6 de abril de 2013

Livros | Books

Bem mais de 1.000. Organizados por ordem alfabética do sobrenome do autor.
Over 1,000. Alphabetically organized by author's surname.

5 de abril de 2013

Audácia ou idiotice? | Boldness or silliness?

Foi em 2008, aquando da visita ao Centro George Pompidou, que me deparei pela primeira vez com a afronta. Ali, entre as obras e as instalações de uma das maiores colecções de arte do mundo, ela exibia-se com orgulho. Pior ainda: não era apenas uma, singular; eram 3, no plural. Sim, 3. Iguais. Exactamente iguais, mas de artistas diferentes. Como se fosse possível, do ponto de vista da concepção artística, 3 “pintores”, em momentos, países e culturas distintas, terem a mesma ideia e pintarem telas semelhantes. Passei alguns minutos da minha vida a rir a bandeiras despregadas com aquilo que via. Numa fracção do tempo pensei que fosse uma brincadeira. Logo a seguir cheguei até a indagar que talvez fosse eu, inculta na matéria, incapaz de interpretar aquelas que orgulhosamente se exibiam para mim, como se dissessem: somos simples, mas tu não nos entendes. Felizmente caí logo em mim, e percebi realmente do que se tratava: 3 pintores, dos tais momentos, países e culturas distintas, aproveitaram um claro momento de desinspiração e pintaram 3 telas de branco. Pior do que o vitupério ostentado, foi ler na sinalética de uma das telas, aquilo que a “artista” (não me lembro do nome; apenas recordo o género) escrevia acerca da técnica do pincel. Surreal! Como se numa tela branca pudéssemos apreciar e reconhecer a dita.

Recordei-me deste momento no último fim-de-semana, aquando da visita à Colecção Berardo no CCB: naquela que é a maior colecção de arte exposta em Portugal, na segunda parede de entrada do museu, lá estava ela novamente: a tela branca. Provavelmente pintada por um quarto “artista” não-relacionado com os 3 que expunham no Pompidou. Mais um claramente desinspirado, que decidiu contornar o seu desacerto com ignomínia. Junto à tela havia uma inscrição dando nota de que o conteúdo daquela “obra” devia ser mantido em segredo; que a dinâmica da mesma devia ficar apenas sob o conhecimento de quem a havia concebido. Engraçadinho, não? Não vale a pena oferecerem-me grandes explicações filosóficas sobre uma tela branca, que ela está no seu estado mais puro, o da pré-pintura. Também não a justifiquem como uma pintura em potência; porque se assim fosse, ela estava na Papelaria Fernandes à espera de ser comprada por um verdadeiro artista, ao invés de estar a ser exibida como obra final de um pintor de arrojo. Como alguém dizia no outro dia, é como comparar a obra-prima do mestre, com a prima do mestre-de-obras¹.

[¹ Desculpa a usurpação, Diogo. Mas eu tinha avisado que ia roubar, não tinha?]


It was in 2008, when visiting Centre George Pompidou, when I faced the outrage the first time. There, between works and installations of one of the largest art collections in the world, it was exhibiting itself with pride. Worse than that: it wasn’t just one, singular; they were 3, plural. Yes, 3. Totally equal. Exactly the same, but from different artists. As if it was possible, from the point of view of artistic design, 3 "painters", at distinct times, countries and cultures, have the same idea and paint similar canvas. I spent a few minutes of my life laughing out loud with what I was seeing. I thought it was a joke during a fraction of time. Then I actually wondered that maybe I, uneducated in the matter, was unable to interpret those who proudly were exhibiting to me, as if they were saying: we are simple, but cannot understand us. Luckily my mind got clear then, and I realized what it really was: 3 painters took a clear advantage from a non-inspirational moment and painted everything in white. Worse than the flaunted insult, was the signage of one of the canvas: the artist was explaining the brush technique. Surreal! As if in a white canvas we could appreciate and recognize it.

I remembered this moment in this last weekend, when visiting Berardo’s Collection in CCB: in the biggest collection of art in Portugal, on the second Wall at the entrance of the museum, there it was again: the white canvas. Probably painted by a fourth “artist”, non-related to the other 3 that were in exhibition in Pompidou. Another one with a lack of inspiration, who decided to skirt around his mistake with ignominy. Near the canvas there was an inscription telling that the content of the piece should be kept in secret; that the dynamics of it should only be under the knowledge of whom had conceived it. Funny guy, isn’t he? It is not worth offering me great philosophical explanations about a white canvas; that it is in its pure state, the pre-painting state. Please don’t try also to justify it with potential. If it was so, it should be in some stationery waiting to be bought by a real artist, instead of being displayed as the final work of a painter with audacity.

4 de abril de 2013

Sobre a desilusão na Casa de Fernando Pessoa | About the disillusion at the House of Fernando Pessoa

Talvez por melhor me identificar com filosofias orientais e ser altamente anticientífica, o lado de apego ao oculto, à astrologia e até à numerologia não me fascina. Talvez por isso eu, R. del Piño, fã confessa da literatura pessoana, sempre pus na borda do prato tudo o que a estas ciências dizia respeito aquando da leitura de livros, poemas e ensaios do grande mestre das palavras. (Regurgita de êxtase, Happy Woman: se Pessoa fosse vivo, ganhavas um esfusiante leitor.)

Por isso, apontar a tão ansiada visita à última morada em vida do meu autor / poeta favorito, aquando da exposição temática sob o heterónimo de Raphael Baldaya, o sábio astrólogo, foi -- só por si -- um golpe de azar. Porém, independentemente da decoração temática não estar ao meu gosto, esperava ver um espaço muito mais dinâmico, completo, com várias facetas, muita pessoalidade, muita personalidade, muitos personagens… enfim, algo a fazer jus à diversidade e à multiplicidade de Fernando Pessoa.

Ao invés disso encontrei um espaço empobrecido, de paredes claras preenchidas com lettrings da mesma ode de Ricardo Reis («Se a ciência é vida, sábio é só o néscio. / Quão pouca diferença a mente interna / Do homem da dos brutos! Sus! Deixai / Brincar os moribundos!»), como se o poeta com um dos mais vastos espólios reconhecidos, fosse apenas uns simples versos. Gostava de ter visto algo a fazer jus à sua pluralidade.

Gostava que houvesse uma reminiscência ao mais íntimo de Álvaro de Campos («Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada») ou de Ricardo Reis («Para ser grande, sê inteiro»), versos que tão bem ilustram um dos principais desassossegos em vida do autor do “Livro do Desassossego”.

É um facto que Pessoa era despegado dos objectos do quotidiano, mas havia de ter reunido qualquer coisa mais para além dos óculos (serão originais?), do bloquinho de bolso, da cigarreira, do livro de orações e da boquilha. Uma outra estante preenchida com objectos de barbearia, gentilmente doados pelo filho do barbeiro pessoal de Pessoa, é para inglês ver: em primeiro lugar, porque são apenas objectos que em nada nos contam da pessoa de Pessoa, de quem queremos saber mais; em segundo lugar, porque são objectos genéricos, que muito provavelmente nem sequer foram utilizados pela pessoa de Pessoa.

O quarto… que dizer? Como a casa estava sob a heteronímia de Baldaya, estava decorado de panos negros, com a calendarização astrológica de cada signo, e uma colcha medonha, cheia de sóis e luas, daqueles que reflectem no tecto (blarghhh!). Demasiado esotérico e sombrio para o meu gosto. Nenhum génio merecia que o recordassem desta maneira.

Mas calhou que esse génio nasceu num país que aprecia muito pouco a literatura. Calhou que o génio viajou por outros continentes, assentou arraiais noutros meios, mas decidiu exibir com orgulho a sua pátria na sua identificação, e veio terminar os seus dias neste país. Calhou ter deixado aqui a sua última morada. E o nosso Estado, esse portento da idiotice e da ignobilidade, que é o detentor real da Casa Fernando Pessoa, vai continuar a preferir subsidiar os rendimentos mínimos, a espalhafatosa Vasconcelos ou as touradas (este sim, o verdadeiro espectáculo reflector da cultura portuguesa -- porque na sua maioria alimenta néscios, aparvalhados, brutos e idiotas).

Como ele próprio dizia, “a minha pátria é a minha língua”. Subscrevo. Porque a minha pátria não pode ser a que maltrata o maior mago das palavras que alguma vez conheci.

Porta da casa
House's door

Maybe because I identify myself more with Eastern philosophies and I’m highly unscientific, clinging to the side of the occult, astrology and numerology doesn’t fascinate me at all. Maybe that's why I, R. del Piño, confessed fan of Pessoa, always left aside everything in his literature related to these sciences, when reading the books, poems and essays of the great master of words. (You may regurgitate of ecstasy, Happy Woman: if Pessoa was alive, you’d have one more bubbly reader.)

So, scheduling the expected visit to the last address of my favourite author / poet to when his house was under the thematic exhibition of the heteronym Raphael Baldaya the wise astrologer, was -- in itself -- a stroke of bad luck. However, regardless the themed decor not fit to my taste, I expected to see something much more dynamic, complete, with multiple facets, much personality, a lot of character, many characters ... well, something to do justice to the diversity and multiplicity of Fernando Pessoa.

Instead, I found a dwindling space, with bright walls filled with the same ode of Ricardo Reis in different lettrings, as if the poet with one of the largest recognized literary estates, was just a few simple lines.

I would love to have seen something to live up to his plurality. I wish there was a throwback to the most intimate of Álvaro de Campos and Ricardo Reis, verses that so well illustrate one of the major anxieties of the author of the "Livro do Desassossego" during his life.

It is a fact that Pessoa was peeled from everyday objects, but there should have been gathered anything more beyond the glasses (are they original?), the pad pocket, the cigarette, the prayer book and the mouthpiece. Another bookcase filled with barbershop objects, kindly donated by the son of Pessoa’s barber, is show-off: first, because they are just objects that tell us nothing about someone; second, because they are generic objects, they probably weren’t even used by Pessoa.

The room… what to say? As the house was under the heteronym of Baldaya, it was decorated with black clothes, with the astrological calendar of every zodiac sign, and a hideous quilt, filled with suns and moons, those that reflect on the ceiling (blarghhh!). It was too esoteric and dark for my taste. No genius deserves to be remembered this way.

But it happened that this genius was born in a country that doesn’t enjoy literature. It happened that the genius travelled overseas, sat camp in other places, but decided to proudly display his homeland in his identification, and came to finish his days in this country. And our government, this portent of idiocy and ignobleness, which is the real owner of Casa Fernando Pessoa, will continue to subsidize the minimal incomes, the tawdry Vasconcelos or bullfighting (and this is the real reflector show of the Portuguese culture -- because it feeds mostly bamboozles, foolish, gross and stupid).

As he used to say, "my homeland is my language". I agree. Because it cannot be the one that mistreats the greatest magician of words I've ever met.

3 de abril de 2013

Inveja na Casa dos Bicos | Envy in Casa dos Bicos

É impossível entrar na Casa dos Bicos e não ficar imediatamente rendido(a) ao talento de Saramago. Mesmo os mais indolentes leitores, os que chegam mesmo a ignorar a identidade de Blimunda, Baltasar, Sara da Conceição ou a Rapariga dos Óculos Escuros, não serão alheios à mestria do nosso único Nobel da Literatura. É impossível não enfatizar aqui o “nosso”, com todo o orgulho que me dá saber que os seus originais são portugueses. As escadas íngremes e iluminadas são pedaços de literatura, com frases recortadas do autor. A biblioteca é invejável. A audioteca é viciante. Até a loja de lembranças é entusiástica. Mas o que mais me surpreendeu, maravilhou, extasiou, deslumbrou, fascinou, assombrou, seduziu, cativou, aliciou, atraiu (ufa!) foram as paredes quase forradas das suas obras traduzidas num sem número de línguas. Impossível ignorar que só um escritor do mais alto astuto consegue este feito: encontrar leitores no outro lado do mundo, com uma cultura completamente díspar da sua, com experiências e quotidianos tão distintos, e que ainda assim, algures durante o dia, ao cair da noite ou até de madrugada, encontram tempo para mergulharem nas suas obras. Impossível não desejar um dia chegar assim: longe.


It is impossible to enter in Casa dos Bicos and not be immediately surrendered by the talent of Saramago. Even the most indolent readers, those who even ignore the identity of Blimunda, Baltasar, Sara da Conceição or The Girl with Dark Glasses, are not unrelated to the mastery of our only Nobel Prize in Literature. It is impossible not to emphasize here “our”, with all the pride I can get knowing that his originals are in Portuguese. The stairs are steep and lit with pieces of literature with cut sentences from the author. The library is enviable. The audio library is addictive. Even the souvenirs shop is enthusiastic. But what surprised, amazed, entranced, dazzled, fascinated, stunned, seduced, captivated, solicited, lured me the most were the wallpapered spaces, filled with countless books, translated in tons of languages. It is impossible to ignore that only a writer of the highest astute accomplishes this: finding readers across the world, with a completely different culture, very distinct everyday experiences, who yet, somewhere during the day, the nightfall or dawn, finds time to immerse themselves in his work. It is impossible not wish someday going as far away as he went.

2 de abril de 2013

Literacia quotidiana | Everyday literacy

A noite estava escura e fria. A chuva entranhava-se-lhe nos ossos. Chegou ao destino, descarregou as malas, fez o check-in e subiu ao piso mais alto do hotel: esperava-a um quarto de decoração minimalista, de cores clean, recuado, e com um terraço a roçar céu e com vista para o Oceano Atlântico. Despiu o casaco, refrescou o rosto -- sempre se maçara imenso com viagens de automóvel -- e abriu as portadas. Quis sentir a brisa, mesmo que fria. Do alto dos seus sapatos de saltos elevadíssimos, atravessou o degrau que a separava do exterior. O pé direito assentou no chão. Este estava escorregadio. Ela rodou sobre o seu corpo, tentou suportar a queda amparando-se com a mão direita, torceu o pulso, embateu sobre o seu lado esquerdo e bateu com a cabeça na cerâmica gélida e aguada, absorvendo todo o impacto. E foi assim, com o olho negro exibido no post anterior, que deu início ao seu fim-de-semana pascoal.

The night was dark and cold. The rain went deep in her bones. She arrived at her destiny, unloaded the baggage, checked-in and went upstairs, to the highest floor of the hotel: a secluded room, with minimalist decoration and clean colors, was expecting her. The terrace cropped the sky and had a view to the Atlantic Ocean. She took her coat off, freshened up her face -- she had always felt bored with long car journeys-- and opened the portals. She wanted to feel the breeze, even if it was cold. From the top of her high heel shoes, she crossed the step that separated her from the outside. The right foot sat on the floor. It was slippery. She rolled onto her body, tried to stand up bolstering the fall with her right hand, sprained her wrist, struck on her left side and hit her head on the cold and watery ceramic, absorbing the full impact. And that was how she started her Easter weekend, with the black eye displayed in the previous post.

1 de abril de 2013

Este fim-de-semana teve... | This weekend had...

- Uma queda descomunal no terraço do quarto de hotel; | A huge fall on the terrace of the hotel room;
- Um olho negro em resultado da anterior; | A black eye as a result of the previous one;


- Tosta de brie, mel e nozes no Café da Fábrica; | A brie, honey and nuts toast in Café da Fábrica;
- Pequenos-almoços gigantescos, daqueles em que já só ficamos com fome às quatro da tarde; | Gigantic breakfasts, the ones that keep you fed until four o’clock in the afternoon;
- Bolo de natas, doce de leite e morangos com base de suspiro n’O Bolo da Marta; | A cream, fudge and strawberries cake with meringue base in O Bolo da Marta;


- Rios de dinheiro gasto no Bairro Arte; | Tons of money spent in Bairro Arte;
- Exposições a rodos no CCB; | Exhibitions in CCB;
- Ópera e bicicletas voadoras na Achimpa; | Opera and flying bicycles in Achimpa;


- O filme mais delicioso de Lisboa a que alguma vez assisti; | The most delicious movie about Lisbon that I’ve ever watched;
- Milhares de fotografias; | Thousands of photographs;
- “OrganiSação” com “s” em vez de “z” na Casa da Guia; | “OrganiSation” with “s” instead of “z” in Casa da Guia;
- Inveja de Saramago na Casa dos Bicos; | Envy of Saramago in Casa dos Bicos;


- Um óptimo creme de tomate no Pinto’s; | A delicious tomato soup in Pinto’s;
- Deslumbre na Quinta da Marinha; | Dazzling in Quinta da Marinha;
Desilusão Astrologia na Casa Fernando Pessoa; | Desilusion Astrology in Casa Fernando Pessoa;


- Vista enevoada a partir do Castelo de São Jorge; | Foggy view at Castelo de São Jorge;
- Praças de Cascais; | Plazas of Cascais;
- Toneladas de chuva; | Tons of rain;
- Um louco sentado num banco de pedra, a falar ao telemóvel, “iluminado” por um candeeiro de pé ao lado; | A crazy guy seated on a stone bench, talking on the phone, “lightened” by a lamp foot on his side;



- Vários telefonemas inesperados da minha afilhada a dizer que me adora e que estava cheia de saudades minhas; | Various unexpected calls from my goddaughter telling she loves me and she was missing me a lot;
e | and
- Assobios de vento madrugadas fora. | Wind whistles at Dawn.

28 de março de 2013

Descanso do pessoal | Staff's rest

Este blog vai estar em modo de silêncio nos próximos dias. Os mais atentos sabem onde vou. Os menos atentos também podem ficar a saber. Estarei de volta na Segunda-feira em breve. Até lá, BOA PÁSCOA.


This blog is going to be on mute mode during the following days. The most attentive knows where I'm going. The less ones can also find it out. I'll be back on Monday soon. Until then, HAVE A NICE EASTER.

27 de março de 2013

Oh não!, outro exercício de auto-conhecimento | Oh no!, another self-knowledge exercise


Gosto de cães, de livros, de conduzir, de dióspiros, de maracujás, de maçãs, de pêras, de escrever, de ler, de música, de dançar, de azeitonas, de cogumelos, de espinafres, de rúcula, de massas, de queijo derretido, de blogs, de relógios, de colarinhos, de vestidos, de saltos altos, de cremes, de maquilhagem, de SPAs, de banhos turcos, de jacuzzi, de nadar, de penteados, de séries, de filmes, de revistas, de cultura, de arte, de fotografia, de exposições, de bolos, de chocolate, de massagens, de sumo de laranja, de coca-cola, de concertos, de túnicas, de leggings, de computadores, de joalharia, de carteiras, de cantar, de hidratantes, de banhos, de mexer nos meus caracóis, de beijar os meus cães nas bochechas, de pipocas, de pizza, de viajar, de poupar, de esbanjar, de caminhar, de sol, de frio, de ouvir a chuva, de tardes de Domingo à lareira, de estar com amigos, de cozinhar, de fazer bolachas, de mantas polares, de especiarias, de jantar à luz das velas, de almoçar em esplanadas, de literatura, de rios, de barcos, de cruzeiros, de línguas estrangeiras, de significados, de significantes, de poesia, de recitações, de glamour, de moda, de unhas, de perfumes, de parques naturais, de animais selvagens, de tradições, de comprar presentes, de receber presentes, de imprevistos, de improvisar, de criatividade, de pastilhas-elásticas, de comboios, de trampolins, de Martini, de champanhe bruto, de SMSs, de arrumar, de organizar, de glosses, de canetas de cheiro, de desenhos animados, de comentários que deixam nesta página e de vos comentar.

I like dogs, books, driving, persimmons, passion fruit, apples, pears, writing, reading, music, dancing, olives, mushrooms, spinaches, arugula, pasta, melted cheese, blogs, watches, collars, dresses, high heels, creams, make-up, SPAs, Turkish, Jacuzzi, swimming, hairdresses, series, movies, magazines, culture, art, photography, exhibitions, cakes, chocolate, massages, orange juice, coke, concerts, tunics, leggings, computers, jewellery, purses, singing, moisturizing, baths, playing with my curls, kissing my dogs on the cheek, popcorns, pizza, travelling, saving money, spending money, walking, sun, cold, listening to the rain, Saturday afternoons by the fire, being with my friends, cooking, baking cookies, polar blankets, spices, candle light dinners, lunching in a pavement café, literature, rivers, boats, cruises, foreign languages, meanings, signifiers, poetry, declamations, glamour, fashion, nails, perfumes, natural parks, wild animals, traditions, buying gifts, receiving gifts, unexpected events, improvising, creativity, chewing gums, trains, trampolines, Martini, brut champagne, short text messages, cleaning, organizing, lip glosses, pens with fragrances, cartoons, comments I get on this page and leaving comments on yours.

26 de março de 2013

Ele & Ela (1) | Him & Her #1


Diálogo às 22h15 de uma noite qualquer.

Ela: Vamos ver um episódio do Dexter?
Ele: Ok! Daqui a uns minutos, pode ser?
Ela: Daqui a quanto tempo?
Ele: Meia hora no máximo. Estou a terminar de organizar umas fotografias.
Ela: Fica tarde. Depois já só me deito às vinte para a meia-noite, e a porcaria do despertador toca amanhã às 6h40. (Com um tom de voz escorado, mas a tender para o sorumbático.)
Ele: Então vemos o episódio amanhã. Assim tens oportunidade de te deitar mais cedo hoje. O que vais ficar a fazer em alternativa?
Ela: (Silêncio.)
Ele: Vais para o blog, né?
Ela: (Continua em modo mute.)

23h05, ainda na sala.

Ele: Vou já para cima, para a cama. Demoras?
Ela: Dá-me uns minutos, estou a visitar aqui outras páginas…
Ele: Não te demores, quero estar acordado quando te deitares.
Ela: Não demoro nada! (Firme; convincente, até.)

00h10, quando ela chega à cama.

Ele: Hummm… (Em modo sonolento.) Que horas são?
Ela: Shiuuu… (Quase a sussurrar.) Não sei, deve ser quase meia-noite. (Mentirosa!!)

Enfim, era isto: só para vos dizer que por aqui as horas passam a voar.


Dialogue at 10.15p.m.

Her: Let’s watch na episode of Dexter!
Him: Ok! Can we wait a couple of minutes?
Her: How long does this couple of minutes last?
Him: Half an hour, tops. I’m just finishing organizing some photos.
Her:  That’s at an ungodly hour, and the damn alarm clock goes off at 6.40a.m. tomorrow. (With a shored up tone of voice, but tending to get gloomy.)
Him: You watch an episode tomorrow, so you can have the opportunity to go to bed earlier today. What are you going to do instead?
Her: (Silence.)
Him: You’re going to the blog, aren’t you?
Her: (Still in mute mode.)

11.05p.m., still in the living room.

Him: I’m going upstairs, to bed. Will you take long?
Her: Gimme some minutes, I’m visiting other pages…
Him: Don’t take too long, I wannabe awaked when you get bed.
Her: I won’t be long! (Firm, almost convincing.)

00h10, already in bed.

Him: Hummm… (In sleepy mode.) What time is it?
Her: Psiuuu… (Almost whispering.) I don’t know, it must be almost midnight. (Liar!!)

Anyway, this was it: just to let you know that time flies here.

25 de março de 2013

Comunicado à Nação | Statement to the Nation

Uma vez li que «num blog, o seu autor passa a música que lhe aprouver, e só dança quem quer». Adicione-se isso ao facto de a maioria que tem a sua própria página desejar, efectivamente, encontrar leitores interessados -- porque se fosse para falarmos sozinhos, estávamos a falar para as paredes. Como resultado, apraz-me concluir: se eu escrevo sobre alhos, espero que leiam "os alhos"; e se se sentirem impelidos a comentar, que seja acerca deste característico condimento culinário. A modos que me aborrece escrever sobre "alhos" e receber comentários de "bugalhos". A não leitura do que publicamos no nosso blog é um direito que assiste a todos os que o visitam.

E assim vamos de Umbilicalidades nesta Segunda-feira cinzenta, fria e chuvosa.

I’ve read once that «in a blog, its author provides entertainment through music, and the ones who want it, dance». Add the idea that the ones who have their own page long for interested readers, effectively -- because if we were to talk alone, we were talking to the walls. As a result, I’d please to say: if I write about apples, I hope you read "the apples"; and if someone feels compelled to comment, I hope that it is about this edible fruit. It bothers me writing about "apples" and get comments about "pears". Not reading what we publish on our blog is a right of the ones who visit it.

And that’s all I have to say on this gray, cold and rainy Monday.