22 de março de 2013

Crise? Qual crise? | Crisis? What crisis?

Há que admitir um facto, que é tão grotescamente verdadeiro, que até vos vai parecer mentira: eu nem para mim sou boa! Isto tem aplicabilidade numa série de esferas da minha vida; e se há algumas em que o facto é perdoável, tem outras em que é mais imperdoável que o condenável. «E isto vem a propósito de quê?», perguntarão vocês. Eu explico.

Como provavelmente também para muitos de vós, avizinham-se-me umas mini-férias no próximo fim-de-semana. Olhei para o calendário e percebi que podia usar 4 dias a meu bel-prazer. Habitualmente, por ocasião da ressurreição, eu e o J. rumamos para um qualquer destino “lá fora, cá dentro”, e este ano -- felizmente -- não será excepção. Tinha para meu usufruto estes dias de calendário livres e um trunfo no bolso para passar umas noites num hotel cheio de mordomias e sem gastar um tostão (se se portarem bem, um dia partilho convosco este feito).

Parece-vos, portanto, que era simples pegar no telefone, marcar 9 dígitos, falar com uma operadora, e fazer reserva naquele que era o nosso destino preferencial, certo? E-R-R-A-D-O! É precisamente aqui que entra aquele pedacinho de frase ali em cima a negrito. É que hoje penso que amanhã ligo, e o amanhã nunca chega, porque estamos sempre no hoje. Compreendem esta minha contenda de terminologias?

Vai daí, só há poucos dias levei a cabo a difícil tarefa de fazer a reserva. Foi então que percebi que uma série de pessoas já se tinha adiantado a mim… há um mês.

Ericeira | €104,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Cascais | €118,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Pç. Arcos | €160,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O
Coimbra | €192,00¹ / noite | E-S-G-O-T-A-D-O

No quinto hotel, lá consegui um entre os 3 únicos quartos disponíveis. Como depreendem, não tendo sido a primeira escolha, não estou muito convencida acerca do destino, mas estou aberta a dar-lhe uma hipótese. Estoril, conhecem? Se sim, digam-me:

Que há mais para fazer, para lá do Casino ou do Autódromo?

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¹ Tarifa para quarto duplo




Admittedly, there’s a fact that is so grotesquely true, that you’ll think it’s a lie: I'm not even good for myself! This has applicability in plentiful areas of my life; and if there are the ones that are forgivable, there are others when it is more inexcusable than the reproachful. «To what purpose does this come?», you may ask. I explain:
  
Like to many of you, I’ll have a mini-getaway next weekend. I looked at the calendar and realized I could use 4 days to my own pleasure. Usually, by resurrection, me and J. head to a destination in our country, and this year -- thankfully -- it will be no exception. I had for my enjoyment these free calendar days and an asset in my pocket to spend some nights in a hotel, full of perks, without spending a penny (if you behave well, one day I’ll share with you this feat)
  
Therefore, it may seem simple picking up the phone, dialing 9 digits, talking to an operator, and making a reservation, right? W-R-O-N-G! This is precisely where that tiny bit of sentence up there in bold makes sense. Today I think I’ll call tomorrow, but tomorrow never comes, because we’re always on today. Do you understand my struggle of jargons?

Thus, only a few days ago I carried out the difficult task of making the reservation. It was then when I realized that a lot of people had already done it before me ... a month ago.

Ericeira | €104,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T
Cascais | €118,00¹ / night| S-O-L-D-O-U-T
Pç. Arcos | €160,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T
Coimbra | €192,00¹ / night | S-O-L-D-O-U-T

I got an available room out of three in the fifth hotel. As you may understand, once this wasn’t my first choice, I’m not very convinced about the destination, but I'm open to give it a try. Do you know Estoril? If so, tell me:

What else is there besides the Casino and the racetrack?

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¹ Rate for a double room

21 de março de 2013

E a propósito do Dia Internacional da Felicidade... | On the purpose of the International Day of Happiness...

…recordei-me da única pessoa que conheci que ganhou o €milhões: corria o ano de 2006 e o Sr. X acrescentou €20.000.000,00 à sua conta bancária. O Sr. X tem mulher, dois filhos (um casal) e uma neta. Na altura os filhos estavam na casa dos 30 e a menina tinha cerca de 3 anos. O Sr. X depositou todo seu dinheiro no banco. O Sr. X recebia mais em juros mensais do que eu a trabalhar o ano inteiro. O Sr. X nunca mudou de carro. E os filhos também não. O Sr. X continuou o seu trabalho num emprego muito modesto, e os filhos continuaram como empregados fabris. O Sr. X fez umas obritas em casa, mas nunca alterou de morada. Os filhos também não. O Sr. X sempre que ia ao banco olhava sobre os seus ombros um milhão de vezes, com receio de ser perseguido ou que alguém suspeitasse. O Sr. X nunca gozou a sua fortuna. E os filhos também não. Desde o dia em que descobriram que tinham o boletim premiado, vivem em pânico com a ideia de a menina vir a ser raptada.

Mas não podemos contrariar a admissão de que, na verdade, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabamos a desejar a sensação de termos uma fortuna à nossa disposição.


…I remembered the only person I knew who won the €millions: we were in 2006 and Mr. X added €20.000.000,00 to his bank account. Mr. X had a wife, a son, a daughter and a granddaughter. By the time his son and his daughter were around their 30ies and the little girl was about 3 years old. Mr. X put all his money on a bank account. Mr. X was getting more with monthly interest than me working all year round. Mr. X never changed his car. Neither did his son and his daughter. Mr. X kept His humble job, and his son and his daughter kept on working as factory employees. Mr. X did a little reconstruction of his house, but never changed the address. Neither did his son, nor his daughter. If Mr. X went to the bank he would look over his shoulders a million times, afraid of being persecuted or that someone got suspicious. Mr. X never made use of his fortune.  Neither did his son, nor his daughter. Since the day they found out they had the winning ticket, they live in panic with the idea of the little girl being kidnapped.

But we cannot thwart the acquiescence that, in fact, sooner or later, we all want to know what it feels like having a fortune.

20 de março de 2013

O meu ódio de estimação: correcção da concepção | My pet hate: correcting the conception

[O post que se segue pode conter linguagem ofensiva ou susceptível de ferir a sensibilidade do leitor. Por favor, se padece de algum conservadorismo ou amor para com todas as espécies humanas, aconselhamos que não prossiga com a sua leitura. Obrigada.]

Depois deste post ficou instalada a ideia generalizada de que não suporto o meu chefe. Queria corrigir essa concepção errada com que vos deixei.

Ora, se realmente não o suportasse, crêem que era altruísta ao ponto de querer que o senhor estivesse em passeio a toda a hora? Senão, vejamos:

Quando ele me vem chatear com objectivos comerciais ainda por cumprir, penso logo:
«E se fosses dar uma volta ao bilhar grande?»

Quando ele grita comigo de manhã, por chegar a-p-e-n-a-s 5min antes do meu horário de entrada (sim, leram bem, eu disse “antes”!), fico com vontade de indagar:
«Porque é que não vais ver se eu estou na esquina?»

Quando expressa indeléveis mentiras, coisa que acontece com cadência quase diária, apetece-me convidá-lo:
«Vai à fava!»

Quando me proíbe de acender a luz em determinados compartimentos, porque temos de poupar na factura ao final do mês, e eu fico a trabalhar às escuras, vem-me à cabeça:
«E se fosses com o Carvalho?»
(Esta é mais do que reveladora de que tenho em mente apenas o bem: é que para além de querer que o senhor vá dar um passeio, ainda desejo que ele leve companhia; isto de ele andar sozinho é chato.)

Quando manda boquinhas por eu só (leram bem, eu disse “só”!) fazer duas horas extra por dia (coisa para não me ser nunca paga), cogito imediatamente:
«E se fosses abaixo de Braga?»

Quando não autoriza o pagamento de ajudas de custo e me obriga a fazer deslocações de trabalho no meu carro e à borla, só me apraz verbalizar:
«Vais às urtigas!!!»

Quando faz ouvidos moucos aos meus constantes pedidos de transferência de unidade, quase discorro:
«Vai dar uma curva…»

Quando não me permite qualquer livre-arbítrio sobre a decisão do meu calendário de férias, apetece-me logo desejar que se divirta numa festa com inúmeros focos luminosos:
«Vai para o raio que te parta.»

Quando insinua que me há-de proibir de almoçar na cave do edifício, onde não estorvo, nem incomodo ninguém, ganho logo um instinto ternurento e quero muito que ele seja abraçado pela sua mamã:
«Vai para a grandessíssima p%&# que te pariu.»
(Com todo o respeito para a mãe do senhor, claro.)


Ficaram a ler? Por favor não digam que não vos avisei!

I'm sorry, but this post has no translation, once it has to do with portuguese idiomatic expressions. Please come back here later. Thank you .¸¸.*

19 de março de 2013

Dá-me onde ficar, e eu movo a Terra | Give me where to stand and i will move the Earth

Eu sei que tu tens mau feitio. Eu sei que é impossível dialogar contigo quando o FCP perde. Eu sei que nunca vais dizer as palavras certas. Eu sei que tu nunca me vais abraçar. Eu sei que tu nunca vais dizer que me amas. Mas também sei que serei sempre a tua pequinha, e que me amas incondicionalmente, de um jeito que é só teu. Para quem nunca teve um pai, para quem não sabe o que é suposto um progenitor fazer, até julgo que executaste na perfeição a tua tarefa. Na memória ficam as manhãs de Sábado na Quinta da Jana à procura das moedas perdidas na areia; como tu me ensinaste a dançar com os meus pés sobre os teus; a tua extrema disponibilidade para fazer de meu choffeur entre as minhas incessantes actividades na adolescência; as turrinhas que me vinhas pedir quando eu estava já quase a dormir; ou como te orgulhaste sempre em dizer «é a cara da mãe, mas o feitio é do pai».


I know you have a bad temper. I know that it is impossible to chat with you when FCP looses a match. I know that you’ll never say the right words. I know you won’t ever hug me. I know that you will never say you love me. But I also know that I’ll ever be you wittle, and that you love me unconditionally in your own way. For someone who never had a father, who does not know what a parent is supposed to do, I actually think you executed your task perfectly. In the memory I keep the Saturday mornings in Quinta da Jana searching for lost coins in the sand; the way you taught me how to dance with my feet on yours; your extreme availability to drive me around all my incessant activities during my teenage years;  the little head-butts you would request me when I was falling asleep; or the way you always showed pride to say «she’s the spitting image of her mother, but has her father’s temper».

18 de março de 2013

Aquele momento (4) | That moment #4

Translation:
That moment when we're expected at half past eight to be asked who is that portuguese minister, "the one's called  Cyprus", who is going to force the people with money at the banks to give him 10%.

POPs: Produtos Originais Portugueses | POPs: Original Portuguese Products

Na minha vida tentei sempre empregar um cunho pessoal a tudo: fosse na roupa, fosse no cabelo, fosse na mochila da escola ou na cesta da marmita que levo para o trabalho. Gosto da diferença, gosto de arriscar, gosto do ter medo das combinações e gosto que as pessoas reparem nisso, mesmo que seja para dizer que não gostam. Talvez por isso tenha acabado com uma parede azul-petróleo a fazer contraste com uma em tom fúcsia na sala cá de casa, e dois tons de cabelo distinto, nem sequer em jeito de degradé, só porque sim, e porque não gosto de monocromias. Isso, e mais uma série de idiossincrasias que me compõem.
In my life I’ve always tried to input a personal touch to everything: whether in clothes, in my hair, in my school bag or in the basket where I carry the lunch pail to work. I like things that are different, I like to risk it, I like to be afraid and I like that people notice it, even if it is to say they don’t like it. Maybe that's why I turned out having a teal wall contrasting with another in fuchsia in the living-room here at home, and two different shades of hair, even if not layered, just because I want to, and because I don’t like monochromes. That, and some other idiosyncrasies that make up me.

Por essa razão, o conceito de design de parede assenta-me que nem uma luva. Gosto do retro, a fazer lembrar o quarto secular da minha avó, e gosto do moderno, a fazer lembrar a organização e o equilíbrio que tanto anseio encontrar. E se a este conceito pudermos somar aquilo que é mais nosso, tão tradicional como o Azeite Galo e tão nostálgico quanto a nossa geração, então auferimos a combinação perfeita para colorir os nossos dias.
Because of that, the concept of design on walls fits me perfectly. I like the retro, as a reminiscence of my grandmother’s secular room, and I like the modern, reminding me of the organization and balance that I yearn to find. And if we can add to this concept something that is ours, as traditional as Azeite Galo and as nostalgic as our generation, then we get the perfect combination to color up our days.

Por isso, e sem qualquer interesse comercial, gostava de vos dar a conhecer uma pequena empresa jovem e muito dinâmica aqui da praça, que tem chegado muito longe com a criatividade na parede. Eu perco horas a ver as novidades na página deles. Já para não falar das horas que eles tiveram de me aguentar no seu ateliê, porque isso agora na interessa nada. Apetece-me erguer paredes à minha volta para ter espaço para todos os papéis com que me identifico.
Therefore, and without any commercial interest, I’d like to introduce you to a small, young and dynamic company from my city, which has gone far with creativity on the walls. I spend hours looking for the novelties on their website. Not to talk about the hours they had to put up me at their studio, because that doesn’t matter now. I feel like putting up walls around me just to make room for all the wall paper that I identify myself with.

Algumas sugestões da Dezaine de Parede
Some suggestions from Dezaine de Parede

A sua mais recente colecção -- e prestes a tornar-se na minha favorita -- assenta na prerrogativa da típica Casa Portuguesa: os azulejos, as cores, as artes manuais, o Galo de Barcelos, os temas florais, as riscas, os relevos, a pedraria… E tudo mais que nos possamos lembrar.
Their newest collection -- about to become my favourite – is based on the prerogative of the typical Portuguese House: the tiles, the colours, the crafting, the Barcelos Cock, the flower motifs, the stripes, the reliefs, the stones… And everything else we can remember.

Cliquem para ver a reportagem que a RTP passou no passado dia 12 de Março. Avancem a publicidade, primam o “player versão acessível”, vão para o minuto 19.18, e assistam ao talento em forma de grafismo. Já agora, e só a título de curiosidade, enquanto o talento do J. não se torna televisivo, o seu material sim: uma das suas máquinas é protagonista no minuto 21.12.
Click to watch the report that RTP aired on March 12th. Move forward the publicity, click "player versão acessível", go to minute 19.18, and assist to talent in the form of graphics. BTW, just by curiosity, while J.'s talent doesn't become televised, his material gets famous: one of his machines is the main character on minute 21.12.

17 de março de 2013

A nossa primeira vez | Our first time

E a propósito da experiência de ontem, realizações, actos e lanches à parte, fica aqui o registo de alguns momentos. Acima de tudo valeu pela vivência; porque foi um dia diferente, porque disfarçámos todos o nosso amadorismo, e porque dotámos estes momentos da maturidade de verdadeiros profissionais.
Remembering yesterday's experience, directions, acts and brunches aside, here is the register of some moments. Above all, it was woth for the experience; because it was a different day, because we disguised all our amateurism, and because we equiped these moments with the maturity of real professionals.

A Daniela na confirmação do seu talento na interpretação.
Daniela confirming all her talent in acting.

Pormenores da personagem punk.
The punk character details.

Ela representa, ela maquilha... Versatilidades!
She represents, she does the make-up... Versatility!


A diva.
The star.


O cenário perfeito.
The perfect scenery.

«Um dia vais agradecer-me.»
«You'll thank me one day.»

O dia em que ele se afastou | The day he drifted away.

Há 5 anos, neste mesmo dia, dormi -- parte no chão, parte num banco frio -- no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão. Curiosamente tinha deixado para trás um quarto de hotel em Utrecht: confortável, previamente reservado, previamente pago, com lençóis frescos e cobertores aconchegantes. E apesar de o regresso a casa estar marcado para o dia seguinte, havendo já bilhete de avião pago, dormi no aeroporto de modo a convencer a TAP de que realmente necessitava de um lugar num voo naquela manhã, que não queria saber do voo mais tarde, nem do dinheiro do bilhete que eles não me iriam restituir. Eu tinha de voltar. Queria estar onde eu pertencia, junto daqueles que me queriam. Uma noite mal dormida, 8h debaixo de um frio descomunal e €600,00 à frente, a maior companhia de linha aérea de Portugal estava convencida de que as minhas lágrimas eram verdadeiras, e estava a disposta a pôr-me em solo português o mais brevemente possível. Uma hospedeira chegou junto de mim, acarinhou-me o ombro para me despertar, e disse: «está na hora da sua partida». E eu vim. Deixei para trás os amigos com quem tinha viajado, e fiz o percurso sozinha. Talvez a palavra se tenha espalhado, pois só assim se justifica a contagiante simpatia com que fui brindada por toda a tripulação. Sem que o pedisse, ofereceram-me almofada e cobertor. «Está com um ar cansado», diziam. E eu mal esperava por chegar a casa. Cinco horas depois estava a abraçar a minha família. Estava a abraçar todos os membros que mais amo, excepto um. Ele estava num caixão aberto, com funeral adiado para aguardar o meu regresso, e à espera que eu o beijasse derradeiramente. Eu cheguei, abracei-o, beijei-o na testa, disse-lhe “obrigada”, limpei-lhe o rosto com as minhas lágrimas e tapei-o com uma espécie de véu branco. O caixão fechou-se. O seu corpo ficou debaixo de terra; mas a sua imagem, os seus ensinamentos, o seu amor incondicional, o seu carinho, as suas palavras de conforto, as suas mãos fortes, as suas unhas impecavelmente limpas, as bochechas continuamente perfumadas, a roupa perfeitamente asseada e sem vincos e as memórias de quase 3 décadas de convivência frequente, esses… esses ninguém mos tira. Se o Céu existe, não tenho dúvidas que é lá que estás, Vozinho, e isso inspira-me a ser melhor pessoa, para mais tarde vir a encontrar um espaço eterno ao teu lado.


5 years ago, on this same day, I slept -- partially on the floor, partially on a cold bench -- at Schiphol airport, in Amsterdam. Curiously I had left behind a hotel room in Utrecht: comfortable, previously booked, previously paid, with fresh sheets and comfy blankets. And despite having my return on next day’s agenda, even having the plane ticket paid, I’ve slept at the airport to convince TAP that I really needed a place in a flight on that morning, that I didn’t care about the later flight, nor the ticket money they would not reimburse me. I had to come back. I wanted to be where I belonged, together with the ones that wanted me. A bad night’s sleep, 8 hours under a huge cold and €600,00 later, the largest airline company in Portugal was convinced that my tears were real, and it was willing to put me on Portuguese soil as soon as possible. A hostess came near me, caressed my shoulder to wake me up, and said: «it’s time for you to go». And I came. I’ve left behind the friends with whom I’ve traveled, and I’ve done this journey alone. Maybe the word had been spread, because only this justifies the contagious friendliness with which I was offered by the whole crew. Without requesting it, they gave me a pillow and a blanket. «You look tired», they said. And I was hardly waiting to get home. Five hours later I was hugging my family. I was hugging all the relatives I love, except one. He was in and open casket, with a postponed funeral, waiting for my return, waiting for me to kiss him for the last time. I arrived, hugged him, kiss him on his forehead, said «thank you», cleaned his face with my tears and I covered him with a kind of a white veil. The coffin was closed. His body stayed beneath earth; but his image, his teachings, his unconditional love, his kindness, his words of comfort, his strong hands, his impeccably clean nails, his continuously fragrant cheeks, his clothes perfectly cleaned and without creases and the memories of almost three decades of frequently coexistence, those... those cannot be taken away from me. If Heaven really exists, I have no doubts that you’re there, Grandpa, and that inspires me to be a better person, for me to find later a timeless place next to you.

16 de março de 2013

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades | Times change, wills move

...dizia Camões. E é isto que me vem à mente para iniciar o que aqui vos queria contar. E eu conto: nas minhas primeiras viagens com o J. eu agia qual japonês de máquina fotográfica em riste a retratar as pedras da calçada, as esquinas dos edifícios e os pombos nos bebedouros (como se não houvesse calçada, esquinas ou pombos no nosso cantinho à beira-mar plantado). E ele, para além de aborrecer-se imenso com a minha demora, não evitava uma torcida de nariz sempre que eu lhe pedia para me tirar uma fotografia (o que acontecia com muita cadência, admitamos -- «Olha a Torre Eiffel.» Tira foto. «Olha um tobogã!» Tira foto. «Olha a Casa Milà.» Tira foto.)

Talvez tenha sido por esta minha obsessão. Talvez seja sintoma contagioso. Ou talvez nada disto. Mas a verdade é que o J. um dia decidiu: «se é para fazer fotografia, então que seja a sério». Investiu em material, investiu em alguma formação, e lançou-se à produção de imagens.

E agora vos digo: cuidado com aquilo que desejam. Porque eu almejei que ele não se mostrasse tão fastidioso quando eu lhe pedia para me retratar (porque o meu sorriso reage a estímulos), e quando dei por mim estava a ser alvo de milhares centenas de fotografias e a desesperar: «já chega, J.», «estou cansada», «já me doem os maxilares de tanto sorrir», «por favor pára», «já estás a exagerar», «não sejas chato», «olha, vou-me embora, sim?». E a verdade é que ele desenvolveu um inquestionável engenho, mostrou uma verdadeira aptidão, e ainda agora começou.

E sim, podem considerar-me suspeita a bradar acerca do seu talento. Eu suspeitaria. Mas pelos vistos a opinião é partilhada por uns quantos entendidos, pois no outro dia nós fomos ele foi surpreendido por um convite inusitado.

Então este dia vai ser passado na execução do objecto do convite: entre produção, maquilhagem, guarda-roupa, cenários, cenas e actores (um mais amador do que outra). O J. vai fazer a sua primeira realização cinematográfica. É certo que é apenas a de uma ínfima parte de uma longa-metragem, mas que importa? Uma casa não se constrói do tecto.

J. na mira da minha objectiva.
J. under the sight of my lens.

…said Camões. And this is what comes to my mind to kick off what I wanted to tell you about. And I’ll tell you: during my first trips with J. I acted as Japanese with my camera poised to portray cobblestones, buildings corners and pigeons in drinkers (as if there weren’t sidewalks, corners or pigeons in our little country planted on beachfront). And J., besides getting bored with my delay, he wouldn’t avoid twisting his nose whenever I asked him to photograph me (what happened too often, let’s admit it -- «Look, there’s Eiffel Tower.» Take a photograph. «Look, there’s a toboggan.» Take a photograph. «Look, there’s Milà House.» Take a photograph.)

Maybe it was because of this obsession. Maybe this symptom is contagious. Or maybe because none of this. But the truth is J. once decided: «if the purpose is to shoot, then you shall shoot perfectly». He invested in material, invested in his education, and he tossed himself to image production.

And now I tell you: be careful what you wish for. Because I wished that he wouldn’t show himself so fastidious when I asked him to take photographs to me (because my smile reacts to spur), and then I found myself being the target of thousands hundreds of photographs and despairing: «it’s enough, J.», «I’m tired», «my jaws already hurt because of smiling so much», «please stop», «you’re over reacting», «don’t be so boring», «look, I’m going away now, ok?». And the truth is that he developed an unquestionable ingenuity, showed a true ability, and he has just started.

And yes, you may consider myself suspect when crying out about his talent. I’d suspect it. But apparently my opinion is shared by some connoisseurs; because on the other day we were he was surprised by an unusual invitation.

So we are going to spend this day executing the object of the invitation: between productions, make-up, costumes, sceneries, scenes and actors (one more amateur than other). J. is going to make his first filmmaking. Admittedly, it is only a tiny part of a feature film, but who cares? A house is not built from the ceiling.

15 de março de 2013

1º Mesiversário do Umbilicalidades da R. | 1st Monthaversary of Umbilicalidades da R.

Há um mês apregoei que o dia 15 era um excelente dia parafazer “nascer” um blog. Ainda não tem 30 dias, e o Umbilicalidades da R. já tem tantas coisas. Tantas coisas de mim, mas sobretudo tantas coisas de vós. Publiquei 36 mensagens (umas com mais conteúdo do que outras). Recebi para lá de 2.000 visitas (assumamos que as restantes centenas foram minhas em busca de novos comentários, novos seguidores, novas interacções), e ganhei 20 seguidores. Diverti-me em busca de blogs com que me identifico, e fiquei feliz a cada comentário de simpatia, de identificação e de reconhecimento que recebi.

Aos que vieram e não voltaram, aos que ainda estão para vir, mas sobretudo aos que vieram e ficaram, o-b-r-i-g-a-d-a.

1º Mesiversário do Umbilicalidades da R.
1st Monthaversary of Umbilicalidades da R.

A month ago I cried out that the 15th day was an excellent day to “give birth”to a blog. It still isn’t 30 days old, and Umbilicalidades da R. has already lots of things. So many things of me, but especially so many things from you. I published 36 messages (some with more content than others). I received more than 2.000 visits (I assume that the remaining are from me searching for new comments, new followers, new interactions), and I gained 20 followers. I had fun searching for blogs with which I identify myself, and I got happy at every comment of affection, identification and recognition.

To the ones who came here and did not return, to the ones that hadn’t come yet, but above all to the ones that came and stayed here, t-h-a-n-k-y-o-u.