É impossível entrar na Casa dos Bicos e não ficar imediatamente rendido(a) ao talento de Saramago. Mesmo os mais indolentes leitores, os que chegam mesmo a ignorar a identidade de Blimunda, Baltasar, Sara da Conceição ou a Rapariga dos Óculos Escuros, não serão alheios à mestria do nosso único Nobel da Literatura. É impossível não enfatizar aqui o “nosso”, com todo o orgulho que me dá saber que os seus originais são portugueses. As escadas íngremes e iluminadas são pedaços de literatura, com frases recortadas do autor. A biblioteca é invejável. A audioteca é viciante. Até a loja de lembranças é entusiástica. Mas o que mais me surpreendeu, maravilhou, extasiou, deslumbrou, fascinou, assombrou, seduziu, cativou, aliciou, atraiu (ufa!) foram as paredes quase forradas das suas obras traduzidas num sem número de línguas. Impossível ignorar que só um escritor do mais alto astuto consegue este feito: encontrar leitores no outro lado do mundo, com uma cultura completamente díspar da sua, com experiências e quotidianos tão distintos, e que ainda assim, algures durante o dia, ao cair da noite ou até de madrugada, encontram tempo para mergulharem nas suas obras. Impossível não desejar um dia chegar assim: longe.
It is impossible to enter in Casa dos Bicos and not be immediately surrendered by the talent of Saramago. Even the most indolent readers, those who even ignore the identity of Blimunda, Baltasar, Sara da Conceição or The Girl with Dark Glasses, are not unrelated to the mastery of our only Nobel Prize in Literature. It is impossible not to emphasize here “our”, with all the pride I can get knowing that his originals are in Portuguese. The stairs are steep and lit with pieces of literature with cut sentences from the author. The library is enviable. The audio library is addictive. Even the souvenirs shop is enthusiastic. But what surprised, amazed, entranced, dazzled, fascinated, stunned, seduced, captivated, solicited, lured me the most were the wallpapered spaces, filled with countless books, translated in tons of languages. It is impossible to ignore that only a writer of the highest astute accomplishes this: finding readers across the world, with a completely different culture, very distinct everyday experiences, who yet, somewhere during the day, the nightfall or dawn, finds time to immerse themselves in his work. It is impossible not wish someday going as far away as he went.
A noite estava escura e fria. A chuva entranhava-se-lhe nos ossos. Chegou ao destino, descarregou as malas, fez o check-in e subiu ao piso mais alto do hotel: esperava-a um quarto de decoração minimalista, de cores clean, recuado, e com um terraço a roçar céu e com vista para o Oceano Atlântico. Despiu o casaco, refrescou o rosto -- sempre se maçara imenso com viagens de automóvel -- e abriu as portadas. Quis sentir a brisa, mesmo que fria. Do alto dos seus sapatos de saltos elevadíssimos, atravessou o degrau que a separava do exterior. O pé direito assentou no chão. Este estava escorregadio. Ela rodou sobre o seu corpo, tentou suportar a queda amparando-se com a mão direita, torceu o pulso, embateu sobre o seu lado esquerdo e bateu com a cabeça na cerâmica gélida e aguada, absorvendo todo o impacto. E foi assim, com o olho negro exibido no post anterior, que deu início ao seu fim-de-semana pascoal.
The night was dark and cold. The rain went deep in her bones. She arrived at her destiny, unloaded the baggage, checked-in and went upstairs, to the highest floor of the hotel: a secluded room, with minimalist decoration and clean colors, was expecting her. The terrace cropped the sky and had a view to the Atlantic Ocean. She took her coat off, freshened up her face -- she had always felt bored with long car journeys-- and opened the portals. She wanted to feel the breeze, even if it was cold. From the top of her high heel shoes, she crossed the step that separated her from the outside. The right foot sat on the floor. It was slippery. She rolled onto her body, tried to stand up bolstering the fall with her right hand, sprained her wrist, struck on her left side and hit her head on the cold and watery ceramic, absorbing the full impact. And that was how she started her Easter weekend, with the black eye displayed in the previous post.
- Uma queda descomunal no terraço do quarto de hotel; | A huge fall on the terrace of the hotel room;
- Um olho negro em resultado da anterior; | A black eye as a result of the previous one;
- Tosta de brie, mel e nozes no Café da Fábrica; | A brie, honey and nuts toast in Café da Fábrica;
- Pequenos-almoços gigantescos, daqueles em que já só ficamos com fome às quatro da tarde; | Gigantic breakfasts, the ones that keep you fed until four o’clock in the afternoon; - Bolo de natas, doce de leite e morangos com base de suspiro n’O Bolo da Marta; | A cream, fudge and strawberries cake with meringue base in O Bolo da Marta;
- Rios de dinheiro gasto no Bairro Arte; | Tons of money spent in Bairro Arte;
- Exposições a rodos no CCB; | Exhibitions in CCB;
- Ópera e bicicletas voadoras na Achimpa; | Opera and flying bicycles in Achimpa;
- O filme mais delicioso de Lisboa a que alguma vez assisti; | The most delicious movie about Lisbon that I’ve ever watched;
- Milhares de fotografias; | Thousands of photographs;
- “OrganiSação” com “s” em vez de “z” na Casa da Guia; | “OrganiSation” with “s” instead of “z” in Casa da Guia; - Inveja de Saramago na Casa dos Bicos; | Envy of Saramago in Casa dos Bicos;
- Um óptimo creme de tomate no Pinto’s; | A delicious tomato soup in Pinto’s; - Deslumbre na Quinta da Marinha; | Dazzling in Quinta da Marinha; - Desilusão Astrologia na Casa Fernando Pessoa; | Desilusion Astrology in Casa Fernando Pessoa;
- Vista enevoada a partir do Castelo de São Jorge; | Foggy view at Castelo de São Jorge; - Praças de Cascais; | Plazas of Cascais; - Toneladas de chuva; | Tons of rain; - Um louco sentado num banco de pedra, a falar ao telemóvel, “iluminado” por um candeeiro de pé ao lado; | A crazy guy seated on a stone bench, talking on the phone, “lightened” by a lamp foot on his side;
- Vários telefonemas inesperados da minha afilhada a dizer que me adora e que estava cheia de saudades minhas; | Various unexpected calls from my goddaughter telling she loves me and she was missing me a lot;
e | and
- Assobios de vento madrugadas fora. | Wind whistles at Dawn.
Este blog vai estar em modo de silêncio nos próximos dias. Os mais atentos sabem onde vou. Os menos atentos também podem ficar a saber. Estarei de volta na Segunda-feira em breve. Até lá, BOA PÁSCOA.
This blog is going to be on mute mode during the following days. The most attentive knows where I'm going. The less ones can also find it out. I'll be back on Monday soon. Until then, HAVE A NICE EASTER.
Gosto de cães, de livros, de conduzir, de dióspiros, de
maracujás, de maçãs, de pêras, de escrever, de ler, de música, de dançar, de
azeitonas, de cogumelos, de espinafres, de rúcula, de massas, de queijo
derretido, de blogs, de relógios, de colarinhos, de vestidos, de saltos altos,
de cremes, de maquilhagem, de SPAs, de banhos turcos, de jacuzzi, de nadar, de
penteados, de séries, de filmes, de revistas, de cultura, de arte, de
fotografia, de exposições, de bolos, de chocolate, de massagens, de sumo de laranja,
de coca-cola, de concertos, de túnicas, de leggings, de computadores, de
joalharia, de carteiras, de cantar, de hidratantes, de banhos, de mexer nos
meus caracóis, de beijar os meus cães nas bochechas, de pipocas, de pizza, de
viajar, de poupar, de esbanjar, de caminhar, de sol, de frio, de ouvir a chuva,
de tardes de Domingo à lareira, de estar com amigos, de cozinhar, de fazer
bolachas, de mantas polares, de especiarias, de jantar à luz das velas, de
almoçar em esplanadas, de literatura, de rios, de barcos, de cruzeiros, de
línguas estrangeiras, de significados, de significantes, de poesia, de
recitações, de glamour, de moda, de unhas, de perfumes, de parques naturais, de
animais selvagens, de tradições, de comprar presentes, de receber presentes, de
imprevistos, de improvisar, de criatividade, de pastilhas-elásticas, de
comboios, de trampolins, de Martini, de champanhe bruto, de SMSs, de arrumar,
de organizar, de glosses, de canetas de cheiro, de desenhos animados, de
comentários que deixam nesta página e de vos comentar.
I like
dogs, books, driving, persimmons, passion fruit, apples, pears, writing,
reading, music, dancing, olives, mushrooms, spinaches, arugula, pasta, melted
cheese, blogs, watches, collars, dresses, high heels, creams, make-up, SPAs, Turkish,
Jacuzzi, swimming, hairdresses, series, movies, magazines, culture, art,
photography, exhibitions, cakes, chocolate, massages, orange juice, coke, concerts,
tunics, leggings, computers, jewellery, purses, singing, moisturizing, baths,
playing with my curls, kissing my dogs on the cheek, popcorns, pizza,
travelling, saving money, spending money, walking, sun, cold, listening to the
rain, Saturday afternoons by the fire, being with my friends, cooking, baking
cookies, polar blankets, spices, candle light dinners, lunching in a pavement
café, literature, rivers, boats, cruises, foreign languages, meanings,
signifiers, poetry, declamations, glamour, fashion, nails, perfumes, natural
parks, wild animals, traditions, buying gifts, receiving gifts, unexpected
events, improvising, creativity, chewing gums, trains, trampolines, Martini,
brut champagne, short text messages, cleaning, organizing, lip glosses, pens
with fragrances, cartoons, comments I get on this page and leaving comments on
yours.
Ele:
Meia hora no máximo. Estou a terminar de organizar umas fotografias.
Ela:
Fica tarde. Depois já só me deito às vinte para a meia-noite, e a porcaria do despertador
toca amanhã às 6h40. (Com um tom de voz escorado, mas a tender para o sorumbático.)
Ele:
Então vemos o episódio amanhã. Assim tens oportunidade de te deitar mais cedo
hoje. O que vais ficar a fazer em alternativa?
Ela:(Silêncio.)
Ele:
Vais para o blog, né?
Ela:(Continua em modo mute.)
23h05,
ainda na sala.
Ele:
Vou já para cima, para a cama. Demoras?
Ela:
Dá-me uns minutos, estou a visitar aqui outras páginas…
Ele:
Não te demores, quero estar acordado quando te deitares.
Ela:
Não demoro nada! (Firme; convincente, até.)
00h10, quando ela chega à cama.
Ele:
Hummm… (Em modo sonolento.) Que horas são?
Ela:
Shiuuu… (Quase a sussurrar.) Não sei, deve ser quase meia-noite. (Mentirosa!!)
Enfim,
era isto: só para vos dizer que por aqui as horas passam a voar.
Dialogue at
10.15p.m.
Her: Let’s
watch na episode of Dexter!
Him: Ok! Can
we wait a couple of minutes?
Her: How long
does this couple of minutes last?
Him: Half an
hour, tops. I’m just finishing organizing some photos.
Her: That’s at an ungodly hour, and the damn alarm clock goes
off at 6.40a.m. tomorrow. (With a shored up tone of voice, but tending to get
gloomy.)
Him: You watch an episode tomorrow,
so you can have the opportunity to go to bed earlier today. What are you going
to do instead?
Her: (Silence.)
Him: You’re going to the blog,
aren’t you?
Her: (Still in
mute mode.)
11.05p.m.,
still in the living room.
Him: I’m going
upstairs, to bed. Will you take long?
Her: Gimme
some minutes, I’m visiting other pages…
Him: Don’t
take too long, I wannabe awaked when you get bed.
Her: I won’t
be long! (Firm, almost convincing.)
00h10, already
in bed.
Him: Hummm… (In
sleepy mode.) What time is it?
Her: Psiuuu…
(Almost whispering.) I don’t know, it must be almost midnight. (Liar!!)
Anyway, this
was it: just to let you know that time flies here.
Uma vez li que «num blog, o seu autor passa a música que lhe aprouver, e só dança quem quer». Adicione-se isso ao facto de a maioria que tem a sua própria página desejar, efectivamente, encontrar leitores interessados -- porque se fosse para falarmos sozinhos, estávamos a falar para as paredes. Como resultado, apraz-me concluir: se eu escrevo sobre alhos, espero que leiam "os alhos"; e se se sentirem impelidos a comentar, que seja acerca deste característico condimento culinário. A modos que me aborrece escrever sobre "alhos" e receber comentários de "bugalhos". A não leitura do que publicamos no nosso blog é um direito que assiste a todos os que o visitam.
E assim vamos de Umbilicalidades nesta Segunda-feira cinzenta, fria e chuvosa.
I’ve read once that «in a blog, its author provides entertainment through music, and the ones who want it, dance». Add the idea that the ones who have their own page long for interested readers, effectively -- because if we were to talk alone, we were talking to the walls. As a result, I’d please to say: if I write about apples, I hope you read "the apples"; and if someone feels compelled to comment, I hope that it is about this edible fruit. It bothers me writing about "apples" and get comments about "pears". Not reading what we publish on our blog is a right of the ones who visit it.
And that’s all I have to say on this gray, cold and rainy Monday.
Fui desafiada a desvendar-me um pouco mais, e partilho. Para ler aos bocadinhos, saborear aquilo que sou e digerir o que te aprouver de mim. Lê hoje e volta amanhã para ler o resto. Não tenhas pressa. Eis-me assim:
Se fosse Mário de Sá Carneiro diria que era qualquer coisa de intermédio entre mim e outra. Mas eu sou apenas eu, com todos os defeitos e virtudes daí inerentes. De cabelo ondulado e rebelde, há quem diga que este é reflexo do que sou. Tenho pele trigueira e nariz empinado, mas nunca fui fria ou calculista. Já me chamaram de arrogante e acusaram-me de ter pêlo na venta. Não percebem que sou apenas entregue aos meus pensamentos, e muito, muito solitária. Gosto de boas companhias, e gosto de me acompanhar. Gosto de sorrir em público, e choro muito em privado. Nasci perto do mar, e isso justifica os horizontes alargados. Quis ser espírito livre, mas fui apanhada nas amarras do tempo e no engenho social. Já quis fugir de tudo, e já cheguei a fugir de casa. Dormi ao relento, senti frio, voltei. Gosto do meu nome, e não me podia identificar mais com o meu signo e ascendente. Gosto das manhãs de sol quente no Inverno, e dos fins de tarde de brisa fresca no Verão. Não era capaz de viver num país tropical. Gostava de viver num país cultural. Dei o meu primeiro beijo aos 12 anos e não gostei. Hoje penso que reside mais efervescência num beijo do que em todo um corpo nu. Tive o meu primeiro desgosto de amor já depois do quarto de século. Não soube sofrer por isso. Sou sensível e de lágrimas fáceis. Choro por mim, choro pelos outros, e choro quando me sinto estranhamente feliz! Quis ser professora e fui à conquista do sonho. Desisti no auge, experimentei Gestão, depois Marketing, voltei à origem, e de novo à Gestão. Tenho ânsia de fazer sempre coisas novas. Falo Inglês, falo Alemão e falo Espanhol. Gosto de ler nos originais. Sou viciada em aprender e gosto quando me pedem para ensinar. Gosto quando me reconhecem polivalência. Gosto quando me reconhecem profissionalismo. Tenho valores enraizados, e não gosto quando os deturpam. Não me arrependo do que faço. Embora não me orgulhe de algumas entregas mais precipitadas. Porém nunca tentei apagar o meu passado. Já caí e aprendi a levantar-me. Até que caí de novo e levantei-me sozinha. Caí mais uma vez. E percebi que nasci para ser uma criança grande sempre a tombar e a aprender sempre com isso. Não sou igual a ninguém e já me disseram que o mundo não estava preparado para mim. Não gosto quando as pessoas tomam o que as rodeia como uma verdade absoluta. Gosto de pessoas interventivas e quero sempre fazer parte das indagadoras. Por vezes gosto de me desligar do que me circunda. O meu mundo seria cor-de-rosa se não contivesse injustiça. Defendo os fracos. Já fiz voluntariado com crianças. Já fiz voluntariado para a 3ª idade. Depois percebi que existe uma enorme gratidão em trabalhar com animais. Sentir-me-ia feliz se pudesse trabalhar mais por eles e para eles. Deixei de comer carne quando decidi que queria ter um leitão de estimação. Deixei de comer peixe quando vi um ser pescado e consequentemente morrer sufocado. Já tive o cabelo de todas as cores. Aos 15 anos pintei de roxo e aos 20 de laranja. Actualmente está em degradé porque não gosto de monocromias. Gosto de cantar. Canto no carro, quando conduzo sozinha, e debaixo do chuveiro com a água escorrida a disfarçar o desafinado. Já pensei em frequentar aulas de canto mas continuo a preferir escrever do que exteriorizar. Já pratiquei todos os tipos de desporto, mas não consigo fazer disso um hábito. Assim como assim, de vez em quando gosto de natação. O relógio biológico despertou tarde, mas em fervor. Já estive grávida duas vezes, mas tenho o colo vazio. Gosto de música, de poesia, de teatro e de cinema. Ver-me-ia no futuro a fazer arte. Ver-me-ia no futuro ligada a um lado mais espiritual. Ver-me-ia no futuro em qualquer outro lado, vestida de qualquer outra forma, com outros amigos quaisquer, a viver uma vida que não é a minha. Já fui a festas. Já estive em muitas festas. Já sorri para muitas objectivas. Hoje sei que não é lá que encontro as pessoas que quero realmente conhecer. Sou apaixonada. E sou lunática. Sou apaixonada pelas coisas belas da vida. Sou apaixonada pelo sol. Sou apaixonada pela intensidade com que as coisas acontecem. Se me dou, é sempre a 100%. Tal como nas melhores máquinas, não fico por menos daquela que é a potência total. Já tentei impressionar alguém. E já impressionei sem esforço. Já conquistei sem ser conquistada. Já fui conquistada sem conquistar. Construí paradoxos e vivi na discordância. Gosto de homens bonitos. Mas sempre fui tentada por aqueles que sabem conversar. Sou capaz de passar horas a trocar experiências. É para mim um dos mais belos prazeres da vida. Passei 3 décadas a recusar a ideia de me entregar para sempre, mas houve alguém que, involuntariamente, me fez perceber quão essa entrega pode valer a pena. Sou perfeccionista e por isso demasiado exigente comigo e com os outros. Gosto do meu sorriso. Gosto de sorrir. Não gosto das marcas do tempo no meu rosto. Tenho medo de envelhecer. Tenho medo de não chegar a viver o que anseio. Gosto de banhos de espuma. Mas não os fiz mais quando ouvi falar na seca. Adoro oferecer presentes. E seria irónica se dissesse que não gosto de receber. Gosto que me ofereçam livros. Gosto do cheiro de livros. Gosto de cheiros. Gosto de aromas e fragrâncias. Gosto de perfumes. Gosto de identificar as pessoas com o seu perfume. Tenho um fetiche por relógios, e somo mais de 70. Vou trocando aleatoriamente, e nunca, nunca, chego atrasada. Não gosto que me façam esperar. Ninguém, para além de mim, deve ser dono do meu tempo. Do alto dos meus 165 centímetros tenho um complexo de altura. Raramente me vêem sem saltos altos. Já roí as unhas. E parei quando tive vergonha das minhas mãos. Hoje trago-as compridas para compensar o passado. Passo muito tempo na internet. Mas não tenho vícios. E detesto pessoas que precisam de artifícios. Por favor não fumem junto de mim. Por favor não bebam em demasia quando estão comigo. Eu mostro como é possível divertirmo-nos sem mais nada. Não uso drogas, nem nunca usei. Nunca experimentei sequer. Mas fiz parte de grupos de risco. Vi amigos enveredarem por caminhos duvidosos. Mas tive sempre o seu respeito por não ceder, mesmo estando junto deles. No liceu dava-me igualmente bem com os populares e os intelectuais. Ainda hoje tenho amigos de todos os géneros. Gosto de estar com todos eles em alturas diferentes. Não gosto que me olhem de lado. Fico furiosa com mentiras. Odeio a hipocrisia e a inveja. Mas tenho um íman que atrai o que mais abomino nos outros. Gosto de dormir. Mas não quero deixar de viver para o fazer. Gosto de filmes. Serão perfeito é ficar enroscada no sofá em frente do televisor. Gosto de dramas. Não gosto de ficção. Já gostei mais de filmes agressivos. Vi o meu primeiro filme romântico aos 24 anos, e chorei. Sou curiosa. E orgulhosa. Mas gosto de perdoar e ser perdoada. Já fui traída por amigos. Mas aos verdadeiros perdoei o erro mais grave. Li “O Principezinho” quando tinha 14 anos e senti-me altruísta. Decidi inspirar e partilhar fé e fui catequista. Fui boa aluna no liceu. Gostei da Matemática e das Línguas, e revelei pouca apetência para a Geografia ou para os Trabalhos Manuais. Na faculdade cheguei a tirar 0,2 numa cadeira que concluí mais tarde com 16. Sou determinada e decidida. Se é para fazer, então que seja bem. Já gostei muito de preto. Hoje gosto muito de me rodear de muitas cores. Já me viram com áurea azul. Mas também com vermelha. Nunca me explicaram o que isso queria dizer! Sou equilibrada. Mas muito inconstante. O que hoje é, pode facilmente deixar de ser amanhã.
[Obrigada por me desafiares, Vivi. Gosto destes exercícios.] I'll translate this post as soon as possible. Please come back here another time. Thank you..¸¸.*
Não sou particularmente aficionada da partilha de conteúdo. Mas quando alguma coisa é realmente boa, fico com vontade de deixar saber ao maior número de pessoas que aquilo merece ser visto ou ouvido. Esta manhã, enquanto olhava pela janela e via as árvores estremecerem de frio, veio-me à memória aquela que há poucos anos se tornou a minha fábula favorita. E é assim que, neste Sábado cinzento e frio, de uma Primavera que nos faz lembrar o Outono, me apetece dizer-vos que estes poderão ser os melhores 10 minutos do vosso dia. Para os que quiserem “perder” este tempo.
A mí no me encanta compartir contenidos. Pero cuando alguna cosa es realmente buena, me quedo com ganas de hacer saber a la gente que aquello merece ser visto o escuchado. Esta mañana, mientras miraba por la ventana y veía los árboles temblar de frío, me acordé de aquella que hace algunos años se convirtió en mi fábula favorita. Y es así que, en este Sábado gris y frío, de una Primavera que nos recuerda al Otoño, quiero decir que estos pueden ser los mejores 10 minutos de vuestro día. Para aquellos que quieren “perder” ese tiempo.
I’m not a fan of shared contents. But when
something is really good, I feel the need to let lots of people know that it is
worth to be seen or listened to. This morning, when I was looking through the
window and saw trees shaking with cold, came to my mind something that some
years ago became my favourite fable. And this how, in this gray and cold
Saturday, of a Spring that reminds us Autumn, I feel like telling you that
these may be the best 10 minutes of your day. To the ones who want to “lose”
this time.
Realizado por Marco Besas.
Realizado por Marco Besas.
Directed by Marco Besas.
[ Rola para legendas | Desplaza hacia abajo para subtítulos| Scroll down
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PT | Tradução
livre |
Era uma vez um espantalho que não tinha amigos. Ele
trabalhava num campo de trigo. Não era um trabalho difícil, mas sim muito
solitário. Sem ninguém com quem conversar, os seus dias e suas noites eram
eternas. Tudo o que podia fazer era observar os pássaros.
Cada vez que passavam, ele cumprimentava-os. Mas eles
nunca respondiam. Era como se eles lhe tivessem medo. Um dia ele fez algo
proibido: ofereceu-lhes algumas sementes. Mas ainda assim, eles não queriam
saber de nada. O Espantalho perguntava-se porque ninguém queria ser seu amigo.
Assim passou o tempo. Até que numa noite fria, caiu a seus
pés um corvo cego. O corvo estava a tremer e com fome. O Espantalho decidiu cuidar
dele. Depois de vários dias, o corvo cego melhorou. Antes de o deixar partir, o
Espantalho perguntou por que os pássaros nunca faziam amizade com os
espantalhos. O corvo explicou que o trabalho dos espantalhos era assustar as pobres
aves que só queriam comer; eram seres malvados e desprezíveis. Uns monstros.
Ofendido, o Espantalho explicou-lhe que ele não era mau,
apesar de ser um espantalho.
Uma vez mais, o espantalho ficou sem amigos. Naquela
noite decidiu mudar a sua vida. Ele acordou o seu dono e disse-lhe que queria
um outro trabalho; ele não queria assustar mais aves. Apavorado, o dono acordou
todos os seus vizinhos, disse-lhes que o seu espantalho tinha ganho vida e que
isso só poderia ser obra do diabo.
Perto dali estava o corvo cego. Os seus amigos contaram-lhe
que os moradores da vila estavam a queimar um moinho, dentro do qual estava a
tentar esconder-se um espantalho com um cachecol muito longo. O corvo cego explicou
então que esse era o espantalho bondoso, o que tinha salvo a sua vida. Emocionados
com a história, os corvos queriam salvar o Espantalho, mas era tarde demais e
não podiam fazer nada; o Espantalho morreu queimado. Os corvos esperaram até o amanhecer
e quando não havia chamas, aproximaram-se dos restos do moinho, colheram as
cinzas do Espantalho e voaram alto, muito alto… E do mais alto que puderam,
espalharam as cinzas no ar. O vento soprou as cinzas por todo o campo. As
cinzas voaram junto com todos os pássaros, deste modo o Espantalho nunca voltou
a estar só. Por que suas cinzas agora voavam com os seus novos amigos.
E em memória da trágica morte do Espantalho, o corvo cego
e todos os seus companheiros decidiram vestir-se de luto. E assim, desde então,
em memória do Espantalho, todos os corvos são… pretos.
ESP | En el original |
Erase una vez un espantapájaros que no tenía amigos.
Trabajaba en un campo de trigo, no era un trabajo difícil, pero si, muy
solitario. Sin nadie con quien hablar, sus días y sus noches, se hacían
eternas...Lo único que podía hacer era mirar los pájaros.
Cada vez que pasaban, él, los saludaba, pero ellos nunca
respondían, era como... si le tuviesen medo. Un día, el Espantapájaros hizo
algo que estaba prohibido, les ofreció unas semillas, pero aun así, ellos no
querían saber nada. El Espantapájaros se preguntaba por qué nadie quería ser su
amigo.
Así pasó el tiempo, hasta que una noche fría, cayó a sus
pies un cuervo, ciego. El cuervo estaba tiritando y hambriento, el
espantapájaros decidió cuidar de él. Tras varios días, el cuervo ciego mejoró.
Antes de despedirse, el Espantapájaros preguntó porque los pájaros nunca
querían hacerse amigos de los espantapájaros; y el cuervo explico que el
trabajo de los espantapájaros era asustar a los pobres pájaros, que solo
querían comer. Eran unos seres malvados y despreciables, ¡unos monstruos!
Ofendido, el Espantapájaros, le explico que él, no era
malo, a pesar de ser un espantapájaros.
Una vez más el Espantapájaros se quedó sin amigos. Esa
misma noche decidió cambiar su vida. Despertó a su amo, y le dijo que quería
otro oficio, que ya no quería asustar más a los pájaros. Aterrorizado el amo,
despertó a todos los vecinos, les contó que su espantapájaros había cobrado
vida, y que esto sólo podía ser obra del diablo.
Cerca del molino, estaba el cuervo ciego, sus compañeros
le explicaron que los vecinos de la aldea estaban quemando un molino donde se
intentaba esconder un espantapájaros con una bufanda muy larga. El cuervo ciego
entonces, les explico que ese, era el espantapájaros bueno, ¡el que le había
salvado la vida! Conmocionados por la historia, los cuervos quisieron salvar al
espantapájaros, pero era demasiado tarde y ya no podían hacer nada. El
Espantapájaros murió quemado. Los cuervos esperaron hasta el amanecer, y cuando
no había llamas se acercaron a los restos del molino, cogieron las cenizas del
espantapájaros y volaron alto, ¡muy alto! Y desde lo más alto, esparcieron sus
cenizas por el aire. El viento llevó las cenizas por toda la comarca. Las
cenizas volaron junto con todos los pájaros, y de esta manera, el
Espantapájaros nunca volvió a estar solo porque sus cenizas ahora volaban con
sus nuevos amigos.
Y en recuerdo de la trágica muerte del Espantapájaros, el
cuervo ciego, y todos sus compañeros, decidieron vestir de luto. Y por eso
desde entonces, en memoria del Espantapájaros, todos los cuervos ¡son...
negros!
Once upon a time, there was a
scarecrow who had no friends. He worked in a wheat field and the work was not
hard, but it was very lonely. Days and nights passed by and the scarecrow had
no one to talk to. The only thing he could
do was to look at the birds-
Each time they flew by, he'd wave at
them, but they would never answer him. They flew away as if they were afraid of
him. One day, the scarecrow did something forbidden and offered the birds some
seeds, but the birds only flew away. The lonely scarecrow wondered why no-one
wanted to be his friend.
And so time went by till, one cold
night, a blind purple crow fell at his feet. The crow was shivering and
starving to death and the lonely scarecrow decided to take care of him. After
several days, the blind crow began to get better. As he held him close, the
scarecrow told the crow how he had wrapped him in his soft scarf, stroked his
purple feathers until they became smooth, and gave him seeds to eat. Before the
crow flew away the scarecrow asked why the birds never wanted to be friend with
the scarecrows. And the crow explained that the job of the scarecrows was to
scare the poor birds who only wanted to eat. “Scarecrows are evil and
despicable… they are monsters!” said the bird.
Humiliated, the scarecrow
replied: “It´s not true! Take me, for
example. I’m not evil, and I’m a scarecrow.”
But the crow flew away, and once more, the scarecrow was left with no
friends.
That same night, that scarecrow made a
decision, he wanted another job and no longer wanted to frighten birds. Gathering his courage, the scarecrow went to
the farmer’s house and woke up the farmer.
Seeing his scarecrow talking, the farmer screamed. Terrified, the farmer
woke up all his neighbors and told everyone that his scarecrow had come to life
and that could only be something from the devil.
The neighbors chased the frightened
scarecrow across the fields until he found an old windmill to hide in. Climbing
the stairs to escape the angry people, he at last reached the top, but could
not escape the flames the people had lit. The scarecrow screamed in pain and
fear, crying for help but nobody heard, or cared, except for a few beautiful
purple crows flying around. One of them was the blind crow. Asking what was
happening, his friends told him that the villagers were burning down an old
windmill where a scarecrow with a very long scarf was trying to hide. The blind
crow knew it was the kind scarecrow who once had saved his life and quickly
told the others his story. Touched by the tale of the scarecrow’s kindness, the
crows longed to save the scarecrow and flew close, but it was too late, the
fire’s heat raged too hot, and they could only watch as the lonely scarecrow
burned and died. The crows waited until dawn, and when the flames had died down
and it was safe to get near, they flew to the crumbled and burned remains of
the windmill and gathered the ashes of the scarecrow. Flying high into the sky
until their wings ached, they scattered the ashes through the air. Caught by
the wind, the scarecrow’s ashes flew and swirled side by side with all the birds
he had longed to be friend.
In memory of the tragic death of the
scarecrow the blind crow and all his friends decided to dress in mourning. And
this is why, to this day all crows are black, in memory of the lonely scarecrow
who only wanted to be friends with the birds.
Não percebo por que raio
chamamos «dias úteis» à Segunda, à Terça, à Quarta, à Quinta e à Sexta, quando
na verdade, a trabalhar, sinto que não faço senão inutilidades. Os Ingleses são
quem sabe: ao invés de andar a apregoar a proficuidade de algo supérfluo, chamam-lhes
logo dias de trabalho [working days]. Não há cá falsos pretensiosismos.
I don’t
understand why the hell we Portuguese people call «useful days» to Monday,
Tuesday, Wednesday, Thursday and Friday; actually, when I’m working, I feel
useless. The British are the ones who know: instead of proclaiming the
usefulness of something superfluous, they call them «working days» right away.
No false pretentiousness
here.