willful ignorance, people who do not even strive, dark chocolate, the smell of mountain cheese, losing, getting sick, hospitals, running, waiting, wasting time, losing control, someone trying to control my life, small talk, sitting on the side of the driver, someone contradicting me when I’m right, people knowing too much, people wanting to know to much, curious neighbors, drunk people, touching money, caressing, being retained in traffic, waking up early, waking up late, vinegar, Saturday evenings at home, subterfuges, rodeos, bullfights, circuses, zoos, mistreating to animals, abandonment of the elderly, too serious people, cheating, the ones who don’t respond to my "good morning", meetings, Mondays, Romanian gypsies, corruption, games of power, being afraid, pedants, honorary degrees, the smell of sweat, sand glued to the body, touching doorknobs in public places, lame excuses, people who do not apologize, hunting, turn on the light when there is sunlight, saunas, sharp accents, disorganization, plucking the eyebrows, cockroaches, centipedes, earwigs, the smell of tobacco, ironing, sleeping in beds that weren’t previously made, having tics, being harassed by people on the door of shops, football, lack of originality, lack of civic, rain, slow people, the smell of wine garlic marinade, U2, the routine, cliché sentences, claustrophobia, talking to the backside , clothes with fluffs, drying after bathing, self-help books, any kind of gurus, GPSs, not having 100% of hearing ability, be treated by my first name, people who make roundabouts on the outside, insinuations, working for goals, foundation stains on clothes and eternal love promises.