Fui desafiada a desvendar-me um pouco mais, e partilho. Para ler aos bocadinhos, saborear aquilo que sou e digerir o que te aprouver de mim. Lê hoje e volta amanhã para ler o resto. Não tenhas pressa. Eis-me assim:
Se fosse Mário de Sá Carneiro diria que era
qualquer coisa de intermédio entre mim e outra.
Mas eu sou apenas eu, com todos os defeitos
e virtudes daí inerentes.
De cabelo ondulado e rebelde,
há quem diga que este é reflexo do que sou.
Tenho pele trigueira e nariz empinado,
mas nunca fui fria ou calculista.
Já me chamaram de arrogante
e acusaram-me de ter pêlo na venta.
Não percebem que sou apenas entregue aos meus pensamentos,
e muito, muito solitária.
Gosto de boas companhias, e gosto de me acompanhar.
Gosto de sorrir em público, e choro muito em privado.
Nasci perto do mar,
e isso justifica os horizontes alargados.
Quis ser espírito livre,
mas fui apanhada nas amarras do tempo
e no engenho social.
Já quis fugir de tudo,
e já cheguei a fugir de casa.
Dormi ao relento, senti frio, voltei.
Gosto do meu nome,
e não me podia identificar mais com o meu signo e ascendente.
Gosto das manhãs de sol quente no Inverno,
e dos fins de tarde de brisa fresca no Verão.
Não era capaz de viver num país tropical.
Gostava de viver num país cultural.
Dei o meu primeiro beijo aos 12 anos e não gostei.
Hoje penso que reside mais efervescência num beijo
do que em todo um corpo nu.
Tive o meu primeiro desgosto de amor já depois do quarto de século.
Não soube sofrer por isso.
Sou sensível e de lágrimas fáceis.
Choro por mim, choro pelos outros,
e choro quando me sinto estranhamente feliz!
Quis ser professora e fui à conquista do sonho.
Desisti no auge, experimentei Gestão,
depois Marketing, voltei à origem, e de novo à Gestão.
Tenho ânsia de fazer sempre coisas novas.
Falo Inglês, falo Alemão e falo Espanhol.
Gosto de ler nos originais.
Sou viciada em aprender e gosto quando me pedem para ensinar.
Gosto quando me reconhecem polivalência.
Gosto quando me reconhecem profissionalismo.
Tenho valores enraizados, e não gosto quando os deturpam.
Não me arrependo do que faço.
Embora não me orgulhe de algumas entregas mais precipitadas.
Porém nunca tentei apagar o meu passado.
Já caí e aprendi a levantar-me.
Até que caí de novo e levantei-me sozinha.
Caí mais uma vez.
E percebi que nasci para ser uma criança grande sempre a tombar
e a aprender sempre com isso.
Não sou igual a ninguém
e já me disseram que o mundo não estava preparado para mim.
Não gosto quando as pessoas tomam o que as rodeia
como uma verdade absoluta.
Gosto de pessoas interventivas
e quero sempre fazer parte das indagadoras.
Por vezes gosto de me desligar do que me circunda.
O meu mundo seria cor-de-rosa se não contivesse injustiça.
Defendo os fracos.
Já fiz voluntariado com crianças.
Já fiz voluntariado para a 3ª idade.
Depois percebi que existe uma enorme gratidão em trabalhar com animais.
Sentir-me-ia feliz se pudesse trabalhar mais por eles e para eles.
Deixei de comer carne
quando decidi que queria ter um leitão de estimação.
Deixei de comer peixe
quando vi um ser pescado e consequentemente morrer sufocado.
Já tive o cabelo de todas as cores.
Aos 15 anos pintei de roxo
e aos 20 de laranja.
Actualmente está em degradé
porque não gosto de monocromias.
Gosto de cantar.
Canto no carro, quando conduzo sozinha,
e debaixo do chuveiro com a água escorrida a disfarçar o desafinado.
Já pensei em frequentar aulas de canto
mas continuo a preferir escrever do que exteriorizar.
Já pratiquei todos os tipos de desporto,
mas não consigo fazer disso um hábito.
Assim como assim, de vez em quando gosto de natação.
O relógio biológico despertou tarde,
mas em fervor.
Já estive grávida duas vezes,
mas tenho o colo vazio.
Gosto de música, de poesia, de teatro e de cinema.
Ver-me-ia no futuro a fazer arte.
Ver-me-ia no futuro ligada a um lado mais espiritual.
Ver-me-ia no futuro em qualquer outro lado,
vestida de qualquer outra forma,
com outros amigos quaisquer,
a viver uma vida que não é a minha.
Já fui a festas. Já estive em muitas festas.
Já sorri para muitas objectivas.
Hoje sei que não é lá que encontro as pessoas que quero
realmente conhecer.
Sou apaixonada. E sou lunática.
Sou apaixonada pelas coisas belas da vida.
Sou apaixonada pelo sol.
Sou apaixonada pela intensidade com que as coisas acontecem.
Se me dou, é sempre a 100%.
Tal como nas melhores máquinas,
não fico por menos daquela que é a potência total.
Já tentei impressionar alguém.
E já impressionei sem esforço.
Já conquistei sem ser conquistada.
Já fui conquistada sem conquistar.
Construí paradoxos e vivi na discordância.
Gosto de homens bonitos.
Mas sempre fui tentada por aqueles
que sabem conversar.
Sou capaz de passar horas a trocar experiências.
É para mim um dos mais belos prazeres da vida.
Passei 3 décadas a recusar a ideia de me entregar para sempre,
mas houve alguém que, involuntariamente,
me fez perceber quão essa entrega pode valer a pena.
Sou perfeccionista
e por isso demasiado exigente comigo e com os outros.
Gosto do meu sorriso.
Gosto de sorrir.
Não gosto das marcas do tempo no meu rosto.
Tenho medo de envelhecer.
Tenho medo de não chegar a viver o que anseio.
Gosto de banhos de espuma.
Mas não os fiz mais quando ouvi falar na seca.
Adoro oferecer presentes.
E seria irónica se dissesse que não gosto de receber.
Gosto que me ofereçam livros.
Gosto do cheiro de livros.
Gosto de cheiros. Gosto de aromas e fragrâncias.
Gosto de perfumes.
Gosto de identificar as pessoas com o seu perfume.
Tenho um fetiche por relógios,
e somo mais de 70.
Vou trocando aleatoriamente,
e nunca, nunca, chego atrasada.
Não gosto que me façam esperar.
Ninguém, para além de mim, deve ser dono do meu tempo.
Do alto dos meus 165 centímetros
tenho um complexo de altura.
Raramente me vêem sem saltos altos.
Já roí as unhas.
E parei quando tive vergonha das minhas mãos.
Hoje trago-as compridas para compensar o passado.
Passo muito tempo na internet.
Mas não tenho vícios.
E detesto pessoas que precisam de artifícios.
Por favor não fumem junto de mim.
Por favor não bebam em demasia quando estão comigo.
Eu mostro como é possível divertirmo-nos sem mais nada.
Não uso drogas, nem nunca usei.
Nunca experimentei sequer.
Mas fiz parte de grupos de risco.
Vi amigos enveredarem por caminhos duvidosos.
Mas tive sempre o seu respeito por não ceder, mesmo estando junto deles.
No liceu dava-me igualmente bem com os populares e os intelectuais.
Ainda hoje tenho amigos de todos os géneros.
Gosto de estar com todos eles em alturas diferentes.
Não gosto que me olhem de lado.
Fico furiosa com mentiras.
Odeio a hipocrisia e a inveja.
Mas tenho um íman que atrai o que mais abomino nos outros.
Gosto de dormir. Mas não quero deixar de viver para o fazer.
Gosto de filmes.
Serão perfeito é ficar enroscada no sofá em frente do televisor.
Gosto de dramas. Não gosto de ficção.
Já gostei mais de filmes agressivos.
Vi o meu primeiro filme romântico aos 24 anos,
e chorei.
Sou curiosa. E orgulhosa.
Mas gosto de perdoar e ser perdoada.
Já fui traída por amigos.
Mas aos verdadeiros perdoei o erro mais grave.
Li “O Principezinho” quando tinha 14 anos
e senti-me altruísta.
Decidi inspirar e partilhar fé
e fui catequista.
Fui boa aluna no liceu.
Gostei da Matemática e das Línguas,
e revelei pouca apetência para a Geografia
ou para os Trabalhos Manuais.
Na faculdade cheguei a tirar 0,2 numa cadeira
que concluí mais tarde com 16.
Sou determinada e decidida.
Se é para fazer, então que seja bem.
Já gostei muito de preto.
Hoje gosto muito de me rodear de muitas cores.
Já me viram com áurea azul.
Mas também com vermelha.
Nunca me explicaram o que isso queria dizer!
Sou equilibrada.
Mas muito inconstante.
O que hoje é,
pode facilmente deixar de ser amanhã.
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| Eu, debaixo da objectiva da Ana Luísa. |
[Obrigada por me desafiares, Vivi. Gosto destes exercícios.]
I'll translate this post as soon as possible. Please come back here another time. Thank you. .¸¸.*






