2 de abril de 2013

Literacia quotidiana | Everyday literacy

A noite estava escura e fria. A chuva entranhava-se-lhe nos ossos. Chegou ao destino, descarregou as malas, fez o check-in e subiu ao piso mais alto do hotel: esperava-a um quarto de decoração minimalista, de cores clean, recuado, e com um terraço a roçar céu e com vista para o Oceano Atlântico. Despiu o casaco, refrescou o rosto -- sempre se maçara imenso com viagens de automóvel -- e abriu as portadas. Quis sentir a brisa, mesmo que fria. Do alto dos seus sapatos de saltos elevadíssimos, atravessou o degrau que a separava do exterior. O pé direito assentou no chão. Este estava escorregadio. Ela rodou sobre o seu corpo, tentou suportar a queda amparando-se com a mão direita, torceu o pulso, embateu sobre o seu lado esquerdo e bateu com a cabeça na cerâmica gélida e aguada, absorvendo todo o impacto. E foi assim, com o olho negro exibido no post anterior, que deu início ao seu fim-de-semana pascoal.

The night was dark and cold. The rain went deep in her bones. She arrived at her destiny, unloaded the baggage, checked-in and went upstairs, to the highest floor of the hotel: a secluded room, with minimalist decoration and clean colors, was expecting her. The terrace cropped the sky and had a view to the Atlantic Ocean. She took her coat off, freshened up her face -- she had always felt bored with long car journeys-- and opened the portals. She wanted to feel the breeze, even if it was cold. From the top of her high heel shoes, she crossed the step that separated her from the outside. The right foot sat on the floor. It was slippery. She rolled onto her body, tried to stand up bolstering the fall with her right hand, sprained her wrist, struck on her left side and hit her head on the cold and watery ceramic, absorbing the full impact. And that was how she started her Easter weekend, with the black eye displayed in the previous post.

1 de abril de 2013

Este fim-de-semana teve... | This weekend had...

- Uma queda descomunal no terraço do quarto de hotel; | A huge fall on the terrace of the hotel room;
- Um olho negro em resultado da anterior; | A black eye as a result of the previous one;


- Tosta de brie, mel e nozes no Café da Fábrica; | A brie, honey and nuts toast in Café da Fábrica;
- Pequenos-almoços gigantescos, daqueles em que já só ficamos com fome às quatro da tarde; | Gigantic breakfasts, the ones that keep you fed until four o’clock in the afternoon;
- Bolo de natas, doce de leite e morangos com base de suspiro n’O Bolo da Marta; | A cream, fudge and strawberries cake with meringue base in O Bolo da Marta;


- Rios de dinheiro gasto no Bairro Arte; | Tons of money spent in Bairro Arte;
- Exposições a rodos no CCB; | Exhibitions in CCB;
- Ópera e bicicletas voadoras na Achimpa; | Opera and flying bicycles in Achimpa;


- O filme mais delicioso de Lisboa a que alguma vez assisti; | The most delicious movie about Lisbon that I’ve ever watched;
- Milhares de fotografias; | Thousands of photographs;
- “OrganiSação” com “s” em vez de “z” na Casa da Guia; | “OrganiSation” with “s” instead of “z” in Casa da Guia;
- Inveja de Saramago na Casa dos Bicos; | Envy of Saramago in Casa dos Bicos;


- Um óptimo creme de tomate no Pinto’s; | A delicious tomato soup in Pinto’s;
- Deslumbre na Quinta da Marinha; | Dazzling in Quinta da Marinha;
Desilusão Astrologia na Casa Fernando Pessoa; | Desilusion Astrology in Casa Fernando Pessoa;


- Vista enevoada a partir do Castelo de São Jorge; | Foggy view at Castelo de São Jorge;
- Praças de Cascais; | Plazas of Cascais;
- Toneladas de chuva; | Tons of rain;
- Um louco sentado num banco de pedra, a falar ao telemóvel, “iluminado” por um candeeiro de pé ao lado; | A crazy guy seated on a stone bench, talking on the phone, “lightened” by a lamp foot on his side;



- Vários telefonemas inesperados da minha afilhada a dizer que me adora e que estava cheia de saudades minhas; | Various unexpected calls from my goddaughter telling she loves me and she was missing me a lot;
e | and
- Assobios de vento madrugadas fora. | Wind whistles at Dawn.

28 de março de 2013

Descanso do pessoal | Staff's rest

Este blog vai estar em modo de silêncio nos próximos dias. Os mais atentos sabem onde vou. Os menos atentos também podem ficar a saber. Estarei de volta na Segunda-feira em breve. Até lá, BOA PÁSCOA.


This blog is going to be on mute mode during the following days. The most attentive knows where I'm going. The less ones can also find it out. I'll be back on Monday soon. Until then, HAVE A NICE EASTER.

27 de março de 2013

Oh não!, outro exercício de auto-conhecimento | Oh no!, another self-knowledge exercise


Gosto de cães, de livros, de conduzir, de dióspiros, de maracujás, de maçãs, de pêras, de escrever, de ler, de música, de dançar, de azeitonas, de cogumelos, de espinafres, de rúcula, de massas, de queijo derretido, de blogs, de relógios, de colarinhos, de vestidos, de saltos altos, de cremes, de maquilhagem, de SPAs, de banhos turcos, de jacuzzi, de nadar, de penteados, de séries, de filmes, de revistas, de cultura, de arte, de fotografia, de exposições, de bolos, de chocolate, de massagens, de sumo de laranja, de coca-cola, de concertos, de túnicas, de leggings, de computadores, de joalharia, de carteiras, de cantar, de hidratantes, de banhos, de mexer nos meus caracóis, de beijar os meus cães nas bochechas, de pipocas, de pizza, de viajar, de poupar, de esbanjar, de caminhar, de sol, de frio, de ouvir a chuva, de tardes de Domingo à lareira, de estar com amigos, de cozinhar, de fazer bolachas, de mantas polares, de especiarias, de jantar à luz das velas, de almoçar em esplanadas, de literatura, de rios, de barcos, de cruzeiros, de línguas estrangeiras, de significados, de significantes, de poesia, de recitações, de glamour, de moda, de unhas, de perfumes, de parques naturais, de animais selvagens, de tradições, de comprar presentes, de receber presentes, de imprevistos, de improvisar, de criatividade, de pastilhas-elásticas, de comboios, de trampolins, de Martini, de champanhe bruto, de SMSs, de arrumar, de organizar, de glosses, de canetas de cheiro, de desenhos animados, de comentários que deixam nesta página e de vos comentar.

I like dogs, books, driving, persimmons, passion fruit, apples, pears, writing, reading, music, dancing, olives, mushrooms, spinaches, arugula, pasta, melted cheese, blogs, watches, collars, dresses, high heels, creams, make-up, SPAs, Turkish, Jacuzzi, swimming, hairdresses, series, movies, magazines, culture, art, photography, exhibitions, cakes, chocolate, massages, orange juice, coke, concerts, tunics, leggings, computers, jewellery, purses, singing, moisturizing, baths, playing with my curls, kissing my dogs on the cheek, popcorns, pizza, travelling, saving money, spending money, walking, sun, cold, listening to the rain, Saturday afternoons by the fire, being with my friends, cooking, baking cookies, polar blankets, spices, candle light dinners, lunching in a pavement café, literature, rivers, boats, cruises, foreign languages, meanings, signifiers, poetry, declamations, glamour, fashion, nails, perfumes, natural parks, wild animals, traditions, buying gifts, receiving gifts, unexpected events, improvising, creativity, chewing gums, trains, trampolines, Martini, brut champagne, short text messages, cleaning, organizing, lip glosses, pens with fragrances, cartoons, comments I get on this page and leaving comments on yours.

26 de março de 2013

Ele & Ela (1) | Him & Her #1


Diálogo às 22h15 de uma noite qualquer.

Ela: Vamos ver um episódio do Dexter?
Ele: Ok! Daqui a uns minutos, pode ser?
Ela: Daqui a quanto tempo?
Ele: Meia hora no máximo. Estou a terminar de organizar umas fotografias.
Ela: Fica tarde. Depois já só me deito às vinte para a meia-noite, e a porcaria do despertador toca amanhã às 6h40. (Com um tom de voz escorado, mas a tender para o sorumbático.)
Ele: Então vemos o episódio amanhã. Assim tens oportunidade de te deitar mais cedo hoje. O que vais ficar a fazer em alternativa?
Ela: (Silêncio.)
Ele: Vais para o blog, né?
Ela: (Continua em modo mute.)

23h05, ainda na sala.

Ele: Vou já para cima, para a cama. Demoras?
Ela: Dá-me uns minutos, estou a visitar aqui outras páginas…
Ele: Não te demores, quero estar acordado quando te deitares.
Ela: Não demoro nada! (Firme; convincente, até.)

00h10, quando ela chega à cama.

Ele: Hummm… (Em modo sonolento.) Que horas são?
Ela: Shiuuu… (Quase a sussurrar.) Não sei, deve ser quase meia-noite. (Mentirosa!!)

Enfim, era isto: só para vos dizer que por aqui as horas passam a voar.


Dialogue at 10.15p.m.

Her: Let’s watch na episode of Dexter!
Him: Ok! Can we wait a couple of minutes?
Her: How long does this couple of minutes last?
Him: Half an hour, tops. I’m just finishing organizing some photos.
Her:  That’s at an ungodly hour, and the damn alarm clock goes off at 6.40a.m. tomorrow. (With a shored up tone of voice, but tending to get gloomy.)
Him: You watch an episode tomorrow, so you can have the opportunity to go to bed earlier today. What are you going to do instead?
Her: (Silence.)
Him: You’re going to the blog, aren’t you?
Her: (Still in mute mode.)

11.05p.m., still in the living room.

Him: I’m going upstairs, to bed. Will you take long?
Her: Gimme some minutes, I’m visiting other pages…
Him: Don’t take too long, I wannabe awaked when you get bed.
Her: I won’t be long! (Firm, almost convincing.)

00h10, already in bed.

Him: Hummm… (In sleepy mode.) What time is it?
Her: Psiuuu… (Almost whispering.) I don’t know, it must be almost midnight. (Liar!!)

Anyway, this was it: just to let you know that time flies here.

25 de março de 2013

Comunicado à Nação | Statement to the Nation

Uma vez li que «num blog, o seu autor passa a música que lhe aprouver, e só dança quem quer». Adicione-se isso ao facto de a maioria que tem a sua própria página desejar, efectivamente, encontrar leitores interessados -- porque se fosse para falarmos sozinhos, estávamos a falar para as paredes. Como resultado, apraz-me concluir: se eu escrevo sobre alhos, espero que leiam "os alhos"; e se se sentirem impelidos a comentar, que seja acerca deste característico condimento culinário. A modos que me aborrece escrever sobre "alhos" e receber comentários de "bugalhos". A não leitura do que publicamos no nosso blog é um direito que assiste a todos os que o visitam.

E assim vamos de Umbilicalidades nesta Segunda-feira cinzenta, fria e chuvosa.

I’ve read once that «in a blog, its author provides entertainment through music, and the ones who want it, dance». Add the idea that the ones who have their own page long for interested readers, effectively -- because if we were to talk alone, we were talking to the walls. As a result, I’d please to say: if I write about apples, I hope you read "the apples"; and if someone feels compelled to comment, I hope that it is about this edible fruit. It bothers me writing about "apples" and get comments about "pears". Not reading what we publish on our blog is a right of the ones who visit it.

And that’s all I have to say on this gray, cold and rainy Monday.

24 de março de 2013

Conhecendo-me. Dando-me a conhecer.

Fui desafiada a desvendar-me um pouco mais, e partilho. Para ler aos bocadinhos, saborear aquilo que sou e digerir o que te aprouver de mim. Lê hoje e volta amanhã para ler o resto. Não tenhas pressa. Eis-me assim:

Se fosse Mário de Sá Carneiro diria que era
qualquer coisa de intermédio entre mim e outra.
Mas eu sou apenas eu, com todos os defeitos
e virtudes daí inerentes.
De cabelo ondulado e rebelde,
há quem diga que este é reflexo do que sou.
Tenho pele trigueira e nariz empinado,
mas nunca fui fria ou calculista.
Já me chamaram de arrogante
e acusaram-me de ter pêlo na venta.
Não percebem que sou apenas entregue aos meus pensamentos,
e muito, muito solitária.
Gosto de boas companhias, e gosto de me acompanhar.
Gosto de sorrir em público, e choro muito em privado.
Nasci perto do mar,
e isso justifica os horizontes alargados.
Quis ser espírito livre,
mas fui apanhada nas amarras do tempo
e no engenho social.
Já quis fugir de tudo,
e já cheguei a fugir de casa.
Dormi ao relento, senti frio, voltei.
Gosto do meu nome,
e não me podia identificar mais com o meu signo e ascendente.
Gosto das manhãs de sol quente no Inverno,
e dos fins de tarde de brisa fresca no Verão.
Não era capaz de viver num país tropical.
Gostava de viver num país cultural.
Dei o meu primeiro beijo aos 12 anos e não gostei.
Hoje penso que reside mais efervescência num beijo
do que em todo um corpo nu.
Tive o meu primeiro desgosto de amor já depois do quarto de século.
Não soube sofrer por isso.
Sou sensível e de lágrimas fáceis.
Choro por mim, choro pelos outros,
e choro quando me sinto estranhamente feliz!
Quis ser professora e fui à conquista do sonho.
Desisti no auge, experimentei Gestão,
depois Marketing, voltei à origem, e de novo à Gestão.
Tenho ânsia de fazer sempre coisas novas.
Falo Inglês, falo Alemão e falo Espanhol.
Gosto de ler nos originais.
Sou viciada em aprender e gosto quando me pedem para ensinar.
Gosto quando me reconhecem polivalência.
Gosto quando me reconhecem profissionalismo.
Tenho valores enraizados, e não gosto quando os deturpam.
Não me arrependo do que faço.
Embora não me orgulhe de algumas entregas mais precipitadas.
Porém nunca tentei apagar o meu passado.
Já caí e aprendi a levantar-me.
Até que caí de novo e levantei-me sozinha.
Caí mais uma vez.
E percebi que nasci para ser uma criança grande sempre a tombar
e a aprender sempre com isso.
Não sou igual a ninguém
e já me disseram que o mundo não estava preparado para mim.
Não gosto quando as pessoas tomam o que as rodeia
como uma verdade absoluta.
Gosto de pessoas interventivas
e quero sempre fazer parte das indagadoras.
Por vezes gosto de me desligar do que me circunda.
O meu mundo seria cor-de-rosa se não contivesse injustiça.
Defendo os fracos.
Já fiz voluntariado com crianças.
Já fiz voluntariado para a 3ª idade.
Depois percebi que existe uma enorme gratidão em trabalhar com animais.
Sentir-me-ia feliz se pudesse trabalhar mais por eles e para eles.
Deixei de comer carne
quando decidi que queria ter um leitão de estimação.
Deixei de comer peixe
quando vi um ser pescado e consequentemente morrer sufocado.
Já tive o cabelo de todas as cores.
Aos 15 anos pintei de roxo
e aos 20 de laranja.
Actualmente está em degradé
porque não gosto de monocromias.
Gosto de cantar.
Canto no carro, quando conduzo sozinha,
e debaixo do chuveiro com a água escorrida a disfarçar o desafinado.
Já pensei em frequentar aulas de canto
mas continuo a preferir escrever do que exteriorizar.
Já pratiquei todos os tipos de desporto,
mas não consigo fazer disso um hábito.
Assim como assim, de vez em quando gosto de natação.
O relógio biológico despertou tarde,
mas em fervor.
Já estive grávida duas vezes,
mas tenho o colo vazio.
Gosto de música, de poesia, de teatro e de cinema.
Ver-me-ia no futuro a fazer arte.
Ver-me-ia no futuro ligada a um lado mais espiritual.
Ver-me-ia no futuro em qualquer outro lado,
vestida de qualquer outra forma,
com outros amigos quaisquer,
a viver uma vida que não é a minha.
Já fui a festas. Já estive em muitas festas.
Já sorri para muitas objectivas.
Hoje sei que não é lá que encontro as pessoas que quero
realmente conhecer.
Sou apaixonada. E sou lunática.
Sou apaixonada pelas coisas belas da vida.
Sou apaixonada pelo sol.
Sou apaixonada pela intensidade com que as coisas acontecem.
Se me dou, é sempre a 100%.
Tal como nas melhores máquinas,
não fico por menos daquela que é a potência total.
Já tentei impressionar alguém.
E já impressionei sem esforço.
Já conquistei sem ser conquistada.
Já fui conquistada sem conquistar.
Construí paradoxos e vivi na discordância.
Gosto de homens bonitos.
Mas sempre fui tentada por aqueles
que sabem conversar.
Sou capaz de passar horas a trocar experiências.
É para mim um dos mais belos prazeres da vida.
Passei 3 décadas a recusar a ideia de me entregar para sempre,
mas houve alguém que, involuntariamente,
me fez perceber quão essa entrega pode valer a pena.
Sou perfeccionista
e por isso demasiado exigente comigo e com os outros.
Gosto do meu sorriso.
Gosto de sorrir.
Não gosto das marcas do tempo no meu rosto.
Tenho medo de envelhecer.
Tenho medo de não chegar a viver o que anseio.
Gosto de banhos de espuma.
Mas não os fiz mais quando ouvi falar na seca.
Adoro oferecer presentes.
E seria irónica se dissesse que não gosto de receber.
Gosto que me ofereçam livros.
Gosto do cheiro de livros.
Gosto de cheiros. Gosto de aromas e fragrâncias.
Gosto de perfumes.
Gosto de identificar as pessoas com o seu perfume.
Tenho um fetiche por relógios,
e somo mais de 70.
Vou trocando aleatoriamente,
e nunca, nunca, chego atrasada.
Não gosto que me façam esperar.
Ninguém, para além de mim, deve ser dono do meu tempo.
Do alto dos meus 165 centímetros
tenho um complexo de altura.
Raramente me vêem sem saltos altos.
Já roí as unhas.
E parei quando tive vergonha das minhas mãos.
Hoje trago-as compridas para compensar o passado.
Passo muito tempo na internet.
Mas não tenho vícios.
E detesto pessoas que precisam de artifícios.
Por favor não fumem junto de mim.
Por favor não bebam em demasia quando estão comigo.
Eu mostro como é possível divertirmo-nos sem mais nada.
Não uso drogas, nem nunca usei.
Nunca experimentei sequer.
Mas fiz parte de grupos de risco.
Vi amigos enveredarem por caminhos duvidosos.
Mas tive sempre o seu respeito por não ceder, mesmo estando junto deles.
No liceu dava-me igualmente bem com os populares e os intelectuais.
Ainda hoje tenho amigos de todos os géneros.
Gosto de estar com todos eles em alturas diferentes.
Não gosto que me olhem de lado.
Fico furiosa com mentiras.
Odeio a hipocrisia e a inveja.
Mas tenho um íman que atrai o que mais abomino nos outros.
Gosto de dormir. Mas não quero deixar de viver para o fazer.
Gosto de filmes.
Serão perfeito é ficar enroscada no sofá em frente do televisor.
Gosto de dramas. Não gosto de ficção.
Já gostei mais de filmes agressivos.
Vi o meu primeiro filme romântico aos 24 anos,
e chorei.
Sou curiosa. E orgulhosa.
Mas gosto de perdoar e ser perdoada.
Já fui traída por amigos.
Mas aos verdadeiros perdoei o erro mais grave.
Li “O Principezinho” quando tinha 14 anos
e senti-me altruísta.
Decidi inspirar e partilhar fé
e fui catequista.
Fui boa aluna no liceu.
Gostei da Matemática e das Línguas,
e revelei pouca apetência para a Geografia
ou para os Trabalhos Manuais.
Na faculdade cheguei a tirar 0,2 numa cadeira
que concluí mais tarde com 16.
Sou determinada e decidida.
Se é para fazer, então que seja bem.
Já gostei muito de preto.
Hoje gosto muito de me rodear de muitas cores.
Já me viram com áurea azul.
Mas também com vermelha.
Nunca me explicaram o que isso queria dizer!
Sou equilibrada.
Mas muito inconstante.
O que hoje é,
pode facilmente deixar de ser amanhã.


Eu, debaixo da objectiva da Ana Luísa.

[Obrigada por me desafiares, Vivi. Gosto destes exercícios.]


I'll translate this post as soon as possible. Please come back here another time. Thank you. .¸¸.*

23 de março de 2013

A lenda do Espantalho | La leyenda del Espantapájaros | The legend of the Scarecrow


Não sou particularmente aficionada da partilha de conteúdo. Mas quando alguma coisa é realmente boa, fico com vontade de deixar saber ao maior número de pessoas que aquilo merece ser visto ou ouvido. Esta manhã, enquanto olhava pela janela e via as árvores estremecerem de frio, veio-me à memória aquela que há poucos anos se tornou a minha fábula favorita. E é assim que, neste Sábado cinzento e frio, de uma Primavera que nos faz lembrar o Outono, me apetece dizer-vos que estes poderão ser os melhores 10 minutos do vosso dia. Para os que quiserem “perder” este tempo.

A mí no me encanta compartir contenidos. Pero cuando alguna cosa es realmente buena, me quedo com ganas de hacer saber a la gente que aquello merece ser visto o escuchado. Esta mañana, mientras miraba por la ventana y veía los árboles temblar de frío, me acordé de aquella que hace algunos años se convirtió en mi fábula favorita. Y es así que, en este Sábado gris y frío, de una Primavera que nos recuerda al Otoño, quiero decir que estos pueden ser los mejores 10 minutos de vuestro día. Para aquellos que quieren “perder” ese tiempo.

I’m not a fan of shared contents. But when something is really good, I feel the need to let lots of people know that it is worth to be seen or listened to. This morning, when I was looking through the window and saw trees shaking with cold, came to my mind something that some years ago became my favourite fable. And this how, in this gray and cold Saturday, of a Spring that reminds us Autumn, I feel like telling you that these may be the best 10 minutes of your day. To the ones who want to “lose” this time.



Realizado por Marco Besas.
Realizado por Marco Besas.
Directed by Marco Besas.



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PT | Tradução livre |

Era uma vez um espantalho que não tinha amigos. Ele trabalhava num campo de trigo. Não era um trabalho difícil, mas sim muito solitário. Sem ninguém com quem conversar, os seus dias e suas noites eram eternas. Tudo o que podia fazer era observar os pássaros.

Cada vez que passavam, ele cumprimentava-os. Mas eles nunca respondiam. Era como se eles lhe tivessem medo. Um dia ele fez algo proibido: ofereceu-lhes algumas sementes. Mas ainda assim, eles não queriam saber de nada. O Espantalho perguntava-se porque ninguém queria ser seu amigo.

Assim passou o tempo. Até que numa noite fria, caiu a seus pés um corvo cego. O corvo estava a tremer e com fome. O Espantalho decidiu cuidar dele. Depois de vários dias, o corvo cego melhorou. Antes de o deixar partir, o Espantalho perguntou por que os pássaros nunca faziam amizade com os espantalhos. O corvo explicou que o trabalho dos espantalhos era assustar as pobres aves que só queriam comer; eram seres malvados e desprezíveis. Uns monstros.

Ofendido, o Espantalho explicou-lhe que ele não era mau, apesar de ser um espantalho.

Uma vez mais, o espantalho ficou sem amigos. Naquela noite decidiu mudar a sua vida. Ele acordou o seu dono e disse-lhe que queria um outro trabalho; ele não queria assustar mais aves. Apavorado, o dono acordou todos os seus vizinhos, disse-lhes que o seu espantalho tinha ganho vida e que isso só poderia ser obra do diabo.

Perto dali estava o corvo cego. Os seus amigos contaram-lhe que os moradores da vila estavam a queimar um moinho, dentro do qual estava a tentar esconder-se um espantalho com um cachecol muito longo. O corvo cego explicou então que esse era o espantalho bondoso, o que tinha salvo a sua vida. Emocionados com a história, os corvos queriam salvar o Espantalho, mas era tarde demais e não podiam fazer nada; o Espantalho morreu queimado. Os corvos esperaram até o amanhecer e quando não havia chamas, aproximaram-se dos restos do moinho, colheram as cinzas do Espantalho e voaram alto, muito alto… E do mais alto que puderam, espalharam as cinzas no ar. O vento soprou as cinzas por todo o campo. As cinzas voaram junto com todos os pássaros, deste modo o Espantalho nunca voltou a estar só. Por que suas cinzas agora voavam com os seus novos amigos.

E em memória da trágica morte do Espantalho, o corvo cego e todos os seus companheiros decidiram vestir-se de luto. E assim, desde então, em memória do Espantalho, todos os corvos são… pretos.


ESP | En el original |

Erase una vez un espantapájaros que no tenía amigos. Trabajaba en un campo de trigo, no era un trabajo difícil, pero si, muy solitario. Sin nadie con quien hablar, sus días y sus noches, se hacían eternas...Lo único que podía hacer era mirar los pájaros.

Cada vez que pasaban, él, los saludaba, pero ellos nunca respondían, era como... si le tuviesen medo. Un día, el Espantapájaros hizo algo que estaba prohibido, les ofreció unas semillas, pero aun así, ellos no querían saber nada. El Espantapájaros se preguntaba por qué nadie quería ser su amigo.

Así pasó el tiempo, hasta que una noche fría, cayó a sus pies un cuervo, ciego. El cuervo estaba tiritando y hambriento, el espantapájaros decidió cuidar de él. Tras varios días, el cuervo ciego mejoró. Antes de despedirse, el Espantapájaros preguntó porque los pájaros nunca querían hacerse amigos de los espantapájaros; y el cuervo explico que el trabajo de los espantapájaros era asustar a los pobres pájaros, que solo querían comer. Eran unos seres malvados y despreciables, ¡unos monstruos!

Ofendido, el Espantapájaros, le explico que él, no era malo, a pesar de ser un espantapájaros.

Una vez más el Espantapájaros se quedó sin amigos. Esa misma noche decidió cambiar su vida. Despertó a su amo, y le dijo que quería otro oficio, que ya no quería asustar más a los pájaros. Aterrorizado el amo, despertó a todos los vecinos, les contó que su espantapájaros había cobrado vida, y que esto sólo podía ser obra del diablo.

Cerca del molino, estaba el cuervo ciego, sus compañeros le explicaron que los vecinos de la aldea estaban quemando un molino donde se intentaba esconder un espantapájaros con una bufanda muy larga. El cuervo ciego entonces, les explico que ese, era el espantapájaros bueno, ¡el que le había salvado la vida! Conmocionados por la historia, los cuervos quisieron salvar al espantapájaros, pero era demasiado tarde y ya no podían hacer nada. El Espantapájaros murió quemado. Los cuervos esperaron hasta el amanecer, y cuando no había llamas se acercaron a los restos del molino, cogieron las cenizas del espantapájaros y volaron alto, ¡muy alto! Y desde lo más alto, esparcieron sus cenizas por el aire. El viento llevó las cenizas por toda la comarca. Las cenizas volaron junto con todos los pájaros, y de esta manera, el Espantapájaros nunca volvió a estar solo porque sus cenizas ahora volaban con sus nuevos amigos.

Y en recuerdo de la trágica muerte del Espantapájaros, el cuervo ciego, y todos sus compañeros, decidieron vestir de luto. Y por eso desde entonces, en memoria del Espantapájaros, todos los cuervos ¡son... negros!


ENG | Here |

Once upon a time, there was a scarecrow who had no friends. He worked in a wheat field and the work was not hard, but it was very lonely. Days and nights passed by and the scarecrow had no one to talk to.  The only thing he could do was to look at the birds-

Each time they flew by, he'd wave at them, but they would never answer him. They flew away as if they were afraid of him. One day, the scarecrow did something forbidden and offered the birds some seeds, but the birds only flew away. The lonely scarecrow wondered why no-one wanted to be his friend.

And so time went by till, one cold night, a blind purple crow fell at his feet. The crow was shivering and starving to death and the lonely scarecrow decided to take care of him. After several days, the blind crow began to get better. As he held him close, the scarecrow told the crow how he had wrapped him in his soft scarf, stroked his purple feathers until they became smooth, and gave him seeds to eat. Before the crow flew away the scarecrow asked why the birds never wanted to be friend with the scarecrows. And the crow explained that the job of the scarecrows was to scare the poor birds who only wanted to eat. “Scarecrows are evil and despicable… they are monsters!” said the bird.

Humiliated, the scarecrow replied:   “It´s not true! Take me, for example. I’m not evil, and I’m a scarecrow.”   But the crow flew away, and once more, the scarecrow was left with no friends.

That same night, that scarecrow made a decision, he wanted another job and no longer wanted to frighten birds.  Gathering his courage, the scarecrow went to the farmer’s house and woke up the farmer.  Seeing his scarecrow talking, the farmer screamed. Terrified, the farmer woke up all his neighbors and told everyone that his scarecrow had come to life and that could only be something from the devil.

The neighbors chased the frightened scarecrow across the fields until he found an old windmill to hide in. Climbing the stairs to escape the angry people, he at last reached the top, but could not escape the flames the people had lit. The scarecrow screamed in pain and fear, crying for help but nobody heard, or cared, except for a few beautiful purple crows flying around. One of them was the blind crow. Asking what was happening, his friends told him that the villagers were burning down an old windmill where a scarecrow with a very long scarf was trying to hide. The blind crow knew it was the kind scarecrow who once had saved his life and quickly told the others his story. Touched by the tale of the scarecrow’s kindness, the crows longed to save the scarecrow and flew close, but it was too late, the fire’s heat raged too hot, and they could only watch as the lonely scarecrow burned and died. The crows waited until dawn, and when the flames had died down and it was safe to get near, they flew to the crumbled and burned remains of the windmill and gathered the ashes of the scarecrow. Flying high into the sky until their wings ached, they scattered the ashes through the air. Caught by the wind, the scarecrow’s ashes flew and swirled side by side with all the birds he had longed to be friend.

In memory of the tragic death of the scarecrow the blind crow and all his friends decided to dress in mourning. And this is why, to this day all crows are black, in memory of the lonely scarecrow who only wanted to be friends with the birds.

22 de março de 2013

Dias Inúteis | Useless Days

Não percebo por que raio chamamos «dias úteis» à Segunda, à Terça, à Quarta, à Quinta e à Sexta, quando na verdade, a trabalhar, sinto que não faço senão inutilidades. Os Ingleses são quem sabe: ao invés de andar a apregoar a proficuidade de algo supérfluo, chamam-lhes logo dias de trabalho [working days]. Não há cá falsos pretensiosismos.

I don’t understand why the hell we Portuguese people call «useful days» to Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday and Friday; actually, when I’m working, I feel useless. The British are the ones who know: instead of proclaiming the usefulness of something superfluous, they call them «working days» right away. No false pretentiousness here.

Crise? Qual crise? | Crisis? What crisis?

Há que admitir um facto, que é tão grotescamente verdadeiro, que até vos vai parecer mentira: eu nem para mim sou boa! Isto tem aplicabilidade numa série de esferas da minha vida; e se há algumas em que o facto é perdoável, tem outras em que é mais imperdoável que o condenável. «E isto vem a propósito de quê?», perguntarão vocês. Eu explico.

Como provavelmente também para muitos de vós, avizinham-se-me umas mini-férias no próximo fim-de-semana. Olhei para o calendário e percebi que podia usar 4 dias a meu bel-prazer. Habitualmente, por ocasião da ressurreição, eu e o J. rumamos para um qualquer destino “lá fora, cá dentro”, e este ano -- felizmente -- não será excepção. Tinha para meu usufruto estes dias de calendário livres e um trunfo no bolso para passar umas noites num hotel cheio de mordomias e sem gastar um tostão (se se portarem bem, um dia partilho convosco este feito).

Parece-vos, portanto, que era simples pegar no telefone, marcar 9 dígitos, falar com uma operadora, e fazer reserva naquele que era o nosso destino preferencial, certo? E-R-R-A-D-O! É precisamente aqui que entra aquele pedacinho de frase ali em cima a negrito. É que hoje penso que amanhã ligo, e o amanhã nunca chega, porque estamos sempre no hoje. Compreendem esta minha contenda de terminologias?

Vai daí, só há poucos dias levei a cabo a difícil tarefa de fazer a reserva. Foi então que percebi que uma série de pessoas já se tinha adiantado a mim… há um mês.

Ericeira | €104,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Cascais | €118,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Pç. Arcos | €160,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Coimbra | €192,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O

No quinto hotel, lá consegui um entre os 3 únicos quartos disponíveis. Como depreendem, não tendo sido a primeira escolha, não estou muito convencida acerca do destino, mas estou aberta a dar-lhe uma hipótese. Estoril, conhecem? Se sim, digam-me:

Que há mais para fazer, para lá do Casino ou do Autódromo?

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¹ Tarifa para quarto duplo




Admittedly, there’s a fact that is so grotesquely true, that you’ll think it’s a lie: I'm not even good for myself! This has applicability in plentiful areas of my life; and if there are the ones that are forgivable, there are others when it is more inexcusable than the reproachful. «To what purpose does this come?», you may ask. I explain:
  
Like to many of you, I’ll have a mini-getaway next weekend. I looked at the calendar and realized I could use 4 days to my own pleasure. Usually, by resurrection, me and J. head to a destination in our country, and this year -- thankfully -- it will be no exception. I had for my enjoyment these free calendar days and an asset in my pocket to spend some nights in a hotel, full of perks, without spending a penny (if you behave well, one day I’ll share with you this feat)
  
Therefore, it may seem simple picking up the phone, dialing 9 digits, talking to an operator, and making a reservation, right? W-R-O-N-G! This is precisely where that tiny bit of sentence up there in bold makes sense. Today I think I’ll call tomorrow, but tomorrow never comes, because we’re always on today. Do you understand my struggle of jargons?

Thus, only a few days ago I carried out the difficult task of making the reservation. It was then when I realized that a lot of people had already done it before me ... a month ago.

Ericeira | €104,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T
Cascais | €118,00¹ / night| S-O-L-D-O-U-T
Pç. Arcos | €160,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T
Coimbra | €192,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T

I got an available room out of three in the fifth hotel. As you may understand, once this wasn’t my first choice, I’m not very convinced about the destination, but I'm open to give it a try. Do you know Estoril? If so, tell me:

What else is there besides the Casino and the racetrack?

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¹ Rate for a double room

21 de março de 2013

E a propósito do Dia Internacional da Felicidade... | On the purpose of the International Day of Happiness...

…recordei-me da única pessoa que conheci que ganhou o €milhões: corria o ano de 2006 e o Sr. X acrescentou €20.000.000,00 à sua conta bancária. O Sr. X tem mulher, dois filhos (um casal) e uma neta. Na altura os filhos estavam na casa dos 30 e a menina tinha cerca de 3 anos. O Sr. X depositou todo seu dinheiro no banco. O Sr. X recebia mais em juros mensais do que eu a trabalhar o ano inteiro. O Sr. X nunca mudou de carro. E os filhos também não. O Sr. X continuou o seu trabalho num emprego muito modesto, e os filhos continuaram como empregados fabris. O Sr. X fez umas obritas em casa, mas nunca alterou de morada. Os filhos também não. O Sr. X sempre que ia ao banco olhava sobre os seus ombros um milhão de vezes, com receio de ser perseguido ou que alguém suspeitasse. O Sr. X nunca gozou a sua fortuna. E os filhos também não. Desde o dia em que descobriram que tinham o boletim premiado, vivem em pânico com a ideia de a menina vir a ser raptada.

Mas não podemos contrariar a admissão de que, na verdade, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabamos a desejar a sensação de termos uma fortuna à nossa disposição.


…I remembered the only person I knew who won the €millions: we were in 2006 and Mr. X added €20.000.000,00 to his bank account. Mr. X had a wife, a son, a daughter and a granddaughter. By the time his son and his daughter were around their 30ies and the little girl was about 3 years old. Mr. X put all his money on a bank account. Mr. X was getting more with monthly interest than me working all year round. Mr. X never changed his car. Neither did his son and his daughter. Mr. X kept His humble job, and his son and his daughter kept on working as factory employees. Mr. X did a little reconstruction of his house, but never changed the address. Neither did his son, nor his daughter. If Mr. X went to the bank he would look over his shoulders a million times, afraid of being persecuted or that someone got suspicious. Mr. X never made use of his fortune.  Neither did his son, nor his daughter. Since the day they found out they had the winning ticket, they live in panic with the idea of the little girl being kidnapped.

But we cannot thwart the acquiescence that, in fact, sooner or later, we all want to know what it feels like having a fortune.

20 de março de 2013

O meu ódio de estimação: correcção da concepção | My pet hate: correcting the conception

[O post que se segue pode conter linguagem ofensiva ou susceptível de ferir a sensibilidade do leitor. Por favor, se padece de algum conservadorismo ou amor para com todas as espécies humanas, aconselhamos que não prossiga com a sua leitura. Obrigada.]

Depois deste post ficou instalada a ideia generalizada de que não suporto o meu chefe. Queria corrigir essa concepção errada com que vos deixei.

Ora, se realmente não o suportasse, crêem que era altruísta ao ponto de querer que o senhor estivesse em passeio a toda a hora? Senão, vejamos:

Quando ele me vem chatear com objectivos comerciais ainda por cumprir, penso logo:
«E se fosses dar uma volta ao bilhar grande?»

Quando ele grita comigo de manhã, por chegar a-p-e-n-a-s 5min antes do meu horário de entrada (sim, leram bem, eu disse “antes”!), fico com vontade de indagar:
«Porque é que não vais ver se eu estou na esquina?»

Quando expressa indeléveis mentiras, coisa que acontece com cadência quase diária, apetece-me convidá-lo:
«Vai à fava!»

Quando me proíbe de acender a luz em determinados compartimentos, porque temos de poupar na factura ao final do mês, e eu fico a trabalhar às escuras, vem-me à cabeça:
«E se fosses com o Carvalho?»
(Esta é mais do que reveladora de que tenho em mente apenas o bem: é que para além de querer que o senhor vá dar um passeio, ainda desejo que ele leve companhia; isto de ele andar sozinho é chato.)

Quando manda boquinhas por eu só (leram bem, eu disse “só”!) fazer duas horas extra por dia (coisa para não me ser nunca paga), cogito imediatamente:
«E se fosses abaixo de Braga?»

Quando não autoriza o pagamento de ajudas de custo e me obriga a fazer deslocações de trabalho no meu carro e à borla, só me apraz verbalizar:
«Vais às urtigas!!!»

Quando faz ouvidos moucos aos meus constantes pedidos de transferência de unidade, quase discorro:
«Vai dar uma curva…»

Quando não me permite qualquer livre-arbítrio sobre a decisão do meu calendário de férias, apetece-me logo desejar que se divirta numa festa com inúmeros focos luminosos:
«Vai para o raio que te parta.»

Quando insinua que me há-de proibir de almoçar na cave do edifício, onde não estorvo, nem incomodo ninguém, ganho logo um instinto ternurento e quero muito que ele seja abraçado pela sua mamã:
«Vai para a grandessíssima p%&# que te pariu.»
(Com todo o respeito para a mãe do senhor, claro.)


Ficaram a ler? Por favor não digam que não vos avisei!

I'm sorry, but this post has no translation, once it has to do with portuguese idiomatic expressions. Please come back here later. Thank you .¸¸.*

19 de março de 2013

Dá-me onde ficar, e eu movo a Terra | Give me where to stand and i will move the Earth

Eu sei que tu tens mau feitio. Eu sei que é impossível dialogar contigo quando o FCP perde. Eu sei que nunca vais dizer as palavras certas. Eu sei que tu nunca me vais abraçar. Eu sei que tu nunca vais dizer que me amas. Mas também sei que serei sempre a tua pequinha, e que me amas incondicionalmente, de um jeito que é só teu. Para quem nunca teve um pai, para quem não sabe o que é suposto um progenitor fazer, até julgo que executaste na perfeição a tua tarefa. Na memória ficam as manhãs de Sábado na Quinta da Jana à procura das moedas perdidas na areia; como tu me ensinaste a dançar com os meus pés sobre os teus; a tua extrema disponibilidade para fazer de meu choffeur entre as minhas incessantes actividades na adolescência; as turrinhas que me vinhas pedir quando eu estava já quase a dormir; ou como te orgulhaste sempre em dizer «é a cara da mãe, mas o feitio é do pai».


I know you have a bad temper. I know that it is impossible to chat with you when FCP looses a match. I know that you’ll never say the right words. I know you won’t ever hug me. I know that you will never say you love me. But I also know that I’ll ever be you wittle, and that you love me unconditionally in your own way. For someone who never had a father, who does not know what a parent is supposed to do, I actually think you executed your task perfectly. In the memory I keep the Saturday mornings in Quinta da Jana searching for lost coins in the sand; the way you taught me how to dance with my feet on yours; your extreme availability to drive me around all my incessant activities during my teenage years;  the little head-butts you would request me when I was falling asleep; or the way you always showed pride to say «she’s the spitting image of her mother, but has her father’s temper».