Os que ao longo destes dois meses
passearam com mais atenção neste blog, terão percebido que tenho uma relação
visceral com a leitura, e por consequência com os livros. (Os mais distraídos,
puderam talvez percebê-lo graficamente.) Falo em leitura genericamente, pois
todos os dias tenho que acalmar esta ânsia de conhecimento que me consome, e
por vezes só há tempo para uma visualização diagonal de algumas páginas. Quando
os minutos estão contados, contento-me com a leitura de um ou dois artigos da
Revista Sábado, a qual adquiro religiosa e semanalmente. Quando o tempo o
permite, mergulho nos livros com toda a minha atenção e devoção. Sou a favor da
monogamia no que aos livros diz respeito; quer isto dizer que nunca leio mais
do que um título de cada vez. De um modo geral o livro e as personagens
consomem todos os meus sentidos, pelo que me permito apenas um título de cada
vez. (E sempre fiquei fascinada ao olhar para a mesa-de-cabeceira do J., onde
se acumulam sempre 4 ou 5 livros, cuja leitura ele consegue fazer no mesmo
espaço temporal, sem se deixar atropelar por confusões ou desarrumações de
narrativas.)
Posto isto, já estava há imenso tempo
em falta com a resposta àquele que foi o primeiro (e único, até à data) selo /
desafio deste blog. Ainda em Março a Vivi do Esqueci-me de Viver lançou-me
neste repto à leitura, e porque entretanto outros temas e assuntos se
sobrepuseram, vim hoje responder ao mesmo.
Responder ao desafio é a parte mais
fácil. Difícil foi seleccionar o título de sugestão. Assim, para não ferir as
minhas susceptibilidades, decidi mencionar (e por consequência, sugerir) o
título que estou a reler no momento (um dos meus favoritos de sempre) e aquele
que eu arrisco apontar como o favorito (digo “arriscar”, porque os livros são
como os amigos: cada um tem alguma coisa de especial, e quando seleccionamos
aquele a quem queremos chamar de “melhor”, de certo modo estamos a relegar para
segundo plano outros que são também muiiiiiito bons).
O do momento:
«A insustentável leveza
do ser» -- Milan Kundera, Edições Dom Quixote.
Kundera escreveu este romance com uma intenção
crítica: a imposição do kitsch. Segundo ele, o kitsh arruína a arte porque lhe
confere uma falsa ideia de perfeição. E todos os sistemas e esferas, mesmo a
arte, têm aspectos negativos que não podem, nem devem, ser omitidos. A minha
personagem favorita é Sabina: complexa e inconformista, tem a sua própria noção
de alguns dos léxicos sociais, e recusa-se a fazer parte de uma maioria não indagadora.
Acima de tudo esta narrativa pretende focar-se na necessidade que todos temos
de nos inserirmos num grupo, numa sociedade, levando a que muitas vezes nos
esqueçamos dos nossos próprios intuitos e vontades em prol dessa necessidade de
inserção. Perfeito para o momento em que me encontro.
“O tal”:
«As velas ardem até ao fim»
-- Sándor Márai, Edições Dom Quixote
Esta história tem dois narradores
diferentes, mas ambos igualmente interessantes, com o poder de nos manter
agarrados à acção, que é sobretudo emocional. Talvez seja isto que eu mais
gosto neste título. O segundo narrador é concomitantemente protagonista da
história, e tem um discurso muito introspectivo, fazendo inúmeros flashbacks
para nos inteirar do porquê de um jantar à luz das velas tornar tão sombria uma
existência física tão nobre, num palácio perdido no meio da floresta. Este
livro é um verdadeiro tratado de psicanálise, a fazer lembrar muitas teorias
freudianas. No final ficamos sem saber com que protagonistas nos identificamos,
pois todos têm inúmeras nuances que atropelam as várias alçadas sobre as quais
todos somos construídos. Não revelo muito mais, mas estas páginas
consumir-vos-ão até ao tutano, tal como o fogo consome as velas que iluminam a
narrativa.
Agora queria lançar o mesmo repto a
algumas pessoas. Este selo / desafio tem algumas regras, que passo a
transcrever:
* Referir quem nos indicou.
* Escolher 10 blogues a quem passar
este selo.
* É expressamente proibido levar o
selo sem convite.
* Avisar os blogues que foram
convidados.
E porque eu não posso passar o selo a
toda a gente, fiquei com vontade de o entregar…
…à Rachelet (Sei que és devoradora de
livros, e pelo teu carácter megalómano, aposto que as sugestões serão
igualmente grandiosas.)
…ao Ice Truck Killer (Porque já
percebi que percebe carradas desta coisa de livros, e eu gostava de saber para
que géneros se inclina.)
…ao Diogo (Os teus leitores sabem
quais os livros na tua cabeceiras. Mas… qual é “o tal”?)
…à Wallis (Porque gostava de saber o
que te prende aos livros para lá de Saramago. E porque ainda por cima não páro de pensar no teu comentário que insinuava a criação de um Clube de Leitura.)
...ao
Mustache (Porque aposto que haverá muita filosofia na tua sugestão.)
[Peço
desculpa aos que não visei como destinatários(as) deste desafio. Mas se se
sentirem impelidos a isso, utilizem a caixa de comentários para me(nos) falar
dos vossos títulos de eleição.]
I didn’t
translate this post because it consists in a challenge to some Portuguese bloggers.
Please come back again another day. Thank you. .¸¸.*








