20 de abril de 2013

There's a flower in my blog

Para mim ela é a maior promessa actual da música portuguesa, e conquistou-me aos primeiros acordes de The Cherry On My Cake. Se ainda estivéssemos no tempo do vinil, estou certa de que teria riscado o disco de tantas vezes o ter ouvido. Infelizmente ainda não pude entrosar-me e familiarizar-me com o novíssimo There’s a flower in my bedroom. Mas como não consigo negar-me a um dos seus concertos sempre que ela viaja para um código postal próximo do meu, logo à noite vou a mais uma sessão de intimismo musical com Luísa Sobral. Por ora vou aproveitar os raios de sol ao som de:

To me she’s the greatest promise of current Portuguese music, and she won me over with the first chords of The Cherry On My Cake. If we were still in the days of vinyl, I'm sure I’d have scratched the disk considering the times I’ve listen to it. Unfortunately, I couldn’t yet fit in and familiarize myself with the brand new There's A Flower In My Bedroom. But as I cannot deny myself one of her concerts whenever she travels to a zipcode near mine, tonight I’m going to another session of musical intimacy with Luisa Sobral. For now I'll enjoy the sun by the sound of:



19 de abril de 2013

Danos colaterais | Collateral damage


Ao longo da minha vida escolar cruzei-me com um sem número de professoras que teriam, indubitavelmente, uma insatisfatória vida sexual. Os sinais estavam todos lá: a pele baça, o cabelo sem brilho, o aborrecimento constante, o ar de mágoa a enrugar o rosto, a tentativa de se sobrevalorizar a qualquer preço, a arrogância, o sorriso inexistente, a necessidade de transferir para os outros a frustração em que se encontravam submersas… Na altura, se tinha de lhes dizer na cara o que sabia ser o seu real problema, não me coibia. Não temia um eventual risco, que no máximo seria uma nota enviada ao meu Encarregado de Educação dando conta da minha desobediência e insubordinação.

Os anos passaram, e eu já nada sei das minhas professoras. Mas ao longo da minha profissionalidade tenho vindo a lidar com muita gente, às quais reconheço os ditos sinais. Acontece que, a todo o custo, tento calar a rebelde em mim. Por vezes funciona; outras vezes nem tanto. E enquanto ninguém escreve no temido livro amarelo a meu respeito, só me apraz perguntar: porque será que quando alguém não f&%$, anda por aí a tentar f$%&# o juízo de quem está a trabalhar?

[Desculpem a brejeirice.]



During my school life I came across a great number of teachers, who certainly had an unsatisfactory sex life. The signs were all there: dull skin, dull hair, constant annoyance sadness look wrinkling the face, trying to overvalue them at any price, arrogance, nonexistent smile, the need to transfer to the others the frustration in which they were submerged... By that time, if I had to tell to their face what their real problem was, I wouldn’t prevent myself from doing it. I didn’t fear the possible risk, which would be at most a note sent to my father informing about my disobedience and insubordination.

Years passed, and I know nothing about my teachers. But throughout my professional life I have been dealing with a lot of people, to whom I recognize the signs I said. It turns out that, at all costs, I try to silence the rebel in me. Sometimes it works, sometimes it doesn’t. And while no one writes on the dreaded complaints book about me, I can’t help but wonder: why on Earth, when people don’t f&%$, they go on trying to f$%&# the nerves to people who’s working?

[Sorry about the vulgarity.]

18 de abril de 2013

Sunday, sunny sunday ♫

O fim-de-semana não tarda. Para os que, como eu, não dispensam os primeiros raios de sol para fazer a tão almejada fotossíntese, ou apenas para equilibrar endorfina e serotonina, hoje deixo a sugestão: o Cruzeiro das 6 Pontes no Douro. Vistas do rio, as cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia ganham toda uma nova magia, escarpadas nas margens, cheias de cor e de vida. Foi para lá que remámos no último Domingo. Porque todas as desculpas são boas para subir a um barco. Fica a documentação fotográfica.

Weekend is coming soon. For those who, like me, don’t spare the first sunbeams to do the so yearned photosynthesis, or just to balance endorphin and serotonin, today I let you with one suggestion: the 6 Bridges Cruise in Douro. Viewed from the river, the cities of Porto and Vila Nova de Gaia gain a whole new magic, steeped on the shores, full of color and life. We’ve rowed there last Sunday. Because all the excuses fit just to step into a boat. Here is the photographic documentation.











Diverti-me imenso.
I've had a blast.

17 de abril de 2013

«Estamos tramados.» | «We’re doomed.»

Começar a ouvir falar de catástrofes profissionais eminentes logo às 8h15 da manhã é exercício não aconselhável a corações fracos, não vá sofrermos com alguma arritmia.

Start listening to eminent professional catastrophes at 8:15 in the morning is not an advisable exercise to weak hearts, or one might suffer an arrhythmia.

16 de abril de 2013

Desafio à Leitura


Os que ao longo destes dois meses passearam com mais atenção neste blog, terão percebido que tenho uma relação visceral com a leitura, e por consequência com os livros. (Os mais distraídos, puderam talvez percebê-lo graficamente.) Falo em leitura genericamente, pois todos os dias tenho que acalmar esta ânsia de conhecimento que me consome, e por vezes só há tempo para uma visualização diagonal de algumas páginas. Quando os minutos estão contados, contento-me com a leitura de um ou dois artigos da Revista Sábado, a qual adquiro religiosa e semanalmente. Quando o tempo o permite, mergulho nos livros com toda a minha atenção e devoção. Sou a favor da monogamia no que aos livros diz respeito; quer isto dizer que nunca leio mais do que um título de cada vez. De um modo geral o livro e as personagens consomem todos os meus sentidos, pelo que me permito apenas um título de cada vez. (E sempre fiquei fascinada ao olhar para a mesa-de-cabeceira do J., onde se acumulam sempre 4 ou 5 livros, cuja leitura ele consegue fazer no mesmo espaço temporal, sem se deixar atropelar por confusões ou desarrumações de narrativas.)

Posto isto, já estava há imenso tempo em falta com a resposta àquele que foi o primeiro (e único, até à data) selo / desafio deste blog. Ainda em Março a Vivi do Esqueci-me de Viver lançou-me neste repto à leitura, e porque entretanto outros temas e assuntos se sobrepuseram, vim hoje responder ao mesmo.


Responder ao desafio é a parte mais fácil. Difícil foi seleccionar o título de sugestão. Assim, para não ferir as minhas susceptibilidades, decidi mencionar (e por consequência, sugerir) o título que estou a reler no momento (um dos meus favoritos de sempre) e aquele que eu arrisco apontar como o favorito (digo “arriscar”, porque os livros são como os amigos: cada um tem alguma coisa de especial, e quando seleccionamos aquele a quem queremos chamar de “melhor”, de certo modo estamos a relegar para segundo plano outros que são também muiiiiiito bons).

O do momento:
«A insustentável leveza do ser» -- Milan Kundera, Edições Dom Quixote.


Kundera escreveu este romance com uma intenção crítica: a imposição do kitsch. Segundo ele, o kitsh arruína a arte porque lhe confere uma falsa ideia de perfeição. E todos os sistemas e esferas, mesmo a arte, têm aspectos negativos que não podem, nem devem, ser omitidos. A minha personagem favorita é Sabina: complexa e inconformista, tem a sua própria noção de alguns dos léxicos sociais, e recusa-se a fazer parte de uma maioria não indagadora. Acima de tudo esta narrativa pretende focar-se na necessidade que todos temos de nos inserirmos num grupo, numa sociedade, levando a que muitas vezes nos esqueçamos dos nossos próprios intuitos e vontades em prol dessa necessidade de inserção. Perfeito para o momento em que me encontro.

“O tal”:
«As velas ardem até ao fim» -- Sándor Márai, Edições Dom Quixote


Esta história tem dois narradores diferentes, mas ambos igualmente interessantes, com o poder de nos manter agarrados à acção, que é sobretudo emocional. Talvez seja isto que eu mais gosto neste título. O segundo narrador é concomitantemente protagonista da história, e tem um discurso muito introspectivo, fazendo inúmeros flashbacks para nos inteirar do porquê de um jantar à luz das velas tornar tão sombria uma existência física tão nobre, num palácio perdido no meio da floresta. Este livro é um verdadeiro tratado de psicanálise, a fazer lembrar muitas teorias freudianas. No final ficamos sem saber com que protagonistas nos identificamos, pois todos têm inúmeras nuances que atropelam as várias alçadas sobre as quais todos somos construídos. Não revelo muito mais, mas estas páginas consumir-vos-ão até ao tutano, tal como o fogo consome as velas que iluminam a narrativa.


Agora queria lançar o mesmo repto a algumas pessoas. Este selo / desafio tem algumas regras, que passo a transcrever:

* Referir quem nos indicou.
* Escolher 10 blogues a quem passar este selo.
* É expressamente proibido levar o selo sem convite.
* Avisar os blogues que foram convidados.

E porque eu não posso passar o selo a toda a gente, fiquei com vontade de o entregar…
…à Rachelet (Sei que és devoradora de livros, e pelo teu carácter megalómano, aposto que as sugestões serão igualmente grandiosas.)
…ao Ice Truck Killer (Porque já percebi que percebe carradas desta coisa de livros, e eu gostava de saber para que géneros se inclina.)
…ao Diogo (Os teus leitores sabem quais os livros na tua cabeceiras. Mas… qual é “o tal”?)
…à Wallis (Porque gostava de saber o que te prende aos livros para lá de Saramago. E porque ainda por cima não páro de pensar no teu comentário que insinuava a criação de um Clube de Leitura.)
…à Ana  (O que lês quando estás sozinha nos quartos de hotéis por esse mundo fora?)
...ao Mustache (Porque aposto que haverá muita filosofia na tua sugestão.)

[Peço desculpa aos que não visei como destinatários(as) deste desafio. Mas se se sentirem impelidos a isso, utilizem a caixa de comentários para me(nos) falar dos vossos títulos de eleição.]

I didn’t translate this post because it consists in a challenge to some Portuguese bloggers. Please come back again another day. Thank you. .¸¸.*

13 de abril de 2013

Ególatras Umbilicais | Umbilical egotistical


Saí esbaforida naquele dia. Apressei-me pelas escadas abaixo, cruzei com um vizinho que não consigo descrever e deixei escapar um "bom dia, como vai?". Nem dei importância à ausência do seu feedback! Sabia ir encontrar um dia agitado depois da porta do prédio, e não me podia deter em hesitações.

Enquanto descia a avenida e analisava o meu reflexo nas montras das lojas, não fosse ter trajado algo do lado do avesso, tropecei nuns quantos rostos familiares. A eles sorri e questionei "passou bem?". Alguns espécimes mais distraídos responderam em gestos mecânicos. Talvez até nem me tenham notado.

Outros conhecidos, menos desatentos, devolveram-me a questão com a devida direcção, mas na verdade eu também não lhes ofereci qualquer resposta.

Quando começava a reflectir que naquela manhã ainda não me tinha aberto ao mundo, ou recebido um sinal da sua abertura para comigo, algo fez-me despertar numa maior clarividência. Já quase a chegar ao local de trabalho, avistei a Ana. Sustive-me por alguns segundos na ponderação das minhas obrigações sociais e escolhi esperar para lhe dar um "olá".

Assim que percebeu a minha presença, rasgou o sorriso e acelerou o passo. Enquanto nos cumprimentávamos, deixei escapar um natural "estás boa?", quando quase em simultâneo recebia a questão "como estás?". Em frases apressadas e atropeladas contei-lhe do projecto em que estava envolta e de como andava tão realizada, quanto cansada.

De sorriso solidário, a Ana afagou o meu ânimo com algumas palavras de força e falou-me de si. Entre relatos e histórias breves dos seus sucessos pessoais e profissionais, percebi no seu júbilo quão cristalina estava a sua aura.

Não despendi mais do que dez dos meus preciosos minutos e acabei aquele deleitoso encontro com um suspiro sorridente invejavelmente invejoso. Fiquei feliz pela minha amiga! Mas acima de tudo fiquei surpreendida pelo carácter rejuvenescedor daquela troca de palavras.

Quando me sentei à secretária para começar a organizar o trabalho daquele dia, já nada me soava a aborrecido ou fastidioso! Foi então que fui assaltada por uma questão concreta do meu subconsciente:

Em que altura da nossa vida somos forçados a voltar-nos para o nosso umbigo, acreditando que nunca há tempo para mimar as nossas afeições, ao invés de realmente desejar uma resposta quando saudamos alguém?




I left breathless that day. I hurried down the stairs, ran into a neighbor who I cannot describe and I let out a “good morning, how are you”. I didn’t mind with the absence of his feedback! I knew I was going to face a busy day on the other side of the door of the building, and I could not halt myself.

While walking down the street and looked at my reflection in the shop windows (to check if I’d dressed something inside out), I stumbled on many familiar faces. I smiled at them and questioned “how are you?”. The more sidetracked specimens responded with mechanical gestures. Maybe they haven’t even noticed me.

Other acquaintances, less distracted, returned the question to me with proper direction, but I actually did not offer them any answer.

When I started thinking that on that morning I hadn’t open myself to the world, or received a signal of its opening to me, something made ​​me wake up in greater clarity. Almost arriving to work, I saw Ana and I held me for a few seconds in the weighting of my social obligations and I chose to wait to tell her “hi”.

As soon as she noticed my presence, she tore her smile and quickened her pace. As we greeted each other, I let out a natural "are you ok?", when almost simultaneously I received the question "how are you? '. In hasty and run over sentences I told her about the project in which I was wrapped and how I was fulfilled, even if tired.

With a supportive smiling, Ana petted my spirits with some words of strength and told me about herself. Among reports and brief stories of her personal and professional successes, I realized in her exultation how crystal clear her aura was.

I did not spend more than 10 minutes of my precious time and I finished that delightful encounter with an enviably envious smiling sigh. I was happy for my friend! But most of all, I was surprised by the rejuvenating nature of that exchange of words.

When I sat at my desk to start organizing the job for that day, nothing sounded boring or tedious to me! It was then when I was assaulted by a concrete question of my subconscious:

At what point of our lives are we forced to turn to our belly, believing that there is never time to indulge our affections, rather than really wanting an answer when we greet someone?

12 de abril de 2013

R. del Piño vs. R. del Pumba

Baptizada de Maria das Lamentações, a Vivi eternizou-se no seu Esqueci-me de Viver, e em menos de 2 meses de blogosfera, conseguiu um número impressionante de leitores, seguidores e comentadores. Tal proeza deve-se em parte à sua simpatia, mas sobretudo à interactividade que ela própria gera na sua página. Fui incitada por ela a participar num desafio que consistia em contar algum episódio engraçado, aproveitando o anonimato de que normalmente fazemos uso por aqui. Eis a minha participação hoje publicada por lá:

21 anos. Primeiro dia de trabalho na administração de uma grande superfície comercial. Roupa nova. Casaco de cabedal vermelho, top lindo de seda (sem costas, mas não era suposto ninguém ver), calcinha preta, vincada, com dobra no fundo da perna (na altura usava-se), e umas botas vermelhas, com um salto de 12cm. A apresentação correu bem, o início do trabalho também, e teria sido o perfeito primeiro dia de trabalho, não fosse o… incidente. A hora de almoço estava apertada. Como estava em início de funções, tinha trabalho atrasado. Decidi descer ao shopping para comer uma sopa rápida, ou outra coisa qualquer. Acontece que o que separava o espaço da administração com a o primeiro piso do centro eram três lanços de escadas, íngremes e cansativas. Correr nelas já era suicídio. Correr de saltos altos, era para kamikazes. Correr de saltos e com calças compridas com dobra no fundo foi combinação catastrófica: o salto prendeu-se na dobra, a bainha das calças descoseu, o salto partiu, para me tentar equilibrar lancei-me com os braços na frente, fiz demasiada força, as mangas do casaco descoseram, e eu estatelei-me por 7 ou 8 degraus abaixo. De repente estava ali, toda rota, descosida, descabelada e sem um salto de uma bota. Estava a tentar cair em mim de novo, quando ouvi a porta de cima. Tentei levantar-me a tempo, para que ninguém me visse naquele estado, mas já não fui a tempo. A secretária da administração viu-me, tentou dar-me cobertura, e querida, disse que me ia buscar uma sopa, para eu não ir “passear” assim para o shopping. Voltei ao escritório, e como estava com o casaco descosido, decidi tirá-lo. A ausência do salto da bota foi disfarçada em bicos de pés. A bainha das calças disfarçada com fita-cola. E eu fiquei o resto da tarde a trabalhar assim, de costas desnudadas, com o meu director a insinuar que não estava assim tanto calor. A secretária não contou a ninguém, e só meses mais tarde decidimos abrir o jogo de como eu tinha assentado logo no meu primeiro dia. A partir daí ninguém me tratou mais por R. del Piño, mas por R. del Pumba.

11 de abril de 2013

Ontem | Yesterday


Depois da revelação de ontem, são poucas as palavras que me trazem hoje aqui. Houve quem dissesse que foi corajoso. Houve quem dissesse que foi arrojado. Houve quem se comovesse. Houve quem chorasse. Houve quem tentou animar-me. Houve quem quis devolver-me a esperança. Houve quem se identificasse. Houve quem dissesse esperar que tal não lhes acontecesse. Houve comentários e houve e-mails. Se as minhas palavras e a minha exposição serviram para sensibilizar mais alguém para o tema, então valeu a pena. Se os meus aforismos e a minha manifestação servirem para, futuramente, ajudarem alguém [ou a vós mesmos(as)], então dou por bem empregue ter usado este poderoso veículo de comunicação para falar sem tabus sobre um assunto que pelos vistos muitos tentam calar -- porque ninguém gosta de falar de rubricas sérias. Porque quando eu precisei, não houve ninguém que estivesse realmente preparado para me ouvir, para me confortar. Desenganem-se os que pensam que a forma como expus foi demasiado crua e bruta. É assim, tal e qual, que se sentem todas as mulheres que tiveram vidas arrancadas do ventre. O discurso, a vontade de morrer, o desespero e a esperança em decréscimo são traços transversais a todas nós. E não importam credos, crenças, raças ou cores. Uma esperança roubada dói no coração de todas nós de modo semelhante.

Obrigada por estarem desse lado e não desistirem de me ler.

Afteryesterday’s disclosure, there are only a few words that made me come here today. Some said it was gutsy. Some said it was daring. Some were moved at that. Some cried. Some tried to cheer me up. Some tried to give me back hope. Some identified to it. Some said they were not expecting that to happen with them. Some stated it on the commentaries form and some e-mailed me. If my words and my exposure served to sensitize the subject to someone else, then they were worth it. If my aphorisms and my manifestation help someone in the future [or even yourselves], then it was worth it using this powerful means of communication to talk about a subject without taboos; a subject that many apparently try to silence -- because no one likes to talk about serious things. Because when I needed it, there was no one really prepared to listen to me, to comfort me. Don’t make a fool of yourselves thinking that the way I expressed it was raw and brutal. This is it: the way all women who have had lives ripped away from their womb feel. The speech, the wish to die, the despair and the hope in decline are traits that cut across all of us. And creeds, beliefs, races or colours don’t matter at all. A stolen hope hurts our heart in similar ways.

Thank you for being on that side and not giving up reading this.