30 de abril de 2013

Questões e indagações | Questions and issues



(1) Porque é que o teu blog tem esse nome?
Quando publicava crónicas, dava sempre um cunho muito vincado às mesmas, e houve alguém que um dia disse que era fácil identificá-las, sem que fosse sequer necessário eu apor a minha assinatura. Essa pessoa é que me deu o nome para o blog que só vim a criar anos mais tarde: disse que as crónicas eram as minhas umbilicalidades. Ficou!

(2) Já alguma vez pensaste em desistir do teu blog? Se sim, porquê?
Não, deste não pensei, até porque ele tem muito pouco tempo, e tem-me gerado interesse. Mas já desisti dos blogs que tinha em 2007: acima de tudo porque já estava “presa” há cerca de 4 anos, por vezes escasseavam as coisas para ser ditas, e porque iniciei as funções laborais que tenho hoje e que me roubam muita massa cinzenta. É fácil executar um trabalho esgotante 12h seguidas, e chegar a casa desprovida de algo interessante e inteligente para dizer.


(3) Se pudesses conhecer uma personagem de ficção (filmes, séries, livros) quem gostarias de conhecer e porquê?
Essa é fácil: Homer Simpson. Em primeiro lugar, porque tenho o sonho estúpido de emprestar a voz a um dos episódios da minha série favorita. Em segundo lugar, porque nunca nenhum homem me fez rir tantos anos a fio.

(4) Como te imaginas daqui a 10 anos?
Não costumo pensar muito nisso, confesso. Vivo muito centrada no presente e no futuro de curto prazo (no máximo avisto as coisas com 2 meses de antecedência). Mas, assim de repente, diria que gostava de estar exactamente onde estou, mesmo que com mais 3.650 dias em cima. Se puder adicionar isto à vontade de ser chamada de «mamã», que seja.

(5) Comer ou cozinhar, qual preferes? E o que é que preferes comer, e preferes cozinhar?
Gosto de fazer as duas coisas, mas como sempre com prazer, e por vezes não empresto esse sentimento ao acto de cozinhar. Se não for pressionada, gosto de estar na cozinha. Sobretudo a preparar doces, pois gosto de coisas difíceis de encontrar, e aprendi a fazê-las para não ter que procurar muito.

(6) Qual é a música que te descreve?
Diria «She», do Costello, para parecer bem e bonita, mas a verdade é que não me ocorre nenhuma música que o faça. E se houvesse, penso que soaria demasiado a ostentação, pelo que aproveito para lançar o repto aos que estão a ler: que música me descreve?

(7) Se pudesses conhecer alguém da blogosfera, quem gostarias de conhecer?
Todas as pessoas que me comentam e que eu comento. Não consigo escolher uma só, mesmo que sinta, obviamente, mais empatia por algumas, do que por outras.

(8) Qual é o teu maior sonho?
Conhecer os quatro cantos ao mundo. E viajar num balão de ar quente. Nota: são dois sonhos distintos.

(9) Qual é o teu maior vício?
Essa é fácil: comunicar. Quando encontro alguém que o faça valer a pena, não conto horas.

(10) Se tivesse que ir a um karaoke, que música cantarias?
Essa também é fácil: «Uninvited» de Alanis Morissette, pois já cantei inúmeras vezes em karaokes, e houve quem me aplaudisse de pé. Infelizmente o talento não se estende para lá desta música, note-se.

(11) Tens no teu computador aquela típica pasta "para arrumar depois"? Se sim, que tralhas é que tens por lá?
No computador não tenho. Mas a minha caixa de email está cheia de “tralha para ler e organizar um dia destes”. Pelo meio estão emails que me envio com anexos para guardar (recibos de contas pagas) e algumas mensagens de algumas pessoas que o tempo afastou, e às quais não me sinto impelida a responder naquela hora.

E se ficaram a ler até ao fim, apraz-vos questionar mais alguma coisa a esta V/ humilde serva?


By J.

(1) Why does your blog have its name?
When I was publishing my chronicles, I always gave them lots of myself, and there was someone that once said they were easy to spot, even without being necessary for me to affix my signature. This person gave me the name for the blog that was created years later: that person told that the chronicles were my umbilicalidades. It stuck!

(2) Did you ever think about quitting your blog? If so, why?
No, this time I didn’t, because it has very little time, and it keeps me interested. But in 2007 I gave up of the blogs I used to have: most of all because I was stuck for about 4 years, sometimes the themes scarced, and because I started the job I have nowadays, which steal a lot of my brain. It’s easy to run a grueling work for 12 hours straight, and get home without anything interesting and intelligent to say.

(3) If you had the chance to meet a fiction character (from a movie, a series or a book), who would you like to meet and why?
That’s easy: Homer Simpson. First of all, because I have the stupid dream of lending my voice to an episode of my favourite series; secondly, because no man has ever made ​​me laugh for so many years.

(4) How do you picture yourself in 10 years?
I have to say I usually don’t think much about it. I live very focused on the present and on the short-term future (I spot things with 2 months in advance, tops). But right now I'd say I wouldn’t mind of being exactly where I am nowadays, even if with more 3.650 days over me. If I could add this to the desire of being called "Mom", I’d love it.

(5) To eat or to cook: which one do you prefer? And what do you prefer eating and cooking?
I like to do both, but I always eat with pleasure, and sometimes I can’t lend this feeling to the act of cooking. When I’m not pressured, I like being in the kitchen. Above all, preparing cakes or cookies, because I like things that aren’t easy to find, and I learned how to do it, not to keep searching for them.

(6) What song describes you?
I could answer «She», of Costello, just to keep it interesting; but the truth is I don’t remember of any song able to do it. And if there was one, I think it would sound like ostentation, so I take the opportunity to throw the challenge to those who are reading this: what song describes me?

(7) If you could meet anyone in the blogosphere, who would you wish to meet?
All the people that come here, and the ones behind the blogs I visit. I cannot choose just one, even if I obviously feel more empathy for some, than for others.

(8) What is your biggest dream?
To travel to the 4 corners of the world. And traveling in a hot air balloon. Note: these are two distinct dreams.

(9) What is your biggest vice?
That's easy: to communicate. When I meet someone who makes it worth, I lose the track of time.

(10) If you had to go to a karaoke, what song would you sing?
That’s also easy: «Uninvited» by Alanis Morissette, because I’ve sung it a thousand times, and there were even people offering me a standing ovation. Unfortunately, the talent does not extend beyond this song, I may say.

(11) Do you have in your computer the common archive «to organize later»? if so, what do you have in there?
I don’t have it in the computer. But my mail box is full of “stuff to read and to organize one of these days”. In the middle one can find mails with attachments I send to myself (paid bills) and some messages of people that were drifted by the time, to whom I don’t feel the guts of answering immediately.

And if you were reading this until the end, would you be pleased to ask something else to this humble servant of yours?

29 de abril de 2013

11 coisas perfeitamente aleatórias e inúteis sobre a minha pessoa | 11 things perfectly random and useless about myself

[A Teresa passou-me o Liebster Award, mas vou fazê-lo de modo diferente. Vou responder faseadamente (hoje publico os 11 factos sobre mim; amanhã posto a resposta às questões que ela deixou). Também não o vou passar a ninguém, pois quem quis, já fez; quem não quis, provavelmente continuará a não querer.]

(1) Não casei de branco, nem dentro de portas, e nem desci ao altar ao som da marcha nupcial. (Um dia contar-vos-ei sobre isto.)

(2) Quando era pequenina e passava férias no campo junto do meu padrinho e sua família, era habitual sairmos os dois sozinhos à noite à procura de cães abandonados para os resgatar. (Perdi a conta às vidas a quem oferecemos melhores condições.)

(3) Se a minha vida dependesse de limpar WCs ou lavar loiça… sobreviveria. (Tenho um inexplicável prazer em executar tarefas domésticas que envolvam água.)

(4) Tenho a pior uma das piores memórias do mundo, e todos os anos compro uma agenda para anotar os meus compromissos. (O único problema? É que me esqueço (!!!) de apontar os ditos na agenda.)

(5) Quando trabalhei em Marketing, por inerência das minhas funções, mantinha uma vida social bastante activa. (Cheguei a ser remunerada só para aparecer em determinadas festas, e saí algumas vezes nas ditas revistas cor-de-rosa.)

(6) Quando tirei carta, o meu irmão ofereceu-me a sua 4L. Tinha vergonha de conduzir aquele carro, por isso vendi-o. (Hoje arrependo-me solenemente de o ter feito, porque o carro até era giro e tinha carisma.)

(7) O meu metabolismo é mais velho do que eu 12 anos. (Eu estou nos “intas”; ele já nos “entas”. Aparentemente o rejuvenescimento nesta área é possível, e eu estou já sobre o assunto.)

(8) Tive duas alcunhas nos meus primeiros anos no liceu: Mafaldinha e Imaculada. (A primeira todos conhecem da BD de Quino; a segunda era um personagem da telenovela Tieta. Porquê? Porque ambas as figuras tinham cabelo encrespado e pêlo-na-venta.)

(9) Toquei guitarra entre os 12 e os 20 anos, e o auge da minha carreira musical foi estar em palco com os GNR. (Fiz parte de uma banda de covers, e num festival da juventude, num concelho das imediações, tocámos “Dunas” com eles.)

(10) O cabelo encaracolado e o tom de pele -- que até à adolescência foi muito mais escuro do que actualmente -- levaram muita gente, ao longo da minha vida, a concluir que eu era aquilo a que chamam de cabrita. (Houve quem julgasse, até, que eu era adoptada; e cheguei a ser -- pelo menos duas vezes -- vítima de racismo descarado.)

(11) Sou vegetariana. (Há tanto tempo, que isto já deixou até de ser tema.)

Eu, debaixo da objectiva da Ana Luísa.
Me, under the lenses of Ana Luísa.

(1) I didn’t get married in white, or indoors, nor even went down the aisle by the sound of the Wedding March. (One day I’ll tell you about it.)

(2) When I was little and went on vacations to the countryside with my godfather and his family, it was usual for us two to go out alone at night looking for abandoned dogs to rescue them. (I don’t remember to how many lives we offered better conditions.)

(3) If my life depended on cleaning toilets or washing the dishes… I’d survive. (I have a baffling pleasure in performing household chores involving water.)

(4) I have the worse one of the worse memories in the world; therefore I buy an appointment book every year to write down my agenda. (The only problem is that I completely forget to annotate it.)

(5) When I worked in Marketing, by my duties virtue, I had a very active social life. (I was even paid to show up at certain parties, and my photograph was published on a few magazines.)

(6) When I took my driver’s license, my brother offered me his 4L. I was ashamed when driving the car, that’s why I sold it. (Today I regret to have done it, because the car was cute and had charisma.)

(7) My metabolism is 12 years older than me. (I’m in my thirties; it is already on the forties. Apparently the rejuvenation on this matter is possible, and I’m working on it.)

(8) I had two nicknames during my first years on high school. (Because of the hair and the character.)

(9) I played guitar between my 12 and my 20 years-old, and the pinnacle of my musical career was being on stage with GNR. (I was part of a covers band, and on a youth festival in the nearby, we played "Dunas" with them.)

(10) The curly hair and the skin tone -- which until youth was much darker than it is nowadays -- led many people, throughout my life, to conclude that I was what they call African mestizo. (Some people even judged I was adopted, and I was victim of blatant racism at least twice.)

(11) I'm a vegetarian. (For so long, that this is not a theme anymore.)

28 de abril de 2013

Pontapés só no relvado


Há quem goste de pontapear, quem não se importe com o sofrimento alheio e quem não se coíba de utilizar a força. Eu cá julgo que todos os seres vivos devem ser bem tratados, e na óptica da língua ser o nosso maior património, mas também um ser que ganha vida na comunicação diária, e na forma como se rafaz a cada interlocutor, sou apologista de que devemos bem tratá-la, cuidá-la, honrá-la e evita-lhe quaisquer danos, a todo o custo.

Há os que têm por passatempo fazer Sudoku, os que gostam dos Jogos de Diferenças, os que se divertem com as Palavras-Cruzadas e os que não passam sem as Sopas de Letras. Aos 18 anos eu fazia transcrições fonéticas na praia, enquanto outros jogavam raquetes. Sempre fui viciada no bem linguajar. Se o estudo é um prazer? Claro que sim!, se o objecto desse estudo for algo que nos é tão querido, como para mim é o Português.


Tavares, Sandra Duarte e Dias, Joana (2013), Pontapés na Gramática.
Lisboa: Areal Editores

Vou por isso devorar devagar e com atenção este Pontapés na Gramática, um livro que aborda dúvidas frequentes nas áreas da Fonética, da Ortografia, do Léxico, da Morfologia, da Sintaxe e do (blarghhh) Acordo Ortográfico.

E começo já ao pequeno-almoço.

Alguém é servido?

Já agora, quem sabe? O plural de gel é géis; o plural de mel é…
(a) méis.
(b) meles.

I did not translate this post because it consists of a book about Portuguese language, and the way people mistreat it.Please come back here tomorrow. Thank you. .¸¸.*

27 de abril de 2013

Perspectivas | Perspectives


[Mais uma pérola de sabedoria by Armando Silva:]

«Vive mais centrado em ti, sobre o que te importa, sobre o que faz feliz. Não te detenhas com o que os outros pensam de ti. Até porque o que os outros pensam de ti, NÃO É DA TUA CONTA.»

«Concentrate in yourself, in what really matters to you, in what makes you happy. Do not bother with what others think about you. Especially because what others think about you, is none of your business

26 de abril de 2013

A felicidade…


…por Armando Silva: «Havia um menino pequenino que tinha uma moeda de €0,50 no bolso. Não sabia o que comprar com ela, mas decidiu entrar numa mercearia. Entrou na mercearia e avistou uma grande tablete de chocolate. Quis comprá-la e pediu a um senhor grande, por detrás do balcão: “Senhor, tenho aqui esta moeda de €0,50 e queria aquela tablete de chocolate”. O senhor conferiu: “Queres AQUELA tablete de chocolate, menino?”. “Sim, senhor, é AQUELA que eu quero.” “Mas aquela tablete custa €1,00, menino.” Inconformado, o menino retorquiu: “Senhor, eu tenho esta moeda de €0,50 e vou dar-lha. O senhor parte AQUELA tablete ao meio, dá-me uma metade e o senhor fica com a outra metade”. O merceeiro replicou: “Ai tu queres que eu parta AQUELA tablete ao meio, te dê metade e fique com a outra metade?”. “Sim, senhor, é isso que eu lhe estou a pedir.” “Mexe mas é o rabo para fora da minha loja, e vai gastar essa moeda noutro lado qualquer.” Sem se resignar, o menino abriu a porta da mercearia para aceder ao rogo do senhor, mas… voltou atrás e agarrou na g-r-a-n-d-e-t-a-b-l-e-t-e-d-e-c-h-o-c-o-l-a-t-e, e saiu a correr porta fora. O menino correu, correu pela rua abaixo, correu sem pensar. Mas depois parou, esbaforido. Olhou para a sua mão direita e encantou-se com a tablete de chocolate. Depois ocorreu-lhe…  e reparou que na sua mão esquerda ainda tinha a m-o-e-d-a-d-e-c-i-n-q-u-e-n-t-a-c-ê-n-t-i-m-o-s. Foi inundado por uma sensação maravilhosa: aquilo era a felicidade.»

E para ti[vocês], o que é?

25 de abril de 2013

Preocupo-me, logo vou!


Quando gostamos muito de uma música, o que fazemos?
- Ouvimo-la várias vezes.

Quando gostamos imenso de algum prato específico, o que acontece?
-Cresce-nos água na boca quando pensamos nele.

Quando um filme nos toca de um modo peculiar, o que se sucede?
- Vemo-lo repetidas vezes.

Quando as páginas de um livro encerram uma literatura com a qual nos identificamos, o que ocorre?
- Invariavelmente, em alguma altura da nossa vida, voltamos às mesmas, para as reler com avidez.

Então, e quando vamos ao teatro e gostamos imenso do texto, da encenação e da interpretação? Voltamos?

(…)

E porque não?

Esta noite eu vou voltar. Vou voltar à cena, ao actor, ao texto, à inquietação, às gargalhadas, às lágrimas, à indagação, à crítica, ao pensamento, ao frenesim, à perscrutação e à reflexão. E o mais provável é voltar para casa com esse tal de Armando Silva na cabeça, um homem rechonchudo, armado em guru motivacional, que apela a darmos voz ao nosso “bebé interior”, esse tal que vive em si, sobre si, chorando e reclamando o que julga ser seu de direito, sem se preocupar com os demais circundantes. O actor vestirá outras personagens, mas esta é -- indubitavelmente -- a que tem mais sumo, a que nos coloca de imediato colados(as) à cadeira, a questionar como seria se nos preocupássemos apenas e só com a nossa felicidade.



«Preocupo-me, logo existo» é uma excelente crítica à nossa contemporaneidade, ironizando a ideia de que apenas os main stream, os que vivem de acordo com as regras, sem nunca sair da linha, são válidos na nossa sociedade. Como se aqueles que não querem, saber não existissem! Ou como se nós mesmos(as), se não ligássemos às opiniões alheias, tantas vezes transversais, não fôssemos matéria.

A teatralidade deste monólogo (nem sei se devemos chamar-lhe assim, pois o silêncio inquietante do público torna-o quase num diálogo) é muito brechtiana, característica que atravessa os textos de (Eric) Bogosian. (Quem se lembra de «Sexo, Drogas & Rock and Roll»?) (Eu, após ter assistido 4 vezes.) O seu humor é inteligente, e não se importa de levar o dedo à ferida. Ao todo são 8 personagens distintas, mas correlacionadas pela necessidade de validar preocupação e sentimentos.

E se a tudo isto somarmos Diogo Infante? Eu cá não preciso de mais argumentos.

Já tive oportunidade de assistir à peça há uns meses. E se não tivesse valido a pena, não estaria ansiosa por rever. Mas estou! Até porque da outra vez saí do teatro a questionar o porquê do gesto que o actor faz no final (atentem ao cartaz de apresentação), que não me parece ser aleatório. Será que lhe vou descobrir o significado desta vez?



I didn’t translate this post because it has to do with a cultural and entertainment programme in Portugal. Please come back here some other time. Thank you. .¸¸.*

24 de abril de 2013

O que o dinheiro não compra | What money doesn't buy

De nada te serve o banho demorado da manhã, o hidratante de cheiro apetecível, a maquilhagem de griffe, a roupa de marca, o cabelo penteado pelos melhores cabeleireiros, uma casa na praia, outra na cidade, conduzir o último modelo da marca automóvel de topo, jantar fora nos melhores restaurantes, ir às compras à Avenue de Montagne em Paris, comprar uns Louboutin pelo 18º aniversário da tua filha ou matricular o mais pequeno nos melhores colégios privados, se dizes coisas como “ele vai vir”, e nem sequer lavas as mãos quando vais ao quarto-de-banho.

There’s no point taking a long morning bath; using a moisturizer with a desirable smell, expensive make-up and best brand clothes; going to the best hairdressers; having a house on the beach, another one in the city; driving the latest model of the top auto trademark; dining out at top restaurants; shopping in the Avenue de Montagne in Paris; buying a pair of Louboutin for the 18th birthday of your daughter; or enroll your youngest in the best private schools, if you say things like “he will going to come” and not even wash your hands when you go to the bathroom.

23 de abril de 2013

Carta aos meus 15 anos | Letter to my 15 years-old

Olá, R. de 15 anos.

Quis escrever-te, sobretudo por ter imensas saudades tuas. Tu não me conheces, e se te cruzasses comigo na rua, até nem te irias identificar. À parte dos caracóis e do mau feitio, guardo muito pouco de ti. Não porque não te respeite; mas porque já não sou feita da matéria dos sonhos que tão bem te constitui.

Mantém-te segura nesse liceu para onde acabaste de te transferir. Os outros alunos não vão ser imediatamente simpáticos contigo, pois vens de uma cidade sobre a qual eles não querem sequer falar. Não te preocupes se tiveres de passar os intervalos do primeiro período sempre sozinha. Os teus colegas vão estar de olho em ti, e um dia um vai convidar-te a juntares-te ao grupo dele. Dentro de pouco tempo farás amizade com montes de gente gira, e passarás a ser convidada para as suas festas. Dentro de dois anos serás vice-presidente da AE, e serás um peão importante na dinamização dos alunos no contexto escolar. Irás sempre orgulhar-te disso.

Vais começar a embeiçar-te por rapazes de estilo grunge e com o cabelo mais comprido e mais cuidado que o teu. Não tem mal nenhum. Nessa idade tudo é permitido, e algumas dessas pessoas não são realmente tão indolentes como parecem.

Sabes o P., aquele rapaz que tu conheceste há dias naquele bar onde gostas de ir à Sexta-feira à noite? Ele vai tornar-se o teu melhor amigo. Não agora, mas dentro de 5 anos não darás um passo na tua vida sem o consultar. Vais construir com ele uma cumplicidade de que poucas pessoas podem gabar-se de conhecer. Vais ter os momentos mais alucinantes e alucinados com ele. Vais ligar-lhe, ocasionalmente, de madrugada para ele te ir oferecer o ombro para chorar. Vais pedir-lhe conselhos de rapazes, e vais sempre discutir por ele não te oferecer as respostas que queres ouvir. O mesmo acontecerá ao contrário. Entre jogos de detectives e muitas conversas sobre assuntos sérios -- e outros que nem tanto -- serão felizes, e sem grandes exigências mútuas. Infelizmente isso não vai durar para sempre, e um aneurisma na melhor fase do P. levará a melhor sobre a sua vida e sobre a vossa amizade. Não saberás lidar com isso. Mas não te preocupes: o P. vai deixar-te alguém, e virás a acreditar que algures num local não-terreno, ele continuará a preservar a tua felicidade. De que é que estou a falar? De um rapaz de olhos verdes, giro, que ele te vai apresentar. Esse rapaz não te vai ligar nenhuma inicialmente, e não será senão 2 após a morte do P. que se vão reencontrar e apaixonar-se. Mais tarde ele pedir-te-á em casamento.

Não acreditas? Eu sei que não te imaginas obediente aos cânones sociais, mas tu vais casar. As pessoas não se vão acreditar quando lhes deres a boa nova, e algumas farão questão de estar no teu casamento só para ver com os seus próprios olhos algo em que ninguém acreditava ser possível. Mas calma: as coisas não são assim fáceis. Antes disto haverá uma altura em que vais estar de costas voltadas ao amor. Porém não te preocupes: como a tua mãe sempre diz, o que for para ti, a ti virá.

Vais entrar na faculdade e no curso que queres. Dois anos depois ver-te-ás forçada a transferir-te para outra universidade, numa cidade mais desenvolvida, só para que possas arranjar trabalho para continuares a pagar os estudos. Vais entusiasmar-te com o dinheiro no final do mês e vais relegar o curso para segundo plano. Durante uns tempos manter-te-ás confusa, questionarás todas as tuas decisões e aprenderás cedo demais que no mundo do trabalho só sobrevivem os mais fortes. Não sobreviverás na primeira vez, mas ganharás calo para enfrentares outros obstáculos. Mesmo que não o saibas imediatamente, todos os momentos menos bons farão parte das boas lições de vida. Goza-as.

Eu sei que hoje proclamas a toda a gente que nasceste para seres tia e que não te imaginas como mãe. A profecia vai cumprir-se: nascerá a tua sobrinha e amá-la-ás imenso. Mas um dia vais desejar que ela tivesse nascido das tuas vísceras. Decidirás que estás pronta, e que queres afinal ser mãe. As coisas não vão correr logo bem nesta matéria, e vais culpar-te. Tenta erguer-te do melhor modo possível. Espero que consigas fazer um melhor trabalho nesta área do que eu. Gostava de te poder dizer mais coisas, mas repara, apesar de mais velha, eu ainda não sei.

Não te detenhas nesses pequeninos “quês” que te roubam o sorriso. Não há nada melhor, do que tua adolescência. Usufrui-a.

* Da R. mais crescida.


Hi, 15 year-old R.

I wanted to write to you, above all because I miss you. You don’t know me, and if you’ve met me on the street, you wouldn’t even identify yourself. Besides the curly hair and the bad temper, I don’t keep much from you. Not because I don’t respect you; but because I’m not built of the substance of dreams that carries you on.

Stay safe in the school to where you’ve just transferred. The other students won’t immediately be nice to you, because you come from a city that they don’t even want to talk about. Don’t worry if you have to be alone during the breaks of the first term. Your colleagues will be watching you, and one day one of them will invite you to join his group. Within no time you’ll be friends with lots of beautiful people, and you’ll be invited to their parties. Within two years you will be vice president of the Students Association, and you’ll become an important pawn in boosting the students in the school context. You'll always be proud of that.

You'll start being interested in grunge guys, with longer and more careful hair than yours. There is no harm in that. At that age everything is permitted, and some of these people are not really as sluggish as they seem.

Are you familiar to P., that guy you met on that bar where you like to go on Friday nights? He’s going to become your best friend. Not now, but within 5 years you won’t give a step in your life without asking for his opinion. You'll build a complicity with him that only few people have the chance to know. You'll have the cooler and more hallucinatory moments with him. You'll call him occasionally at dawn for him to go offer his shoulder for you to cry. You’re gonna ask him for advice about guys, and you'll always discuss with him because he doesn’t give you the answers you really want to hear. The same will happen in reverse. Between detective games and lots of conversations about serious issues -- or others not so much -- you’ll be happy together, without major mutual demands.

Unfortunately this will not last forever and an aneurysm in the best chapter of P. will take the better over his life and your friendship. You won’t know how to deal with it. But do not worry: he’s going to leave you with someone, and you will start believing that somewhere he continues preserving your happiness. What am I talking about? About a cute green-eyed boy he’ll introduce you. This guy is not gonna show you much interest initially, and it won’t be before the second year after P.’s death that you two will meet and fall in love. Later he will ask you to marry him.

Don’t you believe it? I know that you don’t picture yourself as an obedient to social canons, but you’re going to get married. People won’t believe when you announce it to them, and some will want to be on your wedding just to check with their own eyes something in which none of them believed. But easy: things are not really that straightforward. Before that, there will be a time when you’re going to be back to back to love. But don’t worry: as your mother always said, what is to thee shall come to you naturally.

You'll go to the college you want. Two years later you’ll see yourself forced to change to another university in a more developed city, just so you can get a job to continue your studies. You'll thrill you with the money at the end of the month and the course will be relegated to the background. You’ll be confused for a while and you’ll question all your decisions. You’ll soon learn that only the fittest survive in the working world. You won’t survive the first time, but you’ll gain strength to face other obstacles. Even if you don’t understand it immediately, all the less good times will be part of good life lessons. Enjoy them.

I know that nowadays you proclaim to everyone that you were born to be an aunt and that you don’t see yourself as a mother. The prophecy will be fulfilled: your niece will be born and you will love her enormously. But someday you'll wish she had been born through your inward. You’ll decide you're ready, and you want to be a mother after all. Things won’t be very good on this matter and you’ll blame yourself. Try to raise yourself the best way possible. I hope you do a better job in this area than I did. I wish I could say more, but notice: even older, I still don’t know nothing about it.

Don’t hold on to the little problems that steal your smile. There is nothing better than your adolescence. Enjoy it.

* From the older R.

22 de abril de 2013

Quem quer uma oportunidade pelas Novas Oportunidades?


Eu: Boa tarde. Posso ajudá-la?
Ela: Sim. [Aos pulinhos de alegria.] Tenho boas novidades.
[Importa dizer que eu nunca tinha falado com esta pessoa!!!]
Eu: Então, quais são as boas novidades?
Ela: Em catogze de Magço deste ano tegminei o… [a gaguejar] o… o… 12º ano.
Eu: Ah boa!, parabéns.
Ela: E já com o estágio feito, tamém.
Eu: Muito bem. Então fizeste estágio em quê?
Ela: Enhe… enhe… Ténica Admenistgativa.

(Presumivelmente, um episódio assim não teria lugar no meu local de trabalho. Mas teve! Ter uma porta aberta ao público atrai todo o género de personagens, mesmo as mais inusitadas. Mas não é sobre isso que queria escrever.)

Nada contra a menina jovem ter terminado o 12º ano em catogze de Magço, mas é impossível não ficar encolerizada com estas aparentes facilidades de há uns anos para cá. Com os dois dedos de conversa que transcrevi em cima, e mais outros tantos que se seguiram, não tenho alternativa, senão acreditar que, fora das Novas Oportunidades, ela não teria alcançado este grau escolar. E como ela, muitos outros(as)!

Eu fui “filha” da reforma educativa perpetrada pela Manuela Ferreira Leite enquanto Ministra da Educação. Fiz parte dos milhares de jovens que inauguraram um sistema educativo diferente, com pressupostos de exigência e obrigatoriedade de estudar um sem número de disciplinas, mesmo as que não teriam qualquer contexto quando seguíssemos para a Universidade. Iniciámos o ano escolar sem saber o que teríamos de enfrentar, sem perceber o que eram esses Exames Finais que nos valeriam 50% da nota final. Era tudo, ou nada. Não cedemos aos obstáculos, não condescendemos aos nossos próprios caprichos, e estudámos tudo o que havia para estudar, da melhor forma possível.

Por altura dos Exames Nacionais, o meu pai foi internado no IPO após terem-lhe diagnosticado o seu primeiro(!!!) um cancro. Ia fazer uma operação de cabeça aberta, serrada, para lhe retirarem do cérebro um meningioma. Antes do internamento, despediu-se de mim em casa, beijou-me na testa e pediu-me que não tivesse pressa de o ir visitar ao hospital. «Mas papá…», tentei retorquir. Porém ele insistiu: queria que eu me concentrasse o mais possível nas minhas responsabilidades escolares, e não queria que um duro ambiente hospitalar, onde a oncologia deixa a descoberto a fragilidade do ser-humano, me detivesse e desconcentrasse. Fiz 3 exames naquela mesma semana. Enquanto eu matava o meu cérebro em casa a estudar, o meu pai debatia-se com a doença e tentava salvar o dele. Não o visitei, senão 6 dias depois da operação. A concentração no estudo assim o exigiu. E ele também.

Posto tudo isto, chateia-me a ideia de eu -- a par com milhares de outros alunos da minha geração -- ter deixado para trás coisas tão importantes da minha vida, como a saúde de um progenitor, para me afogar nos livros e terminar o secundário com a melhor nota possível. Actualmente, o 12º ano está ao desbarato. Há inclusive profissionais a serem pagos pelos nossos governantes para conduzirem até ao término da escolaridade obrigatória pessoas cuja cabecinha não lhes daria mais do que o antigo 2º ano do ciclo preparatório (e mesmo com tantas facilidades, há um sem número que tem de "ser levado ao colo"). E sabem o que é irónico no meio de tudo isto? É que um 12º ano nas Novas Oportunidades tem exactamente o mesmo mérito curricular que o 12º ano que conquistei sem visitar o meu pai no Hospital.



I didn’t translate this post because it is a critics to a recente educational activity advocated in Portugal. Please come back here tomorrow. Thank you. .¸¸.*

21 de abril de 2013

Dolce far niente


O concerto de ontem foi fenomenal. É indubitável que ela cresceu um bocadinho, e que por consequência, toda a sua musicalidade está mais madura. Os sons estão mais jazzísticos, e se dúvidas haviam, ela tornou-se a verdadeira mulher dos 7 instrumentos: já lhe conhecia os dotes para a guitarra, para o cavaquinho, para a harpa, para o xilofone e para o violoncelo; ontem surpreendeu com um banjo e tocou pela primeira vez piano para o público. (Como ela mesma disse, se corresse mal seríamos os únicos no mundo a tê-la ouvido naquele instrumento. Correu bem.) Foi o primeiro concerto desta nova tournée, e o público estava ainda tímido. No final tive mais uma vez oportunidade de trocar umas palavrinhas com ela. Ficou a promessa de tornar a encontrarmo-nos quando ela subir novamente ao centro norte. A sua música faz-me bem.
Yesterday’s concert was exceptional. Undoubtedly, she grew up a little, and as a result, her musicality is more mature. The sounds are jazzier, and if there were any doubts, she really became a true seven instruments woman: I already knew her talent with the guitar, the ukulele, the harp, the xylophone and the cello; yesterday she surprised with a banjo and played also piano for the first time to an audience. (As she said, if it went wrong, we would be the only ones in the world to have heard her on that instrument. It went well.) This was the first concert of her new tour, and the public was still shy. In the end I had another opportunity to exchange a few words with her. I promised to gather up with her again next time she comes to the northern center. Her music lifts me up.


O dia hoje começou cedo e com uma cãominhada com o mais velho.
The day started early today and with a walk with the oldest.


Entretanto o sol já subiu, e tenho pressa de ir fazer a sempre necessária fotossíntese. Tenho junto de mim tudo aquilo de que preciso para bem usufruir deste Domingo soalheiro. Reparem:
Meanwhile the sun has already risen, and I want to hurry to go do the always necessary photosynthesis. I have with me everything I need to enjoy this fine sunny Sunday. Notice it:

Ócio. | Leisure time

Leituras | Reading

O mais recente CD no mais velho rádio | My newst CD on my oldest radio
Personalizações | Personalizations

Carpe diem, you all.